Revenda
Margem de lucro em temperos: como calcular o preço de venda
Pontos principais
- Markup multiplica o custo; margem é percentual do preço. Markup de 2,0 dá margem bruta de 50% do preço, não de 100%.
- Preço de venda = custo × 1 ÷ (1 − impostos − despesas − perdas − lucro), com tudo em decimal do preço de venda.
- Aplicar porcentagem sobre o custo dá prejuízo, porque imposto e despesas incidem sobre o preço de venda, que é maior.
- No granel, quebra do fracionamento, embalagem e etiqueta entram no custo unitário antes do markup.
- O markup dá o preço-alvo; o mercado decide se ele cabe. Nos fracionados, o preço por quilo na etiqueta é obrigatório.
A margem de lucro em temperos é o que sobra do preço de venda depois de pagar o custo do produto, os impostos e as despesas da loja; o markup é o número que multiplica o custo para chegar a esse preço. A conta segura divide o custo por um menos a soma de impostos, despesas e lucro desejado, todos em percentual do preço, e evita o erro mais comum: somar porcentagem em cima do custo.
O texto é para quem revende condimentos em mercearia, empório, açougue ou loja online e quer parar de copiar o preço do concorrente. Ele traz as fórmulas, a lista de custos que costumam ficar de fora, um exemplo numérico hipotético com sachê e com tempero fracionado a granel, e o limite do método: o preço calculado ainda precisa caber no bolso do seu cliente. Os valores do exemplo são inventados para a conta; não são preço de mercado.
Qual a diferença entre margem e markup?
Margem é um percentual do preço de venda; markup é um multiplicador aplicado ao custo. Os dois descrevem o mesmo preço por ângulos diferentes, e confundir um com o outro é a origem da maioria dos preços errados no varejo. Um markup de 2,0 significa vender pelo dobro do custo, o que dá margem bruta de metade do preço, e não o dobro de lucro.
| Markup sobre o custo | Preço para custo de 10 | Margem bruta sobre o preço |
|---|---|---|
| 1,25 | 12,50 | 20% |
| 1,50 | 15,00 | 33% |
| 1,80 | 18,00 | 44% |
| 2,00 | 20,00 | 50% |
| 2,50 | 25,00 | 60% |
Margem bruta ainda não é lucro. Dela saem o imposto sobre a venda, a taxa da maquininha, o aluguel, os salários e as perdas. O lucro, chamado de margem líquida, é o que sobra depois de tudo isso, e é ele que a fórmula do markup protege.
Quais custos entram no preço de um tempero?
O preço de um tempero precisa cobrir o custo de aquisição, as despesas variáveis da venda, a parte das despesas fixas que cabe a cada venda, as perdas e o lucro desejado. No comércio, explica o guia prático de precificação do Sebrae, o custo unitário é o custo de aquisição da mercadoria, e o ICMS pago na compra fica fora desse custo quando a empresa pode recuperá-lo como crédito.
- Custo de aquisição: preço pago ao fornecedor, frete e impostos da compra que não viram crédito.
- Despesas variáveis: imposto sobre a venda, taxa de cartão, comissão de vendedor ou de marketplace.
- Despesas fixas: aluguel, salários, energia, sistema e contador, convertidos em percentual do faturamento médio do mês.
- Perdas: produto vencido, pacote avariado, quebra no fracionamento e o tempero que perdeu aroma e não vende, diferença explicada em quanto tempo duram os temperos secos.
- Lucro desejado: o percentual do preço que deve sobrar para o dono.
O frete é um dos custos que mais somem da conta de quem compra longe. Em pedido pequeno de outro estado, ele pode pesar mais no custo por quilo que a própria diferença de preço entre fornecedores; o texto sobre frete de alimentos para outros estados mostra como comparar. As perdas por validade se controlam no estoque, com o método do guia de controle de estoque de temperos.
Como calcular o preço de venda de um tempero passo a passo?
O preço de venda de um tempero sai de quatro passos: somar os percentuais que incidem sobre o preço, transformar essa soma em markup, multiplicar o custo pelo markup e conferir o resultado com uma conta de lucro por unidade. É o método do mark-up que o Sebrae ensina no guia de precificação, em que a soma de despesas sobre as vendas, alíquota do imposto e margem desejada vira a base do multiplicador.
- Some, em percentual do preço de venda: imposto sobre a venda, taxa de cartão, despesas fixas, perdas e lucro desejado.
- Calcule o markup: 1 ÷ (1 − soma em decimal).
- Multiplique o custo de aquisição pelo markup.
- Confira: do preço encontrado, desconte cada percentual e o custo. O que sobra deve ser o lucro desejado.
Preço de venda = custo de aquisição × markup, sendo markup = 1 ÷ (1 − impostos − despesas − perdas − lucro desejado), com tudo em decimal do preço de venda.
O imposto entra pela alíquota efetiva da empresa, e não pela tabela cheia. No Simples Nacional, o comércio segue o Anexo I da Lei Complementar 123/2006, que começa em 4% na primeira faixa de receita e sobe com o faturamento; o anexo já traz remissões à reforma tributária (Lei Complementar 214/2025), então peça ao contador a alíquota que vale para o seu caso.
Exemplo hipotético: sachê revendido e tempero fracionado a granel
O exemplo abaixo usa valores inventados para mostrar a conta: uma loja no Simples, na primeira faixa, com os percentuais de imposto, taxa de cartão, despesas fixas, perdas e lucro desejado da tabela. Na primeira coluna, um sachê comprado pronto; na segunda, 50 g de um tempero comprado em pacote de 1 kg e fracionado na loja, com embalagem, etiqueta e quebra de fracionamento.
| Item da conta | Sachê revendido | Granel: pacote de 50 g |
|---|---|---|
| Custo de aquisição | 2,00 | 2,04 (1 kg a 40,00, com 2% de quebra) |
| Embalagem e etiqueta | Já inclusa | 0,30 |
| Custo unitário | 2,00 | 2,34 |
| Imposto sobre a venda | 4% | 4% |
| Taxa de cartão | 3% | 3% |
| Despesas fixas | 25% | 25% |
| Perdas | 3% | 3% |
| Lucro desejado | 10% | 10% |
| Soma | 45% | 45% |
| Markup = 1 ÷ (1 − 0,45) | 1,818 | 1,818 |
| Preço de venda | 3,64 | 4,25 |
| Preço por quilo na etiqueta | Depende da gramatura | 85,00 |
| Lucro por unidade (conferência) | 0,37 | 0,42 |
A quebra entra pelo uso bruto: para entregar 50 g com 2% de perda, a loja gasta cerca de 51 g do pacote, a mesma lógica que o guia do Sebrae usa para matéria-prima com perda de processo. O preço por quilo da última linha não é enfeite: a Lei 10.962/2004 exige o preço por unidade de medida na venda de produtos fracionados em pequenas quantidades, e é por ele que o cliente compara o seu granel com o pacote da indústria. As regras do fracionamento estão em como vender temperos a granel.
Por que somar porcentagem sobre o custo dá prejuízo?
Somar porcentagem sobre o custo dá prejuízo porque as despesas e o imposto incidem sobre o preço de venda, que é maior que o custo. Quem soma as despesas, aplica uma porcentagem um pouco maior em cima do custo e acha que a diferença é lucro está usando a base errada. No mesmo exemplo hipotético do sachê, com as despesas e o imposto da tabela anterior:
| Conta | "50% sobre o custo" | Markup calculado |
|---|---|---|
| Custo do sachê | 2,00 | 2,00 |
| Preço de venda | 3,00 | 3,64 |
| Imposto, cartão, despesas fixas e perdas (35% do preço) | 1,05 | 1,27 |
| Resultado por sachê | Prejuízo de 0,05 | Lucro de 0,37 |
O preço feito com porcentagem sobre o custo parece generoso e perde dinheiro em cada sachê vendido. Com a fórmula, o lucro desejado aparece na conferência, como na DRE por unidade que o Sebrae usa para validar o preço.
Granel ou embalado: onde está a margem de lucro dos temperos?
O tempero a granel pode ter custo por quilo menor, porque a loja compra em embalagem de volume, mas carrega custos que o embalado não tem: mão de obra de fracionar, embalagem e etiqueta, quebra, aroma que cai no pote aberto e a estrutura sanitária para fracionar. O embalado tem custo de compra maior por quilo e quase nenhum trabalho. Não existe resposta geral sobre qual dá mais lucro; existe a conta da sua loja. O embalado de fábrica vai da especiaria pura à mistura pronta, e os exemplos de cada tipo estão em temperos industrializados: o que são e exemplos.
| Fator | Embalado de fábrica | Granel fracionado na loja |
|---|---|---|
| Custo por quilo na compra | Maior | Menor |
| Mão de obra | Só repor | Pesar, embalar, etiquetar, limpar potes |
| Perdas | Validade e avaria | Validade, avaria, quebra e aroma |
| Exigência sanitária | Armazenar e expor bem | Fracionamento licenciado e rótulo |
| Percepção do cliente | Marca conhecida | Produto à vista e preço por quilo |
O formato do pacote muda a conta do embalado também. No colorau, por exemplo, o sachê de gôndola e o pacote de 1 kg têm custos por quilo diferentes; a análise está no guia de preço do colorau do sachê ao saco de 25 kg e no de colorau para revenda. A mesma fórmula serve para os farináceos que a loja revende junto, como canjica, fubá e farinha de milho, da linha de farináceos e milho: muda só o custo de aquisição por quilo.
Loja de temperos dá lucro? A resposta está no ponto de equilíbrio
A loja de temperos dá lucro quando o faturamento do mês passa do ponto de equilíbrio, o volume de vendas que cobre todos os gastos fixos e variáveis; abaixo dele, ela perde dinheiro mesmo com o markup certo. Não há dado público de lucratividade de lojas de temperos no Brasil, então a resposta sai da sua conta. O guia de precificação do Sebrae citado acima calcula o ponto de equilíbrio dividindo os gastos fixos pela diferença entre o preço e os gastos variáveis por unidade, e sugere usar o tíquete médio quando a loja vende muitos itens.
| Item da conta | Valor |
|---|---|
| Gastos fixos do mês (aluguel, salários, energia, sistema, contador) | 9.000,00 |
| Custo da mercadoria, em percentual do preço | 55% |
| Imposto, cartão e perdas, em percentual do preço | 10% |
| Margem de contribuição (o que sobra para pagar os fixos) | 35% |
| Faturamento de equilíbrio: 9.000 ÷ 0,35 | 25.714,29 |
| Tíquete médio | 40,00 |
| Vendas necessárias no mês | 643, cerca de 25 por dia em 26 dias abertos |
Os percentuais repetem o exemplo do sachê, em que o markup de 1,818 faz a mercadoria custar 0,55 do preço. Se o movimento previsto para o ponto não chega ao número de vendas da última linha, mexer no markup raramente resolve. Resolve baixar o gasto fixo, como uma banca em mercado municipal no lugar da loja de rua, subir o tíquete médio com itens complementares ou rever o mix.
O preço calculado precisa caber no mercado
O markup encontra o preço de que a loja precisa, mas é o cliente quem decide se paga. O próprio guia do Sebrae chama o resultado de preço-alvo e lembra que ele deve ser comparado com a concorrência. A Lei da Liberdade Econômica garante o direito de definir livremente o preço em mercados não regulados, o que inclui temperos, então o limite é comercial, não legal.
Quando o preço calculado fica acima do que o bairro aceita, há quatro saídas: reduzir o custo de aquisição, trocando de fornecedor ou de canal, como compara o texto sobre comprar direto da fábrica ou do distribuidor; mudar a gramatura; cortar perdas com estoque mais curto; ou aceitar margem menor nos itens que trazem o cliente e compensar nos complementares e nos produtos de valor agregado, como um kit de temperos para presente. A divisão do mix em básicos e complementares está em mix de temperos para mercearia, e o efeito de expor o preço por quilo está em como expor temperos na gôndola.
Na hora de pedir cotação, compare fornecedores pelo custo por quilo entregue na sua porta, com frete e prazo, e não pelo preço de tabela. O roteiro está em como escolher um fornecedor de temperos; o catálogo de condimentos de uma fábrica mostra os formatos possíveis, e quem vende pela internet soma ainda a comissão do canal, assunto do guia de como vender temperos pela internet. Os demais textos para quem revende estão reunidos no tema revenda de temperos e farináceos.
Monte o mix da sua loja direto com a fábrica. Colorau, condimentos, derivados de mandioca e farináceos em embalagens de varejo e de food service, com entrega para todo o Brasil.
Ver o catálogo completoPerguntas frequentes
Loja de temperos dá lucro?
Dá quando o faturamento do mês passa do ponto de equilíbrio, que cobre todos os gastos fixos e variáveis. Não há dado público de lucratividade do setor, então faça a conta: divida os gastos fixos pela margem de contribuição média e compare o resultado com as vendas que o ponto escolhido consegue gerar antes de abrir.
Qual a margem de lucro média de uma loja de temperos?
Não há dado público confiável de margem média para lojas de temperos no Brasil, e copiar a margem de outra loja ignora o seu aluguel, o seu imposto e as suas perdas. O caminho seguro é calcular o markup com os seus custos e conferir o lucro por unidade antes de definir o preço.
Como calcular o markup de um tempero?
Some, em percentual do preço de venda, o imposto, a taxa de cartão, as despesas fixas, as perdas e o lucro desejado. Divida 1 por 1 menos essa soma em decimal: o resultado é o markup. Multiplique o custo de aquisição do tempero por ele e confira o lucro que sobra em cada unidade.
Como calcular o preço do quilo do tempero?
Divida o preço do pacote pelo peso líquido em quilos: um pacote de 50 g vendido a 4,25 reais custa 85 reais o quilo, como no exemplo hipotético do texto. Na venda de fracionados em pequenas quantidades, a Lei 10.962/2004 obriga a mostrar esse preço por quilo ao lado do preço do pacote.
Tempero a granel dá mais lucro que o embalado?
Depende da sua operação. O granel costuma ter custo de compra menor por quilo, mas soma mão de obra, embalagem, etiqueta, quebra e perda de aroma no pote aberto. O embalado custa mais na compra e quase não dá trabalho. Faça a conta dos dois com os seus números antes de decidir.
O imposto entra no cálculo do preço do tempero?
Entra, como percentual do preço de venda, pela alíquota efetiva da sua empresa. No Simples Nacional, o comércio começa em 4% na primeira faixa de receita e sobe conforme o faturamento. Peça ao contador a alíquota efetiva, porque usar a nominal ou esquecer o imposto distorce o markup.
Posso vender tempero mais barato que o concorrente?
Pode, o preço de temperos é livre. O cuidado é conferir se o preço menor ainda cobre custo, imposto, despesas e perdas. Se não cobre, cada unidade vendida dá prejuízo. Margem menor pode fazer sentido num item que traz o cliente, desde que os outros itens compensem.
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