Produção de urucum no Brasil: estados, municípios e números do IBGE

Fileiras de pés de urucum numa fazenda com cachos de frutos avermelhados e caminho de terra vermelha
Imagem ilustrativa.

Pontos principais

  • O Brasil colheu 14.276 toneladas de urucum em 2025, em 13.043 hectares, segundo a Produção Agrícola Municipal do IBGE.
  • São Paulo produz 38,6% do urucum do país; o Paraná é o 4º em quantidade e o 2º em valor da produção.
  • Paranacity (PR) foi o maior município produtor em 2025, com 977 toneladas; os dez primeiros somam 45,6% do total.
  • O valor médio da produção por quilo subiu de 3,59 reais em 2020 para 12,72 reais em 2025, em valores correntes.
  • O Brasil responde por cerca de 57% da produção mundial de urucum, segundo estimativa do ITAL citada pela Globo Rural.

A produção de urucum no Brasil foi de 14.276 toneladas de semente em 2025, colhidas em 13.043 hectares e avaliadas em 181,7 milhões de reais, segundo a Produção Agrícola Municipal do IBGE (tabela 1613). São Paulo responde por 39% do volume, e o maior município produtor do país é Paranacity, no Paraná, com 977 toneladas.

Os números abaixo foram consultados na tabela 1613 do IBGE em outubro de 2026 e servem a quem compra urucum ou colorau e quer saber de onde vem a semente, quem pesquisa a cultura e quem avalia entrar nela. Valores em reais são nominais, sem correção pela inflação, e o IBGE pode revisar os anos anteriores quando publica uma nova safra.

Quanto urucum o Brasil produz por ano?

O Brasil produz entre 11 mil e 17 mil toneladas de semente de urucum por ano desde 2010, e colheu 14.276 toneladas em 2025. O pico da série recente foi 2018, com 16.613 toneladas; o ponto mais baixo, 2022, com 11.846, segundo a Produção Agrícola Municipal. A área colhida acompanha o volume, perto de 13 mil hectares, com rendimento médio nacional de 1.095 kg por hectare em 2025.

Esse rendimento é uma média de lavouras de todas as idades. Para um urucual adulto bem conduzido, o manual da Embrapa sobre a cultura do urucum estima cerca de 1.500 kg de sementes secas por hectare. O ciclo explica a diferença: o urucueiro floresce de seis a dez meses depois do plantio, as cápsulas ficam prontas cerca de 90 dias após a floração, e a produção cresce a cada ano até se estabilizar por volta do sexto ano.

Urucum (semente) no Brasil. Fonte: IBGE, Produção Agrícola Municipal, tabela 1613. Valor médio por quilo calculado sobre os dados da tabela, em reais correntes.
AnoProduçãoÁrea colhidaValor da produção (milhões de reais)Valor médio por kg (reais)
201514.420 t11.777 ha55,93,88
201816.613 t16.351 ha81,54,91
202013.666 t13.763 ha49,13,59
202112.252 t12.538 ha69,65,68
202211.846 t12.042 ha94,67,99
202313.075 t11.600 ha161,712,37
202412.779 t12.360 ha166,213,01
202514.276 t13.043 ha181,712,72

O dado que mais mudou não foi o volume, e sim o valor. Com quantidades parecidas, o valor médio da produção por quilo passou de 3,59 reais em 2020 para 12,72 reais em 2025, em valores correntes do IBGE. É uma média de toda a safra, informada pelo levantamento municipal, e não um preço de balcão: o que forma o preço da semente num lote específico está em quanto vale o quilo do urucum.

Quais estados mais produzem urucum?

São Paulo é o maior estado produtor de urucum, com 5.513 toneladas em 2025, seguido por Minas Gerais, Bahia e Paraná. Os quatro somam quase 80% do volume nacional, e 15 estados tiveram produção registrada no ano, segundo a tabela 1613 do IBGE. O ranking muda quando se olha o valor: o Paraná é o 4º em quantidade, mas o 2º em valor da produção, com 15,9% do total.

Urucum por estado em 2025. Fonte: IBGE, Produção Agrícola Municipal, tabela 1613. Participação e valor médio por quilo calculados sobre os dados da tabela.
EstadoProduçãoParticipaçãoÁrea colhidaValor da produção (milhões de reais)Valor médio por kg (reais)
São Paulo5.513 t38,6%5.775 ha81,714,82
Minas Gerais2.167 t15,2%1.091 ha19,99,20
Bahia1.949 t13,7%1.928 ha9,24,74
Paraná1.707 t12,0%1.369 ha28,916,90
Pará792 t5,5%781 ha11,214,13
Rondônia774 t5,4%712 ha10,813,95
Mato Grosso do Sul568 t4,0%679 ha9,817,27
Outros 8 estados806 t5,6%708 ha10,112,53
Brasil14.276 t100%13.043 ha181,712,72

Dois contrastes chamam a atenção. Minas Gerais tem o maior rendimento entre os grandes produtores, 1.986 kg por hectare, contra 955 em São Paulo. E a Bahia colhe mais que o Paraná, mas o valor médio do seu quilo ficou abaixo de 5 reais, enquanto o paranaense passou de 16, segundo os dados da PAM 2025. O IBGE não mede teor de bixina, então a tabela não explica a diferença sozinha; mas a literatura mostra que o pigmento pesa no valor: sementes com menos de 2,5% de bixina "encontram dificuldades de comercialização", segundo o estudo do Instituto Agronômico de Campinas. O que é a bixina e como medi-la está em o que é bixina.

Quais são os maiores municípios produtores de urucum?

Paranacity (PR) foi o maior município produtor de urucum do Brasil em 2025, com 977 toneladas, seguido por Monte Castelo (SP) e Felício dos Santos (MG). Os dez primeiros colheram 45,6% da produção nacional, num universo de 305 municípios com registro na tabela 1613.

Os dez maiores municípios produtores de urucum em 2025. Fonte: IBGE, Produção Agrícola Municipal, tabela 1613.
PosiçãoMunicípioProdução 2025Produção 2024Área colhida 2025
1ºParanacity (PR)977 t960 t850 ha
2ºMonte Castelo (SP)874 t600 t950 ha
3ºFelício dos Santos (MG)816 t750 t340 ha
4ºTupi Paulista (SP)786 t595 t845 ha
5ºSão João do Pau d'Alho (SP)699 t468 t760 ha
6ºValença (BA)549 t527 t504 ha
7ºCruzeiro do Sul (PR)525 t310 t350 ha
8ºDracena (SP)519 t451 t564 ha
9ºSalmourão (SP)432 t635 t270 ha
10ºIvinhema (MS)330 t300 t300 ha

A lista revela quatro polos. O maior é o oeste paulista: a microrregião de Dracena, que reúne Monte Castelo, Tupi Paulista, São João do Pau d'Alho, Dracena e vizinhos, somou 3.793 toneladas, 26,6% do Brasil, pelos dados do IBGE; a Globo Rural aponta essa Nova Alta Paulista como a principal região produtora do país. Os outros três são o Noroeste do Paraná, com Paranacity e Cruzeiro do Sul (1.584 toneladas na microrregião de Paranavaí); a região de Diamantina, no Jequitinhonha mineiro, puxada por Felício dos Santos (1.052 toneladas na microrregião); e o sul da Bahia, onde as microrregiões de Porto Seguro e de Valença somaram 1.804 toneladas, com destaque para Valença, Prado e Teixeira de Freitas.

No Paraná, a concentração é ainda maior: Paranacity e Cruzeiro do Sul colheram juntos 88% do urucum do estado em 2025, pela mesma tabela do IBGE. Os dois municípios formam a área da Indicação Geográfica do urucum de Paranacity, registrada no INPI em 2025, e a trajetória que levou Paranacity do 10º lugar em 2020 ao 1º em 2024 está em a história do urucum em Paranacity.

O Brasil é o maior produtor mundial de urucum?

O Brasil é apontado como o maior produtor mundial de urucum, com cerca de 57% da produção global, segundo dados do Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL) citados pela Globo Rural em julho de 2026. O número é uma estimativa setorial divulgada pela imprensa, não uma série oficial como a do IBGE; use-o como ordem de grandeza.

A mesma reportagem registra a base científica da cultura no país: o Instituto Agronômico (IAC-APTA) faz melhoramento genético do urucum desde a década de 1980 e mantém o que descreve como o maior banco de germoplasma do fruto no mundo, com 378 genótipos. A demanda dos produtores, segundo a pesquisadora Eliane Fabri, é reunir porte baixo, alta produtividade e alto teor de bixina numa mesma planta.

Para onde vai o urucum colhido no Brasil?

O urucum colhido no Brasil tem dois destinos, a indústria de corantes, que extrai a bixina, e as fábricas de colorau, e a divisão entre eles muda com a região. A estimativa nacional mais citada é antiga: em 2001, Tocchini e Mercadante registraram que 25% das sementes industrializadas no país iam para extratos e o restante para colorífico, consumido no mercado interno. No maior município produtor de hoje, a proporção é quase a inversa: cerca de 80% da semente de Paranacity vai para indústrias de corante de São Paulo, e o restante para fábricas de colorau, segundo a Folha de Londrina em 2026. Não encontramos série oficial atualizada dessa divisão para o país inteiro.

Da bixina saem os corantes usados em queijos, embutidos, doces, bebidas e sorvetes, além de cosméticos, como resume a Globo Rural.

Cada destino tem a sua regra. O extrato entra em alimentos como aditivo INS 160b, com limites por categoria, explicados em corante de urucum; o uso em queijos e laticínios, em embutidos e em cosméticos tem textos próprios. A venda para fora do país passa por classificação fiscal e documentos descritos em exportação de urucum e colorau.

Quando é a safra de urucum no Brasil?

A safra principal de urucum vai de junho a agosto, e variedades de porte baixo, como o urucum-anão, podem dar uma segunda colheita entre dezembro e março, segundo a Globo Rural. O calendário varia com a região e o manejo: em Paranacity, a colheita se estende de fevereiro a agosto, de acordo com técnicos ouvidos pela Folha de Londrina.

Para o planejamento de compra, a safra importa por dois motivos. A oferta de semente nova se concentra no meio do ano, e o pigmento perde força com o tempo de estoque: num estudo publicado na revista Ciência Florestal, o teor de bixina das sementes decresceu entre 30 e 120 dias de armazenamento. Como reduzir essa perda está em como armazenar colorau e urucum.

O que esses números mudam para quem compra urucum ou colorau

Para quem compra, a produção de urucum no Brasil é concentrada em poucos polos, e a origem conta tanto quanto o volume. Três consequências práticas:

  • Peça o laudo do lote. Como o valor da semente varia muito entre regiões e o IBGE não mede bixina, o teor do lote é o que permite comparar fornecedores. O que conferir no documento está em ficha técnica e laudo.
  • Considere a origem com regra escrita. A semente com o selo da Indicação Geográfica Paranacity precisa ter bixina igual ou superior a 5%, segundo o caderno registrado no INPI.
  • Compre perto da safra quando puder. Lote recente perde menos pigmento até o uso, e contratos ao longo do ano reduzem o risco de faltar semente no fim do ciclo.

A Graneto envasa colorau em Paranacity, o município que lidera o ranking, com urucum do polo; o retrato do polo e os formatos de fornecimento estão no guia do colorau de Paranacity, e os demais textos sobre a cultura, no tema colorau e urucum.

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Perguntas frequentes

Qual é o maior produtor de urucum do Brasil?

Entre os estados, São Paulo, com 5.513 toneladas em 2025, ou 38,6% do total nacional. Entre os municípios, Paranacity, no Paraná, com 977 toneladas, seguido por Monte Castelo (SP) e Felício dos Santos (MG). Os dados são da Produção Agrícola Municipal do IBGE, tabela 1613.

Qual a posição do Paraná na produção de urucum?

O Paraná é o 4º estado em quantidade, com 1.707 toneladas em 2025, atrás de São Paulo, Minas Gerais e Bahia. Em valor da produção, é o 2º, com 15,9% do total nacional, porque o quilo paranaense teve valor médio acima de 16 reais, segundo os dados do IBGE.

Quanto urucum produz um hectare?

Na média brasileira de 2025, 1.095 kg de semente por hectare, segundo a Produção Agrícola Municipal do IBGE; entre os grandes estados, Minas Gerais chegou a 1.986 kg e São Paulo ficou em 955 kg. Para um urucual adulto bem conduzido, o manual da Embrapa estima cerca de 1.500 kg de sementes secas por hectare.

Quanto tempo o pé de urucum leva para produzir?

O urucueiro floresce de seis a dez meses depois do plantio no local definitivo, e as cápsulas ficam prontas para colher cerca de 90 dias após a floração, segundo a Embrapa. A produção cresce a cada ano e se estabiliza por volta do sexto ano, desde que a lavoura receba os tratos culturais recomendados.

Quantos municípios brasileiros produzem urucum?

Em 2025, o IBGE registrou produção de urucum em 305 municípios de 15 estados. A produção é concentrada: os dez maiores municípios colheram 45,6% do total, e a microrregião de Dracena, no oeste paulista, sozinha somou 26,6% do volume nacional.

Qual é o preço do urucum hoje?

O IBGE não publica preço de balcão, mas permite calcular o valor médio da safra: dividindo o valor da produção pela quantidade, chega-se a 12,72 reais por quilo em 2025 no Brasil, em valores correntes. É uma média anual, não o preço de um lote, que depende do teor de bixina, da origem, da época e do comprador.

Publicado em Colorau e urucum

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