Mandioca
Amido de mandioca na indústria: alimentos, papel e frigoríficos
Pontos principais
- Massas, biscoitos e panificação compraram 26,7% da fécula em 2025; papel e papelão, 6,4%; frigoríficos, 5,1% (Cepea/Abam).
- A fécula começa a gomificar entre 58 °C e 66 °C, faixa do padrão do MAPA, e forma pasta clara e de sabor suave.
- O padrão do MAPA tem três tipos de fécula: amido acima de 84%, 82% ou 80%, todos com umidade abaixo de 14%.
- Os amidos modificados de mandioca cresceram 31,2% em 2025 e chegaram a 155,6 mil toneladas.
O amido de mandioca na indústria vai sobretudo para alimentos (massas, biscoitos, panificação e frigoríficos), para o papel e o papelão e para a química, os maiores compradores da fécula segundo o Cepea e a Abam. A indústria escolhe esse amido pela pasta clara e viscosa, pelo sabor neutro e pela gomificação em temperatura baixa, e compra pela especificação do padrão do MAPA.
Este texto é para compradores e responsáveis técnicos de indústria de alimentos, frigorífico, papel, têxtil e química que avaliam fécula de mandioca como insumo. Ele explica as propriedades que justificam o uso, os destinos com números, a diferença entre amido nativo e modificado, os parâmetros de especificação e o que a regra sanitária exige de um ingrediente industrial. Para o uso em cozinha, o guia é outro: fécula de mandioca na cozinha profissional.
Quais propriedades fazem a indústria escolher o amido de mandioca?
O amido de mandioca reúne quatro propriedades que a indústria valoriza: gomifica em temperatura baixa, forma pasta clara, tem sabor e aroma suaves e quase não carrega proteína nem gordura. O estudo da Embrapa sobre a indústria do amido de mandioca descreve cada uma e a aplicação que ela abre.
| Propriedade | O que significa | Onde é útil |
|---|---|---|
| Gomificação em temperatura baixa | Os grânulos começam a romper entre 58 °C e 66 °C, pelo padrão do MAPA | Ligante em embutidos, recheios, molhos |
| Pasta clara e de sabor suave | Não turva nem dá gosto ao produto | Alimentos, cosméticos e fármacos (agente de corpo) |
| Alto pico de viscosidade e adesão | Engrossa e cola com pouco produto | Têxtil, colas, papel |
| Resistência à retrogradação | Segura melhor congelamento e descongelamento | Congelados, recheios, sorvetes |
| Pouca proteína e gordura | Amido mais puro para hidrolisar | Xarope de glicose |
A pureza aparece na composição: a Tabela TACO registra 0,5 g de proteína e 0,3 g de lipídeos em 100 g de fécula de mandioca. Para a Embrapa, esse menor teor de "substâncias acompanhantes" é o que torna a fécula tecnicamente mais adequada para a fabricação de glicose. A definição legal do produto, pela IN MAPA 23/2005, é a do amido extraído das raízes de mandioca, não fermentado; amido de mandioca e fécula são o mesmo produto, como explica fécula de mandioca: o que é.
Massas, biscoitos e frigoríficos lideram o uso em alimentos
A indústria de alimentos é o maior destino do amido de mandioca. Em 2025, massas, biscoitos e panificação compraram 26,7% da fécula vendida pelas fecularias, frigoríficos ficaram com 5,1% e fabricantes de tapioca semipronta, com 3,6%, segundo o levantamento do Cepea com a Abam reproduzido pelo Portal do Agronegócio. Boa parte dos 10,8% vendidos a atacadistas também acaba em alimento.
| Segmento | Participação | Por que usa fécula |
|---|---|---|
| Massas, biscoitos e panificação | 26,7% | Textura, pão de queijo, biscoitos e massas sem glúten |
| Atacadistas e redistribuidores | 10,8% | Revenda para indústrias menores e varejo |
| Outras fecularias | 10,2% | Matéria-prima para derivados e modificados |
| Papel e papelão | 6,4% | Viscosidade e adesão |
| Varejo | 5,3% | Venda ao consumidor |
| Frigoríficos | 5,1% | Ligante em embutidos |
| Tapioca semipronta | 3,6% | Goma hidratada |
| Indústria química | 2,1% | Insumo de processo |
No frigorífico, a fécula é ligante. Segundo a Embrapa, a baixa temperatura de gomificação a torna ideal para embutidos de carne, com vantagem especial nas salsichas embaladas a vácuo, e o setor de embutidos chega a pagar mais por ela do que por outros amidos. O mesmo estudo cita recheio de torta, alimento infantil, congelados, waffles, copos de sorvete e sorvetes, além do xarope de glicose usado em doces e bebidas. Quem trabalha com embutidos encontra o outro ingrediente clássico da categoria em urucum em embutidos.
No pão de queijo industrial, a fécula e os amidos pré-gelatinizados passaram a substituir parte do polvilho azedo, com ganho de padrão microbiológico e de custo, registra a Embrapa. A diferença entre os polvilhos está em polvilho doce ou azedo.
Por que o papel, as colas e a indústria têxtil usam fécula?
Papel, colas e tecidos usam fécula pela viscosidade e pela adesão. Nas colas e nos adesivos, a fécula é preferida por gerar produtos mais viscosos e fáceis de manipular, fluidos, estáveis e de pH neutro, que se combinam com resinas e emulsões sintéticas, segundo o estudo da Embrapa. Na indústria têxtil, ela é preferida ao amido de milho por ser mais transparente, ter alta viscosidade e dar alta adesão aos fios.
O papel e o papelão compraram 6,4% da fécula vendida em 2025, acima dos 5,0% de 2024, pelos levantamentos do Cepea com a Abam. A Embrapa já apontava o uso crescente de matéria-prima reciclada como estímulo ao consumo de amido no setor. Para esses compradores, a fécula não é vendida como alimento, e a especificação gira em torno de viscosidade, umidade e impurezas.
Amido nativo ou modificado: o que a indústria compra?
A indústria compra os dois, e o modificado é o que mais cresce. O amido nativo é a fécula como sai da fecularia; o modificado é a fécula tratada para ganhar uma função que o nativo não tem, muitas vezes sob medida para um cliente. A Embrapa descreve esse mercado como de alta especificidade e venda técnica, em que o fornecedor dá suporte para o uso correto do produto.
Em 2025, as fecularias produziram 155,6 mil toneladas de amidos modificados, alta de 31,2%, e 45,1% delas fizeram pelo menos um derivado além da fécula, segundo o levantamento Cepea/Abam. É a fécula avançando sobre usos que antes eram do amido de milho. O panorama completo das fábricas está em indústria de fécula de mandioca no Brasil.
Como especificar fécula de mandioca para compra industrial?
A especificação da fécula de mandioca para a indústria começa pelos parâmetros da IN MAPA 23/2005, que classifica a fécula em três tipos. Os limites da tabela 1 da norma são estes:
| Parâmetro | Tipo 1 | Tipo 2 | Tipo 3 |
|---|---|---|---|
| Amido | Acima de 84% | Acima de 82% | Acima de 80% |
| Umidade | Abaixo de 14% | Abaixo de 14% | Abaixo de 14% |
| Cinzas | Abaixo de 0,20% | Abaixo de 0,25% | Abaixo de 0,75% |
| pH | 4,50 a 6,50 | 4,50 a 6,50 | 4,00 a 7,00 |
| Fator ácido (mL de HCl 0,1N) | 4,00 | 4,50 | 5,00 |
| Vazamento na peneira de 0,105 mm | 99% | 98% | 97% |
| Ponto de rompimento dos grânulos | Acima de 58 °C e abaixo de 66 °C | ||
| Polpa (mL) | 0,50 | 1,00 | 1,50 |
Sobre esse piso, a compra industrial costuma acrescentar o que a aplicação exige:
- Microbiologia: para alimento, os critérios da IN 161/2022 da ANVISA para farinhas, amidos e féculas: ausência de Salmonella em 25 g e limites para Bacillus cereus e Escherichia coli.
- Viscosidade: quando o processo depende dela (papel, têxtil, embutidos), um ensaio de viscosidade com faixa acordada entre as partes.
- Umidade sanitária: a RDC 711/2022 limita a umidade do amido de mandioca a 18%; o padrão do MAPA, mais rígido, pede menos de 14%.
- Rastreabilidade: lote na embalagem, certificado de análise por lote e retenção de amostra.
- Embalagem: saco de 25 kg ou big bag, conforme o manuseio da fábrica, como compara big bag ou saco de 25 kg.
A ficha técnica que reúne tudo isso está descrita em ficha técnica e laudo de ingrediente, e as boas práticas que o comprador pode auditar, em boas práticas de fabricação.
Fécula para uso industrial precisa de regularização sanitária?
A fécula vendida exclusivamente como ingrediente para a indústria de alimentos é dispensada de regularização na vigilância sanitária, desde que siga as normas de composição, qualidade, segurança e rotulagem. É o que diz o anexo IV da IN 281/2024 da ANVISA, que inclui entre os dispensados os ingredientes usados exclusivamente na produção de alimentos industrializados. A mesma fécula, embalada para o varejo, cai na categoria "amidos" do anexo III e exige comunicação de início de fabricação, como explica o texto sobre o registro da goma de tapioca e dos amidos.
A dispensa de regularização não dispensa a fábrica fornecedora da licença sanitária nem das boas práticas, e não muda a classificação do MAPA. Na venda e na importação, a classificação fiscal segue o NCM da fécula de mandioca, a ser confirmado pelo contador.
Comprar direto da fecularia ou do distribuidor?
Para a indústria, o canal depende do volume e da regularidade. Quem consome carretas por mês negocia direto com a fecularia, com preço ligado ao indicador semanal do Cepea; quem compra paletes, ou precisa de entregas menores e mais frequentes, ganha com o distribuidor. O que move esse preço, da raiz à extração, está em preço do polvilho e da fécula, e a comparação entre canais, em comprar direto da fábrica ou do distribuidor.
A origem também conta: o Paraná fez 67,6% da fécula brasileira em 2025, segundo o Cepea com a Abam, e a raiz vem sobretudo do Noroeste do estado, como mostra produção de mandioca no Paraná. A Graneto fornece fécula de mandioca a partir de Paranacity, no Noroeste do Paraná, para indústrias e distribuidores de todo o país. A linha está em derivados de mandioca, a cotação com especificação sai pelo formulário de contato e outros textos técnicos estão em indústria e normas no blog.
Polvilho, fécula e tapioca direto do polo da mandioca do Paraná. Derivados de mandioca empacotados em Paranacity para panificação industrial, food service e redes de supermercado.
Ver os derivados de mandiocaPerguntas frequentes
Amido de mandioca e fécula de mandioca são a mesma coisa?
Sim. A RDC 711/2022 da ANVISA permite chamar de fécula o amido extraído de raízes e tubérculos, e a IN MAPA 23/2005 define a fécula como o amido extraído das raízes de mandioca, não fermentado. Polvilho doce é o nome consagrado pelo uso para o mesmo produto.
Fécula de mandioca industrial é diferente da vendida no mercado?
É o mesmo amido, extraído da raiz e não fermentado, como define a IN MAPA 23/2005. Muda a compra: a indústria especifica tipo 1, 2 ou 3, viscosidade e microbiologia e recebe em saco de 25 kg ou big bag. Vendida só como ingrediente para a indústria, a fécula é dispensada de regularização sanitária pela IN 281/2024; embalada para o varejo, não.
Por que os frigoríficos usam fécula de mandioca?
Porque a fécula gomifica em temperatura baixa e funciona como ligante em embutidos de carne, segundo a Embrapa, com vantagem nas salsichas embaladas a vácuo. Em 2025, os frigoríficos compraram 5,1% da fécula vendida pelas fecularias brasileiras, de acordo com o levantamento do Cepea com a Abam.
Qual a diferença entre amido de mandioca e amido de milho na indústria?
O amido de mandioca forma pasta mais clara, tem alto pico de viscosidade, gomifica em temperatura baixa e carrega pouca proteína e gordura. Por isso a indústria têxtil e a de colas o preferem em vários usos, segundo a Embrapa. O amido de milho segue forte em aplicações em que essas propriedades não fazem diferença.
Qual a umidade máxima da fécula de mandioca?
Depende da norma. Para ser classificada pelo Ministério da Agricultura, a fécula precisa ter umidade abaixo de 14%, pela IN MAPA 23/2005. A regra sanitária da ANVISA, a RDC 711/2022, aceita até 18% no amido de mandioca. Na compra industrial, vale a mais rígida, que costuma constar da ficha técnica.
O que é o vazamento na especificação da fécula de mandioca?
É a porcentagem do produto que passa por uma peneira de 0,105 mm, uma medida de finura. Pela IN MAPA 23/2005, a fécula tipo 1 precisa ter vazamento de 99%, a tipo 2 de 98% e a tipo 3 de 97%. Fécula com mais grumos ou impurezas grossas fica abaixo desses valores.
Publicado em Mandioca
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