Condimentos
Temperos industrializados: o que são, exemplos e se fazem mal
Pontos principais
- O Guia Alimentar põe especiarias e ervas secas entre os minimamente processados; o tempero pronto está entre os ultraprocessados.
- Pela IN 211/2023, especiaria pura só pode levar antiumectante; realçador, aromatizante e corante são de condimento preparado.
- O JECFA deu ao glutamato monossódico (INS 621) ingestão diária aceitável não especificada; a EFSA fixou 30 mg/kg por dia em 2017.
- O tempero à base de sal da Tabela TACO tem 32.560 mg de sódio em 100 g; a OMS recomenda menos de 2.000 mg por dia.
- Cinco ou mais ingredientes e nomes como realçador, aromatizante e corante indicam ultraprocessado, segundo o Guia Alimentar.
Temperos industrializados são os temperos feitos e embalados por uma fábrica, e o nome cobre produtos muito diferentes: do orégano seco, que o Guia Alimentar para a População Brasileira trata como alimento minimamente processado, ao "tempero pronto" com realçador de sabor, aromatizante e corante, que o mesmo guia põe entre os ultraprocessados. Quem diz em qual grupo cada pote cai é a lista de ingredientes.
Este texto é para quem quer saber se os temperos industrializados fazem mal e para quem compra condimento para revender ou cozinhar em escala. Ele aplica o Guia Alimentar aos temperos, mostra o que vai num tempero pronto, o que a ANVISA e o comitê de aditivos da FAO e da OMS dizem do glutamato, a conta do sódio e a leitura do rótulo. Por transparência: quem escreve é uma fábrica de condimentos, que produz especiarias puras e misturas.
O que são temperos industrializados?
Temperos industrializados são todos os temperos processados e embalados pela indústria, e "industrializado" não é categoria da ANVISA nem do Guia Alimentar. A RDC 716/2022 separa só dois tipos: a especiaria, "produto constituído de partes de uma ou mais espécies vegetais tradicionalmente utilizadas para agregar sabor ou aroma", e o tempero ou condimento preparado, "obtido da mistura de especiarias e de outros ingredientes". A diferença está detalhada em especiaria, condimento e tempero segundo a ANVISA. Os exemplos vão de um extremo a outro:
| Produto | O que costuma levar | Grupo no Guia Alimentar |
|---|---|---|
| Orégano, pimenta-do-reino, cominho moídos | Só a planta seca | In natura ou minimamente processado |
| Alho e cebola desidratados | Só o bulbo seco | Minimamente processado |
| Sal grosso, sal de parrilla | Cloreto de sódio, com iodo | Óleos, gorduras, sal e açúcar |
| Colorau | Urucum e fubá, muitas vezes com sal e óleo | Minimamente processado; com sal ou óleo, processado |
| Chimichurri seco | Ervas e especiarias; algumas versões com sal | Minimamente processado; com sal, processado |
| Tempero completo | Sal, alho, cebola, ervas; às vezes realçador | Processado; ultraprocessado com realçador, aromatizante ou corante |
| Caldo em tablete, tempero pronto em pó | Sal, gordura, realçador de sabor, aromatizante | Ultraprocessado |
O Guia Alimentar divide os alimentos em quatro grupos, e a especiaria seca fica no primeiro
O Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde (2ª edição, 2014), classifica os alimentos em quatro categorias "de acordo com o tipo de processamento empregado na sua produção". Aplicadas aos temperos:
- In natura ou minimamente processados: limpeza, moagem, secagem e "processos similares que não envolvam agregação de sal, açúcar, óleos, gorduras ou outras substâncias". Os exemplos do guia incluem "cravo, canela, especiarias em geral e ervas frescas ou secas".
- Óleos, gorduras, sal e açúcar: produtos usados para temperar e cozinhar, como o "sal de cozinha refinado ou grosso", a usar em pequenas quantidades.
- Processados: fabricados "essencialmente com a adição de sal ou açúcar (ou outra substância de uso culinário como óleo ou vinagre)" a um alimento in natura ou minimamente processado.
- Ultraprocessados: formulações com ingredientes de uso exclusivamente industrial. Entre os exemplos, o guia cita sopas em pó, macarrão instantâneo e "tempero" pronto.
Por essa régua, industrializado não é sinônimo de ultraprocessado. Secar e moer orégano ou pimenta é processo mínimo, e a especiaria em pó continua no mesmo grupo do arroz e do feijão. O que leva um tempero ao último grupo é a formulação, não a fábrica, cujas etapas estão em como funciona uma fábrica de temperos.
Temperos industrializados fazem mal?
Os temperos industrializados não fazem mal como categoria; o que as fontes oficiais apontam é o excesso de sódio e o consumo frequente de ultraprocessados. O Guia Alimentar recomenda basear a alimentação em alimentos in natura ou minimamente processados, usar sal com moderação e evitar ultraprocessados. Sobre estes, registra que cada aditivo passa por testes e aprovação, mas que "os efeitos de longo prazo sobre a saúde e o efeito cumulativo da exposição a vários aditivos nem sempre são bem conhecidos". Na prática:
- especiaria pura (orégano, pimenta, cominho, louro): sem restrição no guia; o cuidado é de qualidade e armazenamento;
- tempero com sal: o ponto é a dose de sódio;
- tempero pronto com realçador, aromatizante e corante: ultraprocessado, que o guia recomenda evitar.
A política pública segue a mesma linha. O art. 22 da Resolução CD/FNDE 4/2026 proíbe usar recurso federal do PNAE na compra de "temperos com glutamato monossódico ou sais sódicos", que lista entre os ultraprocessados; o efeito disso está em temperos na alimentação escolar. Quem tem hipertensão, doença renal ou dieta restrita deve levar o próprio caso ao médico ou ao nutricionista.
O que vai num tempero industrializado: sal, realçador, aromatizante e corante
Um tempero pronto costuma juntar às especiarias sal, realçador de sabor, aromatizante e corante. A IN 211/2023 da ANVISA, que lista os aditivos permitidos por categoria, mostra a fronteira: na categoria 13.1, "condimentos vegetais ou especiarias", só há antiumectantes, que evitam o empedramento; na 13.8, "condimentos preparados", entram acidulantes, conservantes, corantes, aromatizantes e realçadores de sabor.
| Componente | Para que serve | Como aparece no rótulo |
|---|---|---|
| Sal | Salga e dá volume | No começo da lista, quando é o ingrediente principal |
| Realçador de sabor | Reforça o gosto salgado e de carne | "Realçador de sabor glutamato monossódico" ou "INS 621"; também INS 627, 631 e 635 |
| Aromatizante | Dá ou reforça aroma e sabor | Só pela função, "aromatizante", com frase no painel principal |
| Corante | Dá cor ao arroz, ao frango, ao molho | Função mais nome ou INS; o artificial exige "Colorido artificialmente" |
| Antiumectante | Evita que o pó empedre | Função mais nome ou INS, como "antiumectante dióxido de silício" |
As perguntas e respostas da ANVISA sobre aditivos explicam que eles vão ao final da lista, pela função seguida do nome ou do número INS, e que o aromatizante, definido na RDC 725/2022, é declarado só pela função. O Decreto-Lei 986/1969 exige no painel principal "Colorido Artificialmente" quando há corante artificial e "Contém Aromatizante" ou "Aromatizado Artificialmente" quando há aroma (arts. 13, 14 e 17). Na IN 211, o condimento preparado aceita até 500 mg/kg de curcumina e até 100 mg/kg de extrato de urucum, expresso como bixina.
Glutamato monossódico (INS 621) faz mal?
O glutamato monossódico, o realçador de sabor INS 621, é considerado seguro nas quantidades usadas em alimentos pelo comitê de aditivos da FAO e da OMS e pela ANVISA; a autoridade europeia fixou um limite diário em 2017 e avisou que parte da população europeia passa dele. As avaliações de referência:
- JECFA (FAO/OMS): em 1987, na 31ª reunião, atribuiu ingestão diária aceitável "não especificada", em grupo com o ácido glutâmico e seus sais, segundo a ficha do glutamato no banco de dados do JECFA.
- ANVISA: a IN 211/2023 autoriza o INS 621 em condimentos preparados e no sal em quantum satis, regime que a agência reserva a substâncias de IDA não especificada e "baixa preocupação de segurança", na menor quantidade suficiente para o efeito.
- EFSA (União Europeia): o parecer de 2017 partiu de uma dose sem efeito adverso de 3.200 mg/kg por dia, aplicou fator de 100 e fixou IDA de grupo de 30 mg/kg por dia, como ácido glutâmico, notando que alguns grupos a superam. Para um adulto de 60 kg, a régua dá 1,8 g por dia.
- FDA (Estados Unidos): trata o glutamato como reconhecido como seguro e relata, nas perguntas e respostas sobre o glutamato, que estudos não conseguiram provocar reações de forma consistente em quem se diz sensível. Sintomas leves e passageiros foram descritos em parte dos sensíveis com 3 g ou mais sem comida; uma porção típica tem menos de 0,5 g.
Dois detalhes práticos. Glutamato não tem relação com glúten, segundo a mesma página da FDA. E o glutamato também carrega sódio, como lembra a Organização Mundial da Saúde: num tempero que já é quase todo sal, ele soma. Quem prefere evitar o aditivo lê a lista de ingredientes.
O sódio é o ponto fraco do tempero pronto: 5 g podem passar de 80% do limite diário
O sódio é o que mais pesa num tempero industrializado à base de sal. A Tabela TACO, da Unicamp, registra 32.560 mg de sódio em 100 g de "tempero a base de sal", contra 39.943 mg no sal grosso. A OMS recomenda a adultos menos de 2.000 mg de sódio por dia, menos de 5 g de sal, e estima a média mundial de 2021 em 4.278 mg. Num exemplo com o teor da TACO, 5 g de tempero levam cerca de 1.628 mg de sódio, 81% do limite da OMS.
A IN 75/2020 manda pôr a lupa "alto em sódio" no alimento sólido com 600 mg ou mais de sódio em 100 g, limite que esse tempero passa mais de 50 vezes. Mas a mesma norma veda a lupa no "sal destinado ao consumo humano": pacote de sal sem lupa não quer dizer pouco sódio. Os detalhes estão em tabela nutricional e lupa em temperos. A regra de cozinha: tempero com sal entra no lugar do sal da receita, não junto dele, como mostra a conta do tempero completo.
Como ler o rótulo de um tempero industrializado?
O rótulo de um tempero industrializado mostra em segundos se ele é especiaria pura, mistura simples ou ultraprocessado. Siga esta ordem:
- Nome: o de uma planta só ("Orégano") indica especiaria; "Tempero" seguido de um ingrediente indica mistura.
- Primeiro ingrediente: a RDC 727/2022 manda listar em ordem decrescente de proporção (art. 11). Se o sal vem primeiro, o pote é mais sal do que tempero.
- Fim da lista: os aditivos, com função e nome ou INS (art. 12).
- Painel principal: "Colorido artificialmente", "Contém aromatizante" e a lupa de sódio.
- Glúten e alergênicos: a Lei 10.674/2003 obriga a declarar "contém glúten" ou "não contém glúten"; misturas podem levar trigo, soja ou leite, como explicam os textos sobre temperos e glúten e alergênicos em temperos.
O Guia Alimentar dá o atalho para o último grupo: muitos ingredientes, "frequentemente cinco ou mais", e nomes "pouco familiares e não usados em preparações culinárias", como corantes, aromatizantes e realçadores de sabor, indicam ultraprocessado. As regras completas estão em rotulagem de temperos e condimentos.
Colorau, chimichurri e sal de parrilla industrializados fazem mal?
Colorau, chimichurri e sal de parrilla industrializados não são ultraprocessados quando a lista de ingredientes é curta e sem aditivos; o rótulo define cada caso.
Colorau. É a mistura do pigmento ou da semente triturada de urucum com farinha de milho, óleo vegetal e sal, segundo a revisão de Demczuk e Ribani; há versões com farinha de mandioca. O comitê da FAO e da OMS fixou para a bixina, o pigmento do urucum, ingestão diária aceitável de 0 a 12 mg por quilo de peso, conforme a ficha do urucum no JECFA, muito acima do uso culinário. Pelos critérios do Guia, um colorau só de urucum e fubá é mistura de minimamente processados; com sal ou óleo, vira processado. A conta está em colorau faz mal?, e o nome técnico, em colorau e colorífico.
Chimichurri. O chimichurri seco feito só de ervas e especiarias é especiaria para a ANVISA, categoria em que a IN 211/2023 só admite antiumectante: não pode levar glutamato. Se o rótulo traz realçador de sabor, o produto é condimento preparado. Para achar chimichurri sem glutamato, procure uma lista só com plantas.
Sal de parrilla. O sal de parrilla puro é sal grosso moído em grão médio, sem glutamato. A IN 211/2023 permite realçador na categoria 13.9, que a ANVISA diz abranger o sal e o sal hipossódico; se uma versão levar glutamato, ele aparece na lista de ingredientes.
Temperos naturais e especiarias puras dão controle; a mistura dá padronização
Temperos naturais, para o Guia Alimentar, são ingredientes como "cebola, alho, louro, salsinha, cebolinha, pimenta, coentro", que "pertencem ao saudável grupo dos legumes e verduras" e ajudam a reduzir sal e óleo no feijão e no arroz. "Natural" não é categoria da RDC 716/2022, mas a régua do guia vale para a versão seca: especiarias e ervas desidratadas, sem sal, açúcar, óleo ou aditivo, continuam minimamente processadas.
Na cozinha de volume, a escolha é de controle contra tempo. Com orégano, pimenta-do-reino e alho desidratado separados, quem cozinha decide o sal de cada preparo; com a mistura pronta, ganha tempo e sabor igual de lote em lote, mas o sal vem na fórmula. O guia de para que serve cada tempero ajuda a montar o mix.
A Graneto, fábrica de condimentos em Paranacity (PR), faz os dois tipos: especiarias e desidratados, como orégano, pimenta-do-reino, alho e cebola desidratados, e misturas, como tempero completo, chimichurri e lemon pepper, com envase automatizado em embalagem transparente. De qualquer fornecedor, peça a ficha técnica com a composição e o sódio por 100 g; o que conferir está em ficha técnica e laudo de ingrediente, e a linha completa, em condimentos e especiarias.
Temperos e condimentos com envase automatizado. Orégano, chimichurri, lemon pepper, alho frito, pimenta-do-reino e sais especiais, envasados na fábrica da Graneto em Paranacity.
Ver a linha de condimentosPerguntas frequentes
Quais são exemplos de temperos industrializados?
Orégano, pimenta-do-reino e cominho moídos, alho e cebola desidratados, sal grosso, colorau, chimichurri seco, tempero completo e caldo em tablete são temperos industrializados. Os primeiros são especiarias minimamente processadas; os últimos são misturas com sal e, às vezes, realçador de sabor, aromatizante e corante, o que muda o grupo no Guia Alimentar.
Sal de parrilla tem glutamato monossódico?
O sal de parrilla puro não tem: é sal grosso moído em grão médio. A IN 211/2023 da ANVISA permite realçador de sabor na categoria do sal, então uma versão pode levar. Se levar, o glutamato aparece no fim da lista de ingredientes como realçador de sabor, com o nome ou o número INS 621.
Como saber se o tempero tem glutamato?
Leia o fim da lista de ingredientes. Pela RDC 727/2022, os aditivos vêm depois dos demais ingredientes, com a função e o nome ou o número INS: procure realçador de sabor glutamato monossódico ou realçador de sabor INS 621. Especiaria pura, como orégano ou pimenta-do-reino, não pode receber realçador de sabor.
Glutamato monossódico tem glúten?
Não. A FDA, agência americana de alimentos, esclarece que glutamato e ácido glutâmico não têm relação com o glúten, apesar do nome parecido. O que diz se um tempero tem glúten é a declaração obrigatória contém glúten ou não contém glúten, que a Lei 10.674/2003 exige em todo alimento embalado.
Tempero industrializado pode ir na merenda escolar?
Depende do tipo. Especiarias secas sem aditivo, como orégano e louro, entram como alimentos minimamente processados. A Resolução CD/FNDE 4/2026 proíbe comprar com recurso federal do PNAE temperos com glutamato monossódico ou sais sódicos, o que tira da lista o tempero pronto com realçador e, na leitura literal, o tempero à base de sal.
Quais são os temperos naturais?
O Guia Alimentar chama de temperos naturais cebola, alho, louro, salsinha, cebolinha, pimenta e coentro, entre outros, e os coloca no grupo dos legumes e verduras. Ervas e especiarias secas, como orégano, cominho e pimenta-do-reino moídos, continuam minimamente processadas, desde que não tenham sal, açúcar, óleo ou aditivo.
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