Preço da farinha de mandioca por kg: o que forma o valor do quilo e do saco

Saco branco aberto de farinha de mandioca torrada com uma concha de metal num mercado atacadista
Imagem ilustrativa.

Pontos principais

  • Na semana de 21 a 25/09/2026, o Cepea cotou a farinha seca fina entre R$ 124,45 e R$ 127,73 o saco de 50 kg, cerca de R$ 2,50 o kg.
  • A seca grossa é cotada em saco de 40 kg: compare sempre o preço por quilo, não por saco.
  • No atacado do Paraná, o saco de 50 kg de farinha crua caiu de R$ 169,19 (média de 2023) para R$ 122,52 (2025), pelo Deral.
  • A torrada custou R$ 138,13 o saco de 50 kg no atacado paranaense em setembro de 2026, contra R$ 125,23 da crua.

O preço da farinha de mandioca por kg, na porta da farinheira, ficou entre R$ 2,11 e R$ 2,55 na semana de 21 a 25 de setembro de 2026, segundo o indicador do Cepea para a farinha seca. O que forma esse valor é, nesta ordem, o preço da raiz, o tipo e o acabamento da farinha, a embalagem e o frete até o comprador.

Este texto é para quem compra farinha para revender ou para a cozinha (mercearia, atacado, distribuidor, restaurante, merenda) e quer entender o número antes de negociar. Ele mostra onde estão os preços oficiais, por que o saco subiu e caiu nos últimos anos, quanto a torra e a embalagem pesam e como pedir uma cotação comparável. Nenhum valor aqui é preço de prateleira, e a Graneto não publica tabela de preços.

Quanto custa a farinha de mandioca segundo o Cepea e o Deral?

A farinha de mandioca tem dois indicadores oficiais de preço, um nacional e um paranaense. O Cepea, da Esalq/USP, cota toda semana desde 2005 a farinha seca fina, branca e tipo 1, em saco de 50 kg, e a seca grossa, em saco de 40 kg, sempre FOB farinheira, com pagamento em 28 dias, conforme a metodologia do indicador.

Farinha de mandioca seca, semana de 21 a 25/09/2026, valor à vista por saco, FOB farinheira. Fonte: Cepea.
Região (cidade de referência)Seca fina, saco de 50 kgSeca grossa, saco de 40 kg
Noroeste do Paraná (Paranavaí)R$ 124,45 (R$ 2,49/kg)R$ 100,48 (R$ 2,51/kg)
Centro-Oeste do Paraná (Araruna)R$ 125,39 (R$ 2,51/kg)R$ 100,64 (R$ 2,52/kg)
Assis (SP)R$ 127,73 (R$ 2,55/kg)R$ 101,88 (R$ 2,55/kg)
Litoral Sul de Santa Catarina (Capivari de Baixo)Sem cotaçãoR$ 84,58 (R$ 2,11/kg)

A segunda referência é o Deral, da Secretaria da Agricultura do Paraná, que publica o preço médio de venda no atacado no estado. Em setembro de 2026, o saco de 50 kg de farinha de mandioca crua saiu, em média, a R$ 125,23 no atacado paranaense, e o de farinha torrada, a R$ 138,13. O valor de atacado fica muito perto do FOB do Cepea porque as praças de coleta estão no próprio polo produtor.

Compare por quilo, não por saco: a farinha seca grossa é cotada em saco de 40 kg e a fina, em saco de 50 kg. Um saco de grossa "mais barato" pode sair mais caro no quilo. Divida sempre o preço pelo peso líquido.

O preço da raiz explica a maior parte das altas e baixas da farinha

A raiz de mandioca é o principal custo da farinha, e o preço do saco acompanha o da raiz com pouco atraso. O mesmo Deral publica o preço médio recebido pelo produtor de mandioca para a indústria, e as duas séries andam juntas:

Paraná: raiz paga ao produtor e farinha de mandioca no atacado, médias anuais. Fonte: Deral/Seab.
PeríodoRaiz, R$ por toneladaFarinha crua, saco de 50 kgFarinha torrada, saco de 50 kg
2022817,82166,72185,18
2023797,49169,19190,37
2024525,50137,79163,88
2025552,19122,52133,77
Setembro de 2026576,63125,23138,13

O ciclo é o da lavoura. A raiz é colhida, em geral, entre 16 e 20 meses depois do plantio, segundo o manual da EMATER-MG, então a resposta da oferta ao preço leva quase dois anos. Em 2022, o Paraná colheu 2,91 milhões de toneladas, a menor safra da década, segundo a Produção Agrícola Municipal do IBGE; a raiz disparou e levou a farinha junto. Com as safras maiores de 2024 e 2025, os dois preços recuaram. A explicação completa desse ciclo, com as cotações semanais, está em preço do polvilho e da fécula, e os números da lavoura, em produção de mandioca no Paraná.

A oscilação da matéria-prima é um problema antigo do setor. A nota técnica do Ipardes sobre o APL da Mandioca da Região de Paranavaí-Loanda registrava, já em 2006, que a grande variação do preço da raiz levava farinheiras a parar por meses. Para quem compra, isso significa que fornecedor sem estoque de raiz contratada pode faltar justamente na alta.

Por que a farinha torrada custa mais que a crua?

A farinha torrada custa mais porque passa por mais tempo de forno. No atacado do Paraná, o saco de 50 kg da torrada saiu R$ 12,90 acima do da crua em setembro de 2026, segundo o Deral, diferença de cerca de 10%. A torra é energia e mão de obra a mais, e a energia das farinheiras da região vem principalmente da lenha de eucalipto, segundo o mesmo estudo do Ipardes.

O tipo e a classe também mexem no preço. A farinha tipo 1 exige mais amido e menos casca, o que pede raiz melhor e descascamento mais cuidadoso; a fina passa por mais peneiragem que a grossa. Os critérios estão na IN MAPA 52/2011 e explicados em tipos de farinha de mandioca: seca, d'água e bijusada. Ao comparar duas propostas, confira se o grupo, a classe e o tipo são os mesmos; senão, a comparação não vale.

Embalagem, frete e imposto separam o saco da gôndola

O preço que o consumidor vê no pacote de 1 kg carrega todos os custos que vêm depois da farinheira. Os principais são estes:

  • Embalagem e fracionamento: empacotar 50 kg em pacotes de 1 kg ou de 500 g soma filme, caixa, máquina e mão de obra, e o custo por quilo cresce quanto menor o pacote.
  • Frete: o Paraná vende a maior parte da farinha que faz para outros estados; o Ipardes estimava que cerca de 80% da produção paranaense saía do estado, principalmente para o Nordeste e o Sudeste.
  • Imposto: o indicador do Cepea considera ICMS de 7% nas vendas interestaduais e isenção dentro do estado; o enquadramento fiscal depende do NCM da farinha de mandioca e deve ser confirmado pelo contador.
  • Margem de cada elo: distribuidor, atacado e varejo somam a sua, e quem revende calcula a própria margem sobre o custo posto na loja, como mostra como calcular o preço de venda.

Uma conta simples ajuda o food service a enxergar o peso real da farinha no prato. Num exemplo hipotético, com a farinha posta na cozinha a R$ 3,00 o quilo, uma porção de farofa que leva 40 g de farinha gasta R$ 0,12 de farinha; dobrar o preço do quilo acrescenta outros R$ 0,12 à porção. O custo que mais varia, nesse caso, costuma ser o da gordura e dos outros ingredientes, não o da farinha.

Para reduzir o custo logístico, compare carga fechada e fracionada em frete de alimentos para outros estados e os formatos grandes em big bag ou saco de 25 kg. Para não comprar caro na hora da falta, o controle de estoque com PEPS e ponto de pedido vale também para farinha.

Como pedir cotação de farinha de mandioca?

Uma cotação de farinha de mandioca só se compara com outra quando as duas descrevem o mesmo produto, na mesma entrega e no mesmo prazo. Informe ao fornecedor:

  1. grupo, classe e tipo (por exemplo, seca fina tipo 1) e se a farinha é crua ou torrada;
  2. acidez esperada, quando o seu cliente estranha a farinha mais ácida;
  3. volume mensal e embalagem: pacote de varejo, saco de 50 kg ou de 40 kg;
  4. cidade de entrega e quem paga o frete;
  5. forma de pagamento, porque o preço à vista e o preço a prazo são diferentes, como mostra o próprio Cepea;
  6. validade da proposta e laudo ou ficha técnica do lote, com umidade abaixo de 13%, limite da IN MAPA 52/2011.

Para comprar poucos sacos por mês, o distribuidor da região costuma ser a melhor saída; a compra direta compensa quando o volume paga o frete, como explica comprar direto da fábrica ou do distribuidor. A farinha de mandioca também disputa espaço com a de milho na farofa, e as diferenças estão em farinha de mandioca ou farinha de milho.

A Graneto fornece farinha de mandioca a partir de Paranacity, no polo produtor do Noroeste do Paraná, com rotas próprias na região e atendimento aos demais estados com prazo e frete definidos na cotação. A linha está em derivados de mandioca, o pedido de preço sai pelo formulário de cotação e outros textos do tema estão em mandioca no blog.

Polvilho, fécula e tapioca direto do polo da mandioca do Paraná. Derivados de mandioca empacotados em Paranacity para panificação industrial, food service e redes de supermercado.

Ver os derivados de mandioca

Perguntas frequentes

Quanto custa o saco de 50 kg de farinha de mandioca?

Na semana de 21 a 25 de setembro de 2026, o Cepea cotou a farinha seca fina entre R$ 124,45 e R$ 127,73 o saco de 50 kg, na porta da farinheira, perto de R$ 2,50 o quilo. No atacado do Paraná, o Deral registrou R$ 125,23 para a crua e R$ 138,13 para a torrada no mesmo mês.

Qual a diferença de preço entre farinha de mandioca crua e torrada?

A torrada custa mais porque fica mais tempo no forno, o que gasta energia e mão de obra. Em setembro de 2026, o saco de 50 kg de farinha torrada saiu a R$ 138,13 no atacado do Paraná, contra R$ 125,23 da crua, segundo o Deral: diferença de cerca de 10%.

Por que o pacote de 1 kg custa mais por quilo que o saco?

Porque o pacote pequeno carrega custos que o saco não tem: empacotamento, filme e caixa, máquina e mão de obra, frete de carga fracionada, impostos e a margem de cada intermediário. O indicador do Cepea é o preço na farinheira, sem frete; cada elo até a gôndola soma o seu custo, e quanto menor o pacote, maior o custo por quilo.

Por que a farinha de mandioca ficou mais barata depois de 2023?

Porque a raiz ficou mais barata. Depois da safra curta de 2022, o preço da mandioca subiu, o produtor plantou mais e as colheitas maiores de 2024 e 2025 derrubaram o preço. No atacado do Paraná, o saco de 50 kg de farinha crua passou de R$ 169,19 na média de 2023 para R$ 122,52 em 2025, segundo o Deral.

O preço do saco de farinha divulgado pelo Cepea inclui frete?

Não. O indicador do Cepea é FOB farinheira, ou seja, o preço na porta da fábrica, com pagamento em 28 dias. Ele considera ICMS de 7% nas vendas para outros estados e isenção dentro do estado. Para saber o custo na sua cidade, some o frete e, se comprar de revenda, a margem do distribuidor.

Vale a pena comprar farinha de mandioca em saco de 50 kg?

Vale para quem gira o saco antes de a farinha pegar umidade: restaurante, merenda, padaria e quem fraciona para revenda. O custo por quilo do saco é menor que o do pacote pequeno. Para quem usa poucos quilos por mês, o pacote de 1 kg e o distribuidor local evitam perda por umidade e caruncho.

Onde ver o preço da farinha de mandioca atualizado toda semana?

No indicador de mandioca do Cepea, da Esalq/USP, que publica toda semana o preço da farinha seca fina e da seca grossa em praças do Paraná, de São Paulo e de Santa Catarina. No Paraná, o Deral, da Secretaria da Agricultura, publica também o preço médio de atacado da farinha crua e da torrada.

Publicado em Mandioca

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