Indústria de fécula de mandioca no Brasil: quem produz e para onde vai

Monte de raízes de mandioca recém-colhidas num pátio de processamento, com esteira ao fundo
Imagem ilustrativa.

Pontos principais

  • As fecularias moeram 3,13 milhões de toneladas de raiz em 2025, recorde, e produziram 686 mil toneladas de fécula (Cepea/Abam).
  • O Paraná fez 67,6% da fécula do Brasil em 2025; Mato Grosso do Sul, 22,8%; São Paulo, 5,8%.
  • Massas, biscoitos e panificação compraram 26,7% da fécula em 2025; papel e papelão, 6,4%; frigoríficos, 5,1%.
  • Os amidos modificados cresceram 31,2% em 2025, para 155,6 mil toneladas, e 45,1% das fecularias já fazem derivados.

A indústria de fécula de mandioca no Brasil reúne 88 unidades em sete estados, moeu um recorde de 3,13 milhões de toneladas de raiz em 2025 e produziu 686 mil toneladas de fécula, segundo o levantamento anual do Cepea com a Abam, reproduzido pelo Portal do Agronegócio. O Paraná fez 67,6% desse total, e massas, biscoitos e panificação são os maiores compradores.

Os números vêm da pesquisa que o Cepea, da Esalq/USP, faz há mais de duas décadas com a Abam (Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca). O texto serve a quem compra fécula em volume, a quem estuda o setor e a quem quer entender de onde vem o amido do pão de queijo, do papelão e da salsicha. Ele mostra o tamanho da indústria, onde ela está, para quem vende, o avanço dos derivados e o que explica os números de 2025.

Quanto a indústria de fécula de mandioca produz?

A indústria de fécula produziu 686,03 mil toneladas em 2025, praticamente o mesmo volume de 2024, com moagem recorde de raiz e faturamento de R$ 2,14 bilhões. A tabela compara os dois últimos levantamentos: o de 2024, publicado pelo Cepea em junho de 2025, e o de 2025, divulgado em junho de 2026.

Indústria de fécula de mandioca no Brasil. Fonte: Cepea/Esalq-USP e Abam.
Indicador20242025
Raiz moída2,97 milhões de t (+11,5%)3,13 milhões de t (+5,5%), recorde
Fécula produzida689,3 mil t (+10,4%)686,03 mil t (-0,5%)
Preço médio da féculaQueda nominal de 27,7%R$ 3.122,47 por t (+3,1%)
Valor bruto da produçãoR$ 2,08 bilhões (-21,6%)R$ 2,14 bilhões (+2,6%)
Capacidade instalada24,9 mil t de raiz por dia25,6 mil t de raiz por dia
Unidades mapeadas88, em 64 municípios88, ativas e inativas, em 65 municípios
Empresas com outro derivado além da fécula38%45,1%

O emprego direto nas fecularias chegou a 3.721 trabalhadores em 2025, alta de 7% sobre 2024, e a capacidade instalada cresceu pelo quinto ano seguido, segundo o mesmo levantamento. Dividindo a moagem do ano pela capacidade diária, o setor moeu em 2025 o equivalente a cerca de 122 dias de operação a plena carga. A conta é aproximada, mas mostra que há fôlego para crescer quando a raiz sobra.

O Paraná faz dois terços da fécula do Brasil

O Paraná é o centro da indústria de fécula de mandioca: produziu 67,6% da fécula brasileira em 2025, contra 65,6% em 2024. Mato Grosso do Sul é o segundo polo, e São Paulo, o terceiro, segundo os levantamentos do Cepea com a Abam.

Participação dos estados na produção de fécula de mandioca. Fonte: Cepea/Abam.
Estado ou região20242025
Paraná65,6%67,6%
Mato Grosso do Sul21,3%22,8%
São Paulo9,7%5,8%
Nordeste3,4% (Santa Catarina, Bahia, Alagoas e Pernambuco)3,1%
Santa Catarina0,7%

A concentração acompanha a lavoura. O Noroeste paranaense colheu 2,97 milhões de toneladas de mandioca em 2025, três quartos da produção do estado, segundo o IBGE, e é ali que está o Arranjo Produtivo Local da Mandioca da Região de Paranavaí-Loanda, descrito pelo Ipardes como a região de maior concentração de indústrias processadoras de raiz do país. Os números por microrregião e município estão em produção de mandioca no Paraná.

Para onde vai a fécula de mandioca?

A fécula de mandioca vai principalmente para a indústria de alimentos, e o maior comprador é o segmento de massas, biscoitos e panificação. A pesquisa do Cepea com a Abam identifica o destino das vendas das fecularias; a parte não identificada pelo levantamento ficou de fora da tabela.

Destino da fécula vendida pelas fecularias, em % do volume. Fonte: Cepea/Abam.
Segmento comprador20242025
Massas, biscoitos e panificação26,9%26,7%
Atacadistas e redistribuidores13,1%10,8%
Outras fecularias8,6%10,2%
Papel e papelão5,0%6,4%
Varejo6,6%5,3%
Frigoríficos6,5%5,1%
Tapioca semipronta6,5%3,6%
Indústria química1,3%2,1%

Cada destino usa uma propriedade diferente do amido. Na padaria e na indústria de biscoito, a fécula entra na massa e no pão de queijo; no frigorífico, a baixa temperatura de gomificação a torna ligante de embutidos; no papel, no papelão e nas colas, conta a viscosidade, e nos adesivos ela é preferida por gerar produtos viscosos, estáveis e de pH neutro; na indústria têxtil, a transparência e a adesão aos fios fazem a diferença, segundo o estudo da Embrapa sobre a indústria do amido de mandioca. Os detalhes de cada aplicação estão em amido de mandioca na indústria, e os usos na cozinha, em fécula de mandioca na cozinha profissional.

A fatia da tapioca semipronta, a goma hidratada vendida para a frigideira, mostra como a demanda oscila: caiu de 6,5% para 3,6% entre 2024 e 2025, pelos dados do Cepea com a Abam. O que é essa goma e como ela é regularizada estão em o que é goma de tapioca e em registro da goma de tapioca no MAPA e na ANVISA.

As fecularias vendem cada vez mais derivados, não só fécula

As fecularias brasileiras estão diversificando: 45,1% das empresas produziram pelo menos um derivado além da fécula em 2025, contra 38% em 2024, segundo o levantamento Cepea/Abam. Entram nessa conta os polvilhos doce e azedo, a tapioca, as misturas para pão de queijo e os amidos modificados, que somaram 355,8 mil toneladas em 2025.

O destaque são os amidos modificados, que cresceram 31,2% em 2025 e chegaram a 155,6 mil toneladas, segundo o mesmo levantamento. São féculas tratadas para funções específicas da indústria, um mercado que a Embrapa já descrevia, em 2003, como de alta especificidade e venda técnica: muitos amidos modificados são feitos sob medida para um uso ou um cliente. Na prática, é a fécula disputando com o amido de milho espaços que antes eram cativos dele.

Os polvilhos seguem como derivado tradicional da região. A diferença entre o doce e o azedo, que fermenta e seca ao sol, está em polvilho doce ou azedo, e a definição oficial de fécula, pela IN MAPA 23/2005, está em fécula de mandioca: o que é.

Por que a moagem bateu recorde e a produção de fécula caiu em 2025?

Em 2025, as fecularias moeram mais raiz e tiraram menos fécula dela. Os pesquisadores atribuíram a diferença à redução da taxa média de extração de amido nas indústrias ao longo do ano, segundo o relato do levantamento. Em números redondos, foram precisas cerca de 4,6 toneladas de raiz para cada tonelada de fécula em 2025, contra 4,3 em 2024. Parte da raiz também foi desviada para os derivados, que cresceram.

O episódio ensina a ler projeção com cautela. Em junho de 2025, o setor estimava crescer 20,9% e chegar a 834 mil toneladas de fécula, segundo o Cepea; fechou o ano em 686 mil. Para 2026, a projeção é de alta de 15,5%, mas os dados preliminares de maio mostravam só 4,1%, ainda abaixo do esperado. A relação entre raiz, extração e preço está detalhada em preço do polvilho e da fécula.

O que muda para quem compra fécula da indústria?

Para o comprador, a estrutura da indústria de fécula traz três consequências práticas. A primeira é a origem: com dois terços da produção no Paraná, o frete a partir do Noroeste paranaense pesa no preço de quem está longe, e carga consolidada faz diferença. A segunda é a especificação: a fécula é classificada em tipos 1, 2 e 3 pela IN MAPA 23/2005, e a ficha técnica do lote, com umidade, acidez e microbiologia, deve acompanhar a compra, como orienta o texto sobre ficha técnica e laudo de ingrediente.

A terceira é o canal. Fecularia vende sobretudo em grandes volumes, e cerca de um décimo da fécula passa por atacadistas e redistribuidores, que atendem quem compra menos. Quem consome poucos sacos por mês ganha com o distribuidor; quem consome carretas, com a compra direta, como mostra comprar direto da fábrica ou do distribuidor. Para a classificação fiscal na venda e na exportação, veja o NCM da fécula de mandioca; 20,7% das empresas do levantamento Cepea/Abam exportaram fécula diretamente em 2025.

No estoque, a fécula se guarda como as farinhas, que o Guia Alimentar para a População Brasileira trata como alimentos não perecíveis: local seco e arejado, temperatura ambiente e longe do sol. É um pó seco, com umidade abaixo de 14% no padrão do MAPA, mas tem validade no rótulo, e o pacote aberto precisa ser fechado de novo para não pegar umidade.

A Graneto atua a partir de Paranacity, dentro do polo do Noroeste do Paraná, e fornece fécula, polvilho doce, polvilho azedo e tapioca pronta para empresas de todo o país. Os itens estão na linha de derivados de mandioca, a cotação sai pelo formulário de contato e outros textos sobre o setor estão em mandioca no blog.

Polvilho, fécula e tapioca direto do polo da mandioca do Paraná. Derivados de mandioca empacotados em Paranacity para panificação industrial, food service e redes de supermercado.

Ver os derivados de mandioca

Perguntas frequentes

Quantas fecularias de mandioca existem no Brasil?

O levantamento do Cepea com a Abam mapeou 88 unidades industriais, entre ativas e inativas, em 65 municípios de sete estados, em 2025. Juntas, elas têm capacidade para processar 25,6 mil toneladas de raiz por dia e empregavam diretamente 3.721 pessoas naquele ano.

Qual estado mais produz fécula de mandioca?

O Paraná, com 67,6% da fécula brasileira em 2025, segundo o Cepea e a Abam. Mato Grosso do Sul vem em segundo, com 22,8%, e São Paulo em terceiro, com 5,8%. A produção paranaense se concentra no Noroeste do estado, onde também está a maior parte da lavoura de mandioca.

Qual a diferença entre fecularia e farinheira?

A fecularia extrai o amido da raiz: rala a mandioca, lava a massa e separa a fécula por decantação ou centrifugação, depois seca. A farinheira faz farinha com a raiz inteira descascada, que é ralada, prensada, peneirada e seca ou torrada. São indústrias diferentes, que muitas vezes convivem na mesma região produtora.

Quem compra a fécula de mandioca produzida no Brasil?

Principalmente a indústria de massas, biscoitos e panificação, com 26,7% do volume em 2025. Depois vêm atacadistas e redistribuidores, outras fecularias, papel e papelão, varejo, frigoríficos, fabricantes de tapioca semipronta e a indústria química, segundo o levantamento do Cepea com a Abam.

O que é amido modificado de mandioca?

É a fécula de mandioca tratada na indústria para ganhar uma função específica que o amido nativo não tem, conforme o uso do cliente. Muitos são feitos sob medida, com venda técnica. Em 2025, as fecularias brasileiras produziram 155,6 mil toneladas de amidos modificados, alta de 31,2% sobre o ano anterior.

Fécula de mandioca é alimento não perecível?

É um produto seco, guardado como as farinhas, que o Guia Alimentar do Ministério da Saúde trata como alimentos não perecíveis: local seco e arejado, temperatura ambiente e longe do sol. O padrão do MAPA exige umidade abaixo de 14% na fécula. Mesmo assim ela tem validade no rótulo, e o pacote aberto vai para pote fechado, longe da umidade.

Publicado em Mandioca

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