Fécula de mandioca: o que é e para que serve

Raízes de mandioca, uma cortada mostrando a polpa branca, ao lado de uma tigela de fécula de mandioca
Imagem ilustrativa.

Pontos principais

  • Fécula, amido de mandioca e polvilho doce são o mesmo produto: o amido da raiz, extraído com água e seco, sem fermentação.
  • A IN MAPA 23/2005 classifica a fécula em três tipos; o tipo 1 exige mais de 84% de amido e menos de 14% de umidade.
  • Em 100 g, a fécula tem 331 kcal e 81,1 g de carboidratos pela Tabela TACO, e não tem glúten.
  • Massas, biscoitos e panificação compraram 26,7% da fécula vendida no Brasil em 2025, segundo o Cepea e a Abam.
  • O Paraná respondeu por 67,6% da produção nacional de fécula em 2025.

Fécula de mandioca é o amido extraído da raiz da mandioca, sem fermentação: um pó branco, fino, sem cheiro e sem sabor, o mesmo produto que se vende como polvilho doce. Ela serve para fazer tapioca, pão de queijo, biscoitos e bolos sem glúten, para engrossar molhos e, na indústria, como ligante em embutidos, em massas e biscoitos e na fabricação de papel.

Este guia é para quem compra fécula para cozinhar em escala, para revender ou para usar como ingrediente industrial, e para quem só quer saber se fécula, amido, polvilho e goma são a mesma coisa. Ele traz a definição oficial, como a fécula é feita, os usos na cozinha e na indústria, a composição pela Tabela TACO e o que conferir na compra.

O que é fécula de mandioca segundo o MAPA e a ANVISA?

Fécula de mandioca é, pela definição do Ministério da Agricultura, "o produto amiláceo extraído das raízes de mandioca, não fermentada, obtida por decantação, centrifugação ou outros processos tecnológicos adequados". O texto é o item 2.24 da Instrução Normativa MAPA 23/2005, o padrão oficial de identidade e qualidade dos produtos amiláceos da mandioca, que classifica a fécula em três tipos.

A ANVISA chega ao mesmo produto por outro caminho. A RDC 711/2022 define amido como o produto amiláceo extraído de partes comestíveis de cereais, tubérculos, raízes ou rizomas, e permite que o amido de raiz seja vendido com o nome "fécula", seguido do nome da planta. A distinção vem de longe: a Resolução CNNPA 12/1978 já chamava de amido o que sai das partes aéreas da planta, como as sementes, e de fécula o que sai das partes subterrâneas, como raízes e tubérculos.

As duas normas convivem e têm papéis diferentes: a do MAPA classifica a qualidade (tipo 1, 2 ou 3), e a da ANVISA trata dos requisitos sanitários. Até a umidade máxima é diferente nas duas, como mostra a seção sobre compra.

Fécula, amido e polvilho doce são a mesma coisa?

Sim: fécula de mandioca, amido de mandioca e polvilho doce são o mesmo produto com nomes diferentes, e em várias regiões ele também é chamado de goma. O Guia Alimentar para a População Brasileira resume: "a fécula extraída da mandioca, também conhecida como polvilho ou goma, é usada para o preparo de tapioca e em receitas de pão de queijo".

O que muda de nome para nome é o processo depois da extração. O polvilho azedo é a fécula fermentada e seca ao sol, o que muda o comportamento no forno; a diferença está em polvilho doce ou azedo. A goma pronta para tapioca é a fécula hidratada e peneirada, explicada em o que é goma de tapioca. E a tapioca granulada do padrão do MAPA é outra coisa: grânulos secos, usados em sagu e cuscuz.

Os produtos de amido de mandioca e o que os diferencia
ProdutoO que éFermenta?Uso típico
Fécula ou amido de mandiocaAmido extraído da raiz e secoNãoIndústria, espessante, panificação
Polvilho doceA própria fécula, com o nome consagrado pelo usoNãoPão de queijo macio, sequilhos, tapioca
Polvilho azedoFécula fermentada e seca ao solSimBiscoito de polvilho, pão de queijo aerado
Goma hidratada (tapioca pronta)Fécula umedecida e peneiradaNãoTapioca na frigideira
Tapioca granulada ou saguGrânulos secos de fécula (IN MAPA 23/2005)NãoSagu, cuscuz de tapioca

Fécula de mandioca e amido de milho também não são iguais, apesar de serem os dois amidos. Eles têm origem e comportamento diferentes na panela e na massa, e por isso nem sempre um substitui o outro; os casos em que a troca funciona estão em como substituir polvilho doce na receita.

Fécula também não é farinha de mandioca. A farinha é a raiz inteira ralada, prensada e seca ou torrada, com a fibra junto; a fécula é só o amido, separado da fibra com água. A diferença aparece na composição: a Tabela TACO registra 6,4 g de fibra alimentar em 100 g de farinha de mandioca crua, contra 0,6 g na fécula. Por isso a farinha vai para farofa e pirão, e a fécula, para tapioca, biscoito e molho.

A fécula sai da raiz por ralação, lavagem e secagem

A fécula é feita ralando a raiz descascada, lavando a massa com água para separar o amido da fibra, deixando o amido decantar ou separando-o em centrífuga, e secando o resultado. O processo artesanal, descrito no manual de fabricação de polvilho da EMATER-MG, segue a mesma lógica da fecularia: o "leite" de amido que sai da massa ralada é decantado, e o amido depositado vai para a secagem. Para o polvilho azedo, há uma etapa a mais, a fermentação; para a fécula e o polvilho doce, não.

  1. Lavagem e descascamento das raízes.
  2. Ralação, que rompe as células e libera os grânulos de amido.
  3. Extração com água em peneiras, que separa a fibra (a massa) do leite de amido.
  4. Decantação ou centrifugação, que concentra o amido e retira a água de lavagem.
  5. Secagem, peneiramento e embalagem.

O rendimento depende da raiz e da tecnologia da fábrica. No estudo A Indústria do Amido de Mandioca, da Embrapa, o rendimento médio das fecularias do Paraná e de Mato Grosso do Sul foi de 25%, o que equivale a 250 kg de fécula por tonelada de raiz. Quem são as fecularias e para onde vai a produção está em indústria de fécula de mandioca no Brasil.

Para que serve a fécula de mandioca na cozinha?

Na cozinha, a fécula de mandioca serve para tapioca, pão de queijo, biscoitos e bolos sem glúten, e para engrossar molhos, cremes e caldos. Ela engrossa com brilho e transparência, sem o gosto de farinha crua, e dá elasticidade às massas de pão de queijo. Os principais usos:

  • espessante de molhos, sopas, cremes e recheios;
  • base de pão de queijo, chipa e biscoitos de polvilho, sozinha ou com polvilho azedo;
  • tapioca, depois de hidratada e peneirada;
  • bolos, pães e massas sem glúten, misturada a outras farinhas;
  • empanados mais crocantes, em mistura com farinha de rosca ou de milho.

Cada um desses usos, com o ponto certo e os erros comuns, está em fécula de mandioca na cozinha profissional.

Onde a indústria usa a fécula de mandioca

A indústria usa a fécula principalmente em massas, biscoitos e panificação, que compraram 26,7% da fécula vendida no Brasil em 2025, segundo o levantamento do Cepea com a Abam. Os dados foram divulgados pelo Portal do Agronegócio: as fecularias processaram 3,13 milhões de toneladas de raiz em 2025 e produziram 686,03 mil toneladas de fécula, 67,6% delas no Paraná.

Destino das vendas de fécula de mandioca no Brasil em 2025 (Cepea/Abam)
Segmento compradorParticipação
Massas, biscoitos e panificação26,7%
Atacadistas e redistribuidores10,8%
Outras fecularias10,2%
Papel e papelão6,4%
Varejo5,3%
Frigoríficos5,1%
Tapioca semipronta3,6%
Indústria química2,1%

A preferência tem razão técnica. Segundo a Embrapa, a baixa temperatura de gomificação faz da fécula um bom ligante em embutidos de carne, e ela é indicada para recheios de tortas, alimentos infantis, congelados, wafers e casquinhas de sorvete. Na indústria têxtil, é preferida ao amido de milho por ser mais transparente, ter alta viscosidade e aderir bem aos fios. Os usos fora da cozinha, do papel ao frigorífico, estão em amido de mandioca na indústria.

Composição da fécula de mandioca pela Tabela TACO

A fécula de mandioca é quase só carboidrato: em 100 g, a Tabela TACO registra 331 kcal, 81,1 g de carboidratos, 0,5 g de proteína, 0,3 g de lipídios e 0,6 g de fibra. Os dados são da 4ª edição da Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TACO), do NEPA/Unicamp, para a amostra de fécula, que tinha 17,8% de umidade. O polvilho doce analisado na mesma tabela, mais seco (12,6% de umidade), tem 351 kcal e 86,8 g de carboidratos por 100 g.

A mandioca não tem glúten, e a fécula, que é só o amido dela, também não. Mesmo assim, a Lei 10.674/2003 obriga todo alimento industrializado a declarar no rótulo "contém glúten" ou "não contém glúten", e quem atende celíacos deve conferir a declaração de cada lote, por causa do risco de contaminação cruzada na fábrica. Se fécula engorda e como ela se compara a outras farinhas está em fécula de mandioca engorda?.

Como comprar fécula de mandioca: tipo, umidade e embalagem

Na compra, peça o tipo da classificação do MAPA, confira a umidade e escolha a embalagem pelo consumo mensal. A IN MAPA 23/2005 divide a fécula em três tipos pela qualidade, e o rótulo do produto embalado deve trazer grupo e tipo.

Limites da fécula de mandioca por tipo (IN MAPA 23/2005, Tabela 1)
ParâmetroTipo 1Tipo 2Tipo 3
Amido (mínimo)Acima de 84%Acima de 82%Acima de 80%
Umidade (máximo)Abaixo de 14%Abaixo de 14%Abaixo de 14%
Cinzas (máximo)Abaixo de 0,20%Abaixo de 0,25%Abaixo de 0,75%
pH4,50 a 6,504,50 a 6,504,00 a 7,00
Polpa (máximo)0,50 mL1,00 mL1,50 mL
Umidade máxima pela ANVISA (RDC 711/2022)18%18%18%

A umidade merece atenção dupla, porque o limite da classificação do MAPA é mais rígido que o limite sanitário da ANVISA, como mostra a última linha da tabela. Fécula mais úmida rende menos por quilo e conserva pior. Para guardar, vale a orientação do Guia Alimentar para farinhas em geral: local seco e arejado, em temperatura ambiente e longe do sol, sem necessidade de geladeira. Para a indústria, vale ainda pedir ficha técnica e laudo com pH, acidez e padrões microbiológicos; o roteiro está em ficha técnica e laudo, e a escolha entre saco e granel, em big bag ou saco de 25 kg.

O Paraná é o centro da fécula no país, e o Noroeste do estado concentra a mandioca paranaense, como mostra produção de mandioca no Paraná. A Graneto, em Paranacity, fornece fécula de mandioca para indústria, food service, atacado e varejo, ao lado de polvilho doce, polvilho azedo e tapioca pronta, na linha de derivados de mandioca. Para consumo de poucos quilos por mês, o distribuidor da sua cidade costuma ser mais prático que a compra direta da fábrica. O que forma o preço está em preço do polvilho e da fécula, o código fiscal em NCM da fécula de mandioca, e a cotação por volume e embalagem pode ser pedida no formulário de contato. Outros textos sobre derivados da raiz estão no tema mandioca.

Polvilho, fécula e tapioca direto do polo da mandioca do Paraná. Derivados de mandioca empacotados em Paranacity para panificação industrial, food service e redes de supermercado.

Ver os derivados de mandioca

Perguntas frequentes

Fécula de mandioca é a mesma coisa que tapioca?

Não exatamente. A tapioca da frigideira é feita com a goma, que é a fécula hidratada e peneirada. Já a tapioca do padrão do Ministério da Agricultura é outro produto: grânulos secos de fécula, usados em sagu e cuscuz. A fécula é a matéria-prima das duas, vendida seca, em pó fino.

Qual a diferença entre fécula de mandioca e amido de milho?

Os dois são amido, mas de plantas diferentes: a fécula sai da raiz da mandioca, e o amido de milho, do grão. Na panela, a fécula engrossa em temperatura mais baixa e dá pasta mais clara e elástica. Em molhos e caldos, a troca costuma funcionar; em cremes, recheios assados e bolos, a textura muda, então teste antes.

Qual a diferença entre fécula e farinha de mandioca?

A farinha de mandioca é a raiz inteira ralada, prensada e seca ou torrada, com a fibra junto, e serve para farofa e pirão. A fécula é só o amido, separado da fibra com água e depois seco. Por isso a fécula é branca, fina e neutra, e a farinha tem grão e bem mais fibra: 6,4 g contra 0,6 g em 100 g.

Tapioca granulada e sagu são a mesma coisa?

São parentes, mas não iguais. Pelo padrão do Ministério da Agricultura, a IN 23/2005, os dois são tapioca: grânulos secos de fécula, com umidade abaixo de 15%. A granulada tem grânulos irregulares, em flocos; a tapioca pérola, também chamada de sagu artificial, tem grânulos esféricos e é a usada no doce de sagu.

Quem fabrica fécula de mandioca e como comprar a granel?

A fécula é feita por fecularias, concentradas no Paraná, que respondeu por 67,6% da produção nacional em 2025, segundo o levantamento do Cepea com a Abam. Para volume, compre em saco de 25 kg ou big bag, pedindo o tipo, a ficha técnica e o laudo do lote; para poucos quilos por mês, o distribuidor da região costuma ser mais prático.

Fécula de mandioca pode ser guardada na geladeira?

Não precisa. O Guia Alimentar do Ministério da Saúde orienta guardar farinhas em local seco e arejado, em temperatura ambiente e longe do sol. Mantenha a fécula na embalagem fechada ou em pote com tampa, longe de produtos de cheiro forte e do chão do estoque, e use primeiro os lotes que vencem antes.

Publicado em Mandioca

Compartilhar no WhatsApp

Fale com a Graneto

Peça uma cotação direto da fábrica

Conte o produto, o volume e a cidade de entrega. O comercial da Graneto responde com preço, prazo e frete para a sua empresa, em qualquer estado do Brasil.

Solicite uma cotação

Para indústria, atacado, food service e varejo de todo o Brasil. Retornamos em horário comercial. Campos com * são obrigatórios.

Seus dados são usados só para o contato comercial. Veja a política de privacidade.

Fale com o comercial