Preço do polvilho azedo, do polvilho doce e da fécula: o que faz o kg subir ou cair

Sacos brancos abertos de polvilho e fécula num armazém atacadista, com uma concha de metal erguendo o pó branco
Imagem ilustrativa.

Pontos principais

  • Na semana de 21 a 25/09/2026, o Cepea registrou a fécula entre R$ 3,17 e R$ 3,45 por kg, FOB fecularia.
  • As fecularias usam de 4,3 a 4,6 t de raiz por tonelada de fécula: a mandioca pesa cerca de quatro quintos do preço.
  • Em Paranavaí, a fécula foi a R$ 5.805,87/t em janeiro de 2023 e caiu a R$ 2.492/t em junho de 2024, pela série do Cepea.
  • O polvilho azedo não tem indicador oficial: segue a fécula e soma fermentação de 15 a 40 dias e secagem ao sol.

O preço do polvilho azedo por kg não tem cotação oficial própria: ele anda junto com a fécula de mandioca, que o Cepea acompanha toda semana. Na semana de 21 a 25 de setembro de 2026, a fécula saiu das fecularias entre R$ 3,17 e R$ 3,45 por kg, e o que faz esse valor subir ou cair é, antes de tudo, o preço da raiz de mandioca.

Este texto é para quem compra polvilho e fécula em volume (padaria, indústria de biscoito, distribuidor, food service) e para quem só quer entender por que o pacote ficou mais caro. Ele mostra onde consultar o preço oficial, o que forma o valor do quilo, por que o polvilho azedo foge da média e como pedir uma cotação comparável. A Graneto não publica tabela de preços, e nenhum valor aqui é preço de prateleira.

Quanto custa a fécula de mandioca segundo o Cepea?

A fécula de mandioca tem indicador semanal do Cepea, da Esalq/USP, publicado desde 2002. Segundo a metodologia do indicador, o preço é coletado com fecularias, compradores e corretores, vale para fécula FOB na fecularia (sem frete), já inclui ICMS e PIS/Cofins e é informado por tonelada. A raiz é cotada da mesma forma, posta na fecularia.

Raiz e fécula de mandioca, semana de 21 a 25/09/2026, valor à vista em R$ por tonelada. Fonte: Cepea.
Região (cidade de referência)Raiz posta na feculariaFécula FOB fecularia
Noroeste do Paraná (Paranavaí)612,803.260,79
Centro-Oeste do Paraná (Araruna)610,823.451,95
Extremo Oeste do Paraná (Marechal Cândido Rondon)619,673.190,78
Extremo Sul de Mato Grosso do Sul (Naviraí)568,563.175,31
Sudeste de Mato Grosso do Sul (Ivinhema)545,893.165,28
Assis (SP)496,023.318,05

Dividido por mil, o indicador dá o preço por quilo na porta da fábrica: de R$ 3,17 a R$ 3,45 por kg de fécula na semana da tabela, conforme o indicador da mandioca do Cepea. Esse é o preço do produto a granel ou em sacaria grande, antes de frete, de fracionamento e da margem do atacado e do varejo.

A raiz de mandioca responde por cerca de quatro quintos do preço da fécula

A raiz é o maior custo da fécula, e por isso o preço do polvilho segue o da mandioca. Em 2024, as fecularias moeram 2,97 milhões de toneladas de raiz e produziram 689,3 mil toneladas de fécula, segundo o levantamento anual do Cepea com a Abam: cerca de 4,3 toneladas de raiz para cada tonelada de fécula. Em 2025, a conta piorou para perto de 4,6, porque a moagem recorde de 3,13 milhões de toneladas rendeu 686 mil toneladas de fécula, com queda na taxa média de extração, de acordo com o mesmo levantamento reproduzido pelo Portal do Agronegócio.

Com esses rendimentos, uma conta simples sobre as médias de 2025 no Noroeste do Paraná mostra o peso da matéria-prima: 4,6 toneladas de raiz a cerca de R$ 566 custam perto de R$ 2.600, diante de uma fécula vendida, em média, por cerca de R$ 3.075 a tonelada na mesma região, pelas séries históricas do Cepea. É uma conta aproximada, que ignora energia, mão de obra, embalagem e o valor dos subprodutos, mas explica por que qualquer alta da raiz chega ao polvilho em poucas semanas.

Por que o preço do polvilho azedo é diferente do da fécula?

O polvilho azedo custa mais para produzir que a fécula e não tem indicador oficial, por isso o preço dele varia mais entre fornecedores. Ele parte do mesmo amido, mas passa por duas etapas extras: fermenta em tanque de 15 a 40 dias, até cerca de 5% de acidez, e seca ao sol por aproximadamente 8 horas, segundo o manual de processamento da EMATER-MG. Tanque ocupado por semanas e secagem que depende do tempo bom são custo e risco que a fécula, seca em secador, não tem.

A estrutura do setor também pesa. O polvilho azedo, descrevem Maeda e Cereda, é fabricado por um grande número de indústrias rurais de pequeno porte, com qualidade de expansão que varia de lote para lote. Quem compra polvilho azedo paga pela constância: um lote que cresce bem no forno vale mais para a padaria do que um mais barato que obriga a refazer a receita. A diferença entre os dois produtos está em polvilho doce ou azedo.

O polvilho doce, por ser o mesmo produto que a fécula, acompanha o indicador quase sem desvio. Quando a receita permite, trocar um pelo outro é uma forma de fugir de uma alta pontual, como mostra o guia como substituir polvilho doce.

Safra, clima e demanda criam ciclos de alta e baixa no quilo

O preço da fécula anda em ciclos de alguns anos, puxados pela oferta de raiz. A raiz é colhida, em geral, com 16 a 20 meses de idade, segundo a mesma EMATER-MG, então a decisão de plantar mais leva quase dois anos para virar oferta. Quando o preço sobe, o produtor amplia a lavoura; quando a colheita grande chega, o preço cai. A série do Cepea para o Noroeste do Paraná mostra o ciclo recente com clareza.

Média anual das cotações semanais à vista no Noroeste do Paraná (Paranavaí), em R$ por tonelada. Cálculo sobre as séries do Cepea.
AnoRaiz posta na feculariaFécula FOB fecularia
20193561.940
20204002.213
20215042.743
20229174.684
20238164.161
20245402.997
20255663.075

O pico veio no começo de 2023: a fécula chegou a R$ 5.805,87 por tonelada em Paranavaí na semana de 6 de janeiro, e a raiz, a R$ 1.201 na semana de 10 de fevereiro, pelas séries de fécula e de raiz do Cepea. A alta seguiu uma safra menor: o Paraná colheu 2,91 milhões de toneladas de mandioca em 2022, contra 3,42 milhões em 2021, segundo a Produção Agrícola Municipal do IBGE. Com a oferta de volta, o preço médio nominal da fécula recuou 27,7% em 2024, e o piso da série recente foi de R$ 2.492 por tonelada em junho daquele ano.

A demanda completa o quadro. Massas, biscoitos e panificação compraram 26,7% da fécula vendida em 2025, e frigoríficos, papel e indústria química também disputam o produto, segundo o levantamento do Cepea com a Abam. Os números da produção estão em produção de mandioca no Paraná, e o retrato das fábricas, em indústria de fécula de mandioca no Brasil.

Do preço da fecularia ao preço que você paga: frete, embalagem e imposto

O preço do polvilho e da fécula sobe a cada elo entre a fecularia e a cozinha. O indicador do Cepea é FOB, sem frete; depois dele entram transporte, fracionamento em pacotes menores, embalagem, armazenagem, impostos da revenda e a margem de cada intermediário. Por isso o quilo no pacote de 500 g da gôndola custa bem mais que o quilo do saco de 25 kg. No polvilho artesanal, o manual da EMATER-MG indica o saco de 50 kg para o mercado atacadista e o pacote de 1 kg para o varejo: ao comparar preços, confira sempre de qual dos dois formatos se está falando.

O Paraná tem uma segunda referência oficial, de atacado. O Deral, da Secretaria da Agricultura do estado, publica o preço médio de venda no atacado do saco de 25 kg de fécula: R$ 85,22 em setembro de 2026, R$ 92,02 na média de 2025 e R$ 118,96 na média de 2022. Comparar as duas séries ajuda a medir quanto o atacado acrescenta sobre o preço da fábrica em cada momento.

Conta para revenda: o preço de venda sai do custo posto na loja (produto, frete e impostos) somado à margem desejada, e não do preço do concorrente. A fórmula, com exemplo, está em margem de lucro: como calcular o preço de venda.

Embalagem e frete são as variáveis que o comprador controla. Saco de 25 kg e big bag reduzem o custo por quilo, como mostra big bag ou saco de 25 kg, e carga fechada sai mais barata que carga fracionada, como explica o texto sobre frete de alimentos para outros estados. A classificação fiscal, que define a alíquota, está em NCM da fécula, do polvilho e da farinha de mandioca.

Como pedir cotação de polvilho e fécula e comparar propostas?

Uma cotação de polvilho ou fécula só é comparável quando todas as propostas respondem às mesmas perguntas. Antes de pedir, defina e informe:

  1. Produto e tipo: fécula, polvilho doce ou polvilho azedo; para fécula, o tipo do padrão do MAPA (1, 2 ou 3), definido pela IN MAPA 23/2005.
  2. Volume e frequência: quantos quilos por mês e de quanto em quanto tempo.
  3. Embalagem: pacote de varejo, saco de 25 kg ou big bag.
  4. Entrega: cidade de destino e se o frete é por conta do fornecedor (CIF) ou seu (FOB).
  5. Pagamento: à vista ou a prazo; o próprio Cepea separa os dois preços, porque o prazo tem custo financeiro.
  6. Documentos: ficha técnica, laudo do lote e validade da proposta, já que o preço muda toda semana.

Com as propostas em mãos, compare o custo posto na sua porta, por quilo, no mesmo prazo de pagamento. Para quem compra pouco, o distribuidor da região costuma sair mais em conta que a fábrica, como mostra o comparativo entre comprar direto da fábrica ou do distribuidor, e a lista do que pedir no laudo está em ficha técnica e laudo de ingrediente.

A Graneto fornece polvilho doce, polvilho azedo, fécula e tapioca pronta a partir de Paranacity, no Noroeste do Paraná, a mesma região do indicador de Paranavaí. Tem rotas próprias no Noroeste do Paraná e atende os demais estados com prazo e frete definidos na cotação. Os produtos estão na linha de derivados de mandioca, e o pedido de preço sai pelo formulário de cotação. Outros textos sobre o mercado estão em mandioca e derivados no blog.

Polvilho, fécula e tapioca direto do polo da mandioca do Paraná. Derivados de mandioca empacotados em Paranacity para panificação industrial, food service e redes de supermercado.

Ver os derivados de mandioca

Perguntas frequentes

Quanto custa o quilo do polvilho azedo?

Não há cotação oficial para o polvilho azedo: ele acompanha a fécula, que o Cepea cotou entre R$ 3,17 e R$ 3,45 por kg, na porta da fecularia, na semana de 21 a 25 de setembro de 2026. Ao azedo somam-se fermentação, secagem ao sol, embalagem, frete e a margem de quem revende. O preço real sai de uma cotação com volume definido.

Quanto custa o saco de 25 kg de fécula de mandioca?

No atacado do Paraná, o Deral registrou preço médio de R$ 85,22 pelo saco de 25 kg de fécula em setembro de 2026, contra R$ 92,02 na média de 2025. É uma referência oficial com data, não preço de prateleira: o valor posto na sua cidade depende do frete, do volume e do prazo de pagamento.

Polvilho azedo é mais caro que polvilho doce?

O polvilho azedo tem custo de produção maior, porque fermenta em tanque por semanas e seca ao sol, o que depende do tempo. Isso tende a aparecer no preço. Como não existe indicador oficial para o azedo, a única forma de medir a diferença é comparar cotações do mesmo fornecedor, no mesmo volume e na mesma embalagem.

Por que o pacote de 1 kg custa mais por quilo que o saco?

Porque o pacote pequeno carrega custos que o saco não tem: fracionamento, filme e caixa, mão de obra, frete de carga fracionada, impostos da revenda e a margem de cada intermediário. O indicador do Cepea é o preço na fecularia, sem frete; cada elo até a gôndola soma o seu custo, e quanto menor o pacote, maior o custo por quilo.

Por que o preço do polvilho muda tanto de um ano para outro?

Porque o polvilho segue a fécula, e a fécula segue a raiz de mandioca, que leva de 16 a 20 meses para ser colhida. Quando falta raiz, o preço sobe, o produtor planta mais e, quase dois anos depois, a oferta maior derruba o preço. Foi o que aconteceu entre o pico de 2023 e a queda de 2024.

O preço da fécula divulgado pelo Cepea já inclui frete e impostos?

Inclui ICMS e PIS/Cofins, mas não inclui frete. O indicador do Cepea é FOB fecularia, ou seja, o preço do produto na porta da fábrica, por tonelada. Para chegar ao custo na sua cidade, some transporte, embalagem menor, se houver, e a margem do distribuidor, quando a compra não é direta.

Onde consultar o preço da fécula de mandioca toda semana?

No indicador de mandioca do Cepea, da Esalq/USP, que publica toda semana o preço da raiz e da fécula em regiões do Paraná, de Mato Grosso do Sul e de São Paulo. No Paraná, o Deral, da Secretaria da Agricultura, publica também o preço médio de atacado do saco de 25 kg de fécula.

Publicado em Mandioca

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