Mandioca
Produção de mandioca no Paraná: números do IBGE e o peso do Noroeste
Pontos principais
- O Paraná colheu 3,96 milhões de toneladas de mandioca em 2025 (IBGE), 19,8% do Brasil, atrás só do Pará.
- O Noroeste paranaense produziu 2,97 milhões de toneladas: 75,1% da mandioca do estado e 14,9% da do país.
- Com 27.839 kg por hectare, o Paraná teve o maior rendimento entre os estados; a média nacional foi de 15.707 kg/ha.
- Umuarama foi o município que mais produziu mandioca no Paraná em 2025: 218.800 toneladas.
A produção de mandioca no Paraná foi de 3,96 milhões de toneladas em 2025, segundo a Produção Agrícola Municipal do IBGE: o estado é o segundo maior produtor do país, logo atrás do Pará, e o que mais colhe por hectare. Três quartos dessa raiz saem do Noroeste paranaense, a mesma região que concentra as fecularias e as farinheiras do estado.
Os números abaixo foram consultados direto no SIDRA, o banco de dados do IBGE, e servem a quem compra derivados de mandioca, a quem pesquisa o setor e a quem quer saber de onde vem a fécula, o polvilho e a farinha que chegam à prateleira. O texto cobre o ranking nacional, o peso de cada região do Paraná, os maiores municípios, a produtividade, a história do polo e a estimativa para 2026.
Quanto de mandioca o Paraná produz?
O Paraná produziu 3.960.047 toneladas de mandioca em 2025, 19,8% da safra brasileira, de acordo com a tabela 5457 do SIDRA/IBGE. O Pará ficou à frente por menos de 27 mil toneladas, uma diferença de 0,7%. Na soma do país, a mandioca respondeu por 2,0% do valor de toda a produção agrícola, segundo o informativo da PAM 2025.
| Recorte | Produção (t) | Área colhida (ha) | Rendimento (kg/ha) | Valor da produção (R$ mil) |
|---|---|---|---|---|
| Brasil | 19.961.847 | 1.270.876 | 15.707 | 18.934.546 |
| Pará | 3.986.680 | 266.575 | 14.955 | 4.316.169 |
| Paraná | 3.960.047 | 142.247 | 27.839 | 2.619.697 |
| São Paulo | 1.645.690 | 71.652 | 22.968 | 1.058.052 |
| Mato Grosso do Sul | 1.507.693 | 62.546 | 24.105 | 871.588 |
A tabela mostra o traço que define o Paraná: quase a mesma produção do Pará em pouco mais da metade da área. É também onde a tonelada vale menos. Dividindo o valor da produção pela quantidade, ambos da PAM 2025, a raiz paranaense saiu, em média, a cerca de R$ 662 por tonelada em 2025, contra R$ 949 na média brasileira e R$ 1.083 no Pará, um indício de que a mandioca do Paraná vai sobretudo para a indústria, e não para a mesa.
O Noroeste colhe três quartos da mandioca do Paraná
A mesorregião Noroeste Paranaense produziu 2.974.070 toneladas de mandioca em 2025, 75,1% do total do estado e 14,9% da produção brasileira, pelos dados do IBGE. Ela é formada por três microrregiões, e as três aparecem no topo do ranking estadual.
| Recorte | Produção (t) | Participação no Paraná | Rendimento (kg/ha) |
|---|---|---|---|
| Mesorregião Noroeste Paranaense | 2.974.070 | 75,1% | 29.923 |
| Microrregião de Umuarama | 1.404.687 | 35,5% | 31.026 |
| Microrregião de Paranavaí | 1.161.004 | 29,3% | 29.463 |
| Microrregião de Cianorte | 408.379 | 10,3% | 27.764 |
| Mesorregião Norte Central Paranaense | 304.964 | 7,7% | 26.117 |
| Mesorregião Centro Ocidental Paranaense | 190.577 | 4,8% | 22.961 |
| Mesorregião Oeste Paranaense | 153.355 | 3,9% | 24.474 |
| Mesorregião Metropolitana de Curitiba | 139.175 | 3,5% | 19.244 |
Um detalhe que muda a leitura comum: a maior microrregião produtora não é a de Paranavaí, e sim a de Umuarama, com mais de um terço da mandioca do estado. Paranavaí vem em segundo, com 29,3%, e é a sede histórica das farinheiras da região. Paranacity, onde fica a fábrica da Graneto, pertence à microrregião de Paranavaí, mas é um produtor modesto de mandioca: 5.975 toneladas em 2025, pela mesma tabela do IBGE. O município é conhecido por outra lavoura, a que faz dele o maior polo de urucum do país, com uma trajetória contada em a história do urucum em Paranacity e números em produção de urucum no Brasil.
Quais municípios do Paraná mais produzem mandioca?
Umuarama foi o município paranaense que mais produziu mandioca em 2025, com 218.800 toneladas, segundo a Produção Agrícola Municipal. Os dez primeiros estão todos no Noroeste:
| Município | Produção (t) | Área colhida (ha) | Rendimento (kg/ha) |
|---|---|---|---|
| Umuarama | 218.800 | 6.420 | 34.081 |
| Querência do Norte | 178.250 | 5.650 | 31.549 |
| Alto Paraíso | 146.500 | 4.360 | 33.601 |
| Cruzeiro do Oeste | 134.000 | 5.200 | 25.769 |
| Xambrê | 133.750 | 4.030 | 33.189 |
| Maria Helena | 127.700 | 3.540 | 36.073 |
| Cianorte | 117.000 | 4.500 | 26.000 |
| Tuneiras do Oeste | 100.000 | 3.570 | 28.011 |
| Tapira | 99.828 | 3.630 | 27.501 |
| Altônia | 99.250 | 3.290 | 30.167 |
A produção é pulverizada: nenhum município passa de 6% do total do estado, pelos dados do IBGE. Isso dá às fecularias e farinheiras da região uma bacia de raiz próxima e distribuída, em vez de depender de poucos fornecedores.
Por que o Paraná colhe tanta mandioca por hectare?
O Paraná colheu 27.839 kg de mandioca por hectare em 2025, o maior rendimento entre os estados e 77% acima da média nacional de 15.707 kg/ha, segundo o IBGE. No Noroeste, a média chegou a 29.923 kg/ha, e Maria Helena passou de 36 toneladas por hectare.
A explicação tem base no solo, no clima e no tipo de lavoura. A nota técnica do Ipardes sobre o APL da Mandioca da Região de Paranavaí-Loanda descreve solos arenosos do Arenito Caiuá, temperatura média de 22 °C e condições edafoclimáticas propícias à cultura. Somam-se a isso as lavouras comerciais planejadas para abastecer fecularias e farinheiras, que compram a raiz por tonelada.
Cinturão da mandioca é apelido; o nome usado pelo Ipardes é APL de Paranavaí-Loanda
"Cinturão da mandioca" é um apelido popular, não um nome oficial. O termo técnico, usado pelo Ipardes, órgão de pesquisa do governo do Paraná, é Arranjo Produtivo Local (APL) da Mandioca da Região de Paranavaí-Loanda, um dos 22 arranjos validados pelo projeto estadual de identificação de APLs, segundo nota técnica de dezembro de 2006. A região reúne 29 municípios no extremo noroeste, entre os rios Paranapanema, Paraná e Ivaí.
O polo industrial nasceu na década de 1960, a partir da lavoura de mandioca, segundo o mesmo estudo do Ipardes. Em 2006, a nota estimava 86 empresas do ramo na região: 60 farinheiras, 20 fecularias, quatro fabricantes de máquinas e equipamentos e duas de implementos agrícolas. Paranavaí concentrava cerca de 45% das farinheiras, enquanto as fecularias se espalhavam pelos municípios vizinhos. Paranacity aparece entre os municípios pesquisados no estudo.
Para onde vai a mandioca do Paraná?
A maior parte da mandioca paranaense vai para a indústria, que a transforma em fécula, polvilho, farinha e amidos modificados. O Paraná produziu 67,6% da fécula brasileira em 2025, segundo o levantamento do Cepea com a Abam reproduzido pelo Portal do Agronegócio; o perfil dessas fábricas está em indústria de fécula de mandioca no Brasil, e os usos do amido, em amido de mandioca na indústria.
A farinha segue para fora do estado. O Ipardes registrava que o Paraná tradicionalmente vende cerca de 80% da farinha de mandioca que produz para outras regiões, sobretudo o Nordeste e o Sudeste. A diferença entre os grupos e tipos de farinha está em tipos de farinha de mandioca, e a de fécula e polvilho, em polvilho doce ou azedo.
A mandioca de mesa, vendida in natura, tem mercado e preço próprios. O Deral, da Secretaria da Agricultura do Paraná, publica separadamente o preço recebido pelo produtor da mandioca para a indústria, por tonelada, e o da mandioca de consumo, por quilo: em setembro de 2026, R$ 576,63 por tonelada para a indústria e R$ 1,44 por quilo para a de mesa.
A produção oscila com o preço: de 2,91 para 3,96 milhões de toneladas em três anos
A safra paranaense de mandioca muda bastante de um ano para outro, porque o produtor planta mais quando a raiz está cara e menos quando está barata. A série da Produção Agrícola Municipal do IBGE mostra a queda de 2022 e a retomada seguinte:
| Ano | Produção (t) |
|---|---|
| 2016 | 3.888.111 |
| 2018 | 3.469.812 |
| 2020 | 3.474.980 |
| 2021 | 3.421.367 |
| 2022 | 2.906.538 |
| 2023 | 3.479.343 |
| 2024 | 3.693.862 |
| 2025 | 3.960.047 |
| 2026 (estimativa) | 4.059.800 |
Para 2026, o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de agosto estima 4,06 milhões de toneladas no Paraná, em 152,5 mil hectares, e 4,18 milhões no Pará, segundo a tabela 6588 do SIDRA. É estimativa: o número final sai na PAM do ano seguinte. A safra curta de 2022 coincidiu com o pico de preço da raiz e da fécula em 2022 e 2023, como mostram o preço do polvilho e da fécula e o preço da farinha de mandioca.
Para quem compra derivados, o mapa explica uma vantagem prática: comprar no polo encurta a cadeia, com menos intermediários, quando o volume justifica, como mostra o comparativo entre comprar direto da fábrica ou do distribuidor. A Graneto fica em Paranacity, dentro do APL, e fornece fécula, polvilho doce e azedo, tapioca pronta e farinha de mandioca para empresas de todo o país; a história da empresa está em quem é a Graneto, a linha em derivados de mandioca e a cobertura de entrega em distribuição. Outros textos do setor estão em mandioca no blog.
Polvilho, fécula e tapioca direto do polo da mandioca do Paraná. Derivados de mandioca empacotados em Paranacity para panificação industrial, food service e redes de supermercado.
Ver os derivados de mandiocaPerguntas frequentes
Qual estado é o maior produtor de mandioca do Brasil?
O Pará, por pouco. Em 2025, o Pará colheu 3,99 milhões de toneladas e o Paraná, 3,96 milhões, segundo a Produção Agrícola Municipal do IBGE. A estimativa de agosto de 2026 mantém a ordem, com 4,18 milhões no Pará e 4,06 milhões no Paraná. São Paulo e Mato Grosso do Sul vêm depois.
Qual cidade do Paraná produz mais mandioca?
Umuarama, com 218.800 toneladas em 2025, segundo o IBGE. Querência do Norte, Alto Paraíso, Cruzeiro do Oeste e Xambrê completam os cinco primeiros. Todos ficam no Noroeste do Paraná, a mesorregião que colheu três quartos da mandioca do estado naquele ano.
O que é o cinturão da mandioca do Paraná?
É o apelido popular da região produtora do Noroeste do Paraná. O nome técnico, usado pelo Ipardes, é Arranjo Produtivo Local da Mandioca da Região de Paranavaí-Loanda, que reúne 29 municípios e concentra fecularias e farinheiras desde a década de 1960. Cinturão da mandioca não é um nome oficial.
Quanto o Paraná colhe de mandioca por hectare?
Em média, 27.839 kg por hectare em 2025, o maior rendimento entre os estados, segundo o IBGE. A média brasileira foi de 15.707 kg/ha. No Noroeste paranaense, o rendimento chegou a 29.923 kg/ha, e alguns municípios, como Maria Helena, passaram de 36 toneladas por hectare.
A mandioca do Paraná vai para a mesa ou para a indústria?
Principalmente para a indústria. O estado produziu 67,6% da fécula brasileira em 2025, segundo o Cepea com a Abam, e o Noroeste concentra fecularias e farinheiras. A mandioca de mesa existe e tem preço próprio no Deral, cotado por quilo, enquanto a da indústria é negociada por tonelada.
Publicado em Mandioca
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