Tipos de farinha de mandioca: seca, d'água, bijusada, fina e grossa

Tigelas de farinha de mandioca de texturas e cores diferentes, fina branca, grossa amarela, torrada e granulada
Imagem ilustrativa.

Pontos principais

  • A IN MAPA 52/2011 divide a farinha de mandioca em três grupos pelo processo: seca, d'água (fermentada) e bijusada (em flocos).
  • A peneira de 2 mm separa a farinha seca e a d'água em fina, média ou grossa; a bijusada não tem classe.
  • A IN 58/2020 subiu o limite de fibra da farinha seca de 2,3% para 3,0% (tipo 1), 3,5% (tipo 2) e 4,0% (tipo 3).
  • A farinha deve ser vendida com umidade abaixo de 13% e trazer no rótulo grupo, classe, tipo e acidez.
  • Cruzeiro do Sul (AC), Uarini (AM) e Bragança (PA) têm farinha de mandioca com Indicação Geográfica registrada no INPI.

Os tipos de farinha de mandioca, pela norma do Ministério da Agricultura, começam por três grupos definidos pelo processo de fabricação: seca, d'água e bijusada. Dentro de cada grupo, a farinha é separada em classe (fina, média ou grossa, pela peneira) e em tipo (1, 2, 3 ou único, pela qualidade), e o rótulo precisa trazer essas três informações e a acidez.

Este guia é para quem compra e revende farinha (mercearia, atacado, distribuidor, compra pública) e para quem quer entender o que está escrito na embalagem. Ele resume a IN MAPA 52/2011, o regulamento técnico da farinha de mandioca, em vigor com a alteração feita pela IN 58/2020, e separa o que é classificação oficial do que é nome comercial ou regional.

A IN MAPA 52/2011 divide a farinha de mandioca em três grupos

A farinha de mandioca é classificada em três grupos, conforme o processo usado para fazê-la. A IN MAPA 52/2011 define cada um no artigo 7º:

Grupos da farinha de mandioca segundo a IN MAPA 52/2011
GrupoComo é feitaComo se apresenta
SecaRaiz sadia, limpa e descascada, ralada ou moída, prensada, peneirada e seca em temperatura adequada, sem maceraçãoGrãos secos, do fino ao grosso, de sabor suave
D'águaRaiz macerada em água (com fermentação), depois descascada, moída, prensada, peneirada e secaProduto predominantemente fermentado, mais ácido e de grão firme
BijusadaRaiz ralada, prensada, peneirada e laminada em temperatura adequadaFlocos irregulares de baixa densidade

A maceração é o que separa a farinha d'água das outras: a norma a descreve como a etapa em que as raízes ficam submersas em água, com fermentação e formação de ácidos orgânicos. Por isso a d'água tem limite de acidez próprio, mais alto que o da seca e o da bijusada.

Cada grupo tem sua região de consumo. Os estudos de composição reunidos pela Embrapa Mandioca e Fruticultura analisaram farinha d'água vinda sobretudo do Pará, do Amazonas e do Maranhão, e farinha seca de quase todo o país, do Acre a Santa Catarina. O mesmo documento, com dados da POF 2017-2018 do IBGE, mostra que o consumo médio de farinha de mandioca é de 38,0 g por pessoa ao dia no Norte, 14,3 g no Nordeste e 3,0 g no Centro-Oeste.

Qual a diferença entre farinha de mandioca fina, média e grossa?

A classe da farinha de mandioca é definida pela granulometria, medida em peneiras com malha de 1 mm e de 2 mm. A regra muda entre a seca e a d'água, e a bijusada, por ser em flocos, não tem classe.

Classes da farinha de mandioca (artigo 7º da IN MAPA 52/2011)
ClasseGrupo secaGrupo d'água
FinaTudo passa na peneira de 2 mm e até 10% fica retido na de 1 mmAté 10% fica retido na peneira de 2 mm
MédiaO que não se enquadra em fina nem em grossaMais de 10% e até 15% retido na peneira de 2 mm
GrossaMais de 10% retido na peneira de 2 mmMais de 15% retido na peneira de 2 mm

Na cozinha, a classe muda a absorção: a fina hidrata rápido e dá pirão e farofa lisos; a grossa mantém o grão crocante. Para o comprador, a classe é a primeira coisa a alinhar com o cliente, porque quem está acostumado com uma estranha a outra na hora.

O que separa a farinha tipo 1 da tipo 3?

O tipo mede a qualidade da farinha de mandioca: quanto mais amido e menos casca e fibra, melhor o tipo. Para o grupo seca, o anexo I da IN MAPA 52/2011, com a redação dada pela IN 58/2020, fixa os limites abaixo, todos em base seca:

Limites da farinha de mandioca do grupo seca, por tipo (anexo I da IN MAPA 52/2011)
ParâmetroTipo 1Tipo 2Tipo 3
Amido86% ou mais82% a menos de 86%80% a menos de 82%
Fibra brutaAté 3,0%Até 3,5%Até 4,0%
CinzasAté 1,4% em todos os tipos
Cascas e entrecascas (classe média)Até 1,1 g/100 gAcima de 1,1 até 2,2 g/100 gAcima de 2,2 até 3,4 g/100 g
Cascas e entrecascas (classe grossa)Até 1,3 g/100 gAcima de 1,3 até 2,6 g/100 gAcima de 2,6 até 3,9 g/100 g
Matéria estranhaAusente na amostra de trabalho de 1 kg

A farinha d'água também tem tipos 1, 2 e 3, definidos pelo teor de amido e de cascas, e a bijusada tem tipo único; os limites estão nos anexos II e III da norma. A que passa dos limites do tipo 3 é "fora de tipo" e pode ser vendida assim, desde que o rótulo diga, ou reprocessada. Mofo generalizado, mau estado de conservação, odor estranho ou inseto, vivo ou morto, tornam a farinha "desclassificada", com venda proibida para consumo humano.

A fibra foi o ponto que mudou. Até 2020, o limite de fibra bruta era de 2,3% para todos os grupos, e muita farinha tradicional passava disso: nos estudos reunidos pela Embrapa, de 24% a 50% das amostras do grupo seca ficavam acima do permitido. O tema chegou à Câmara Setorial da Mandioca do MAPA, e a IN 58/2020 subiu o limite da farinha seca para 3,0%, 3,5% e 4,0%, conforme o tipo.

Acidez baixa ou alta e umidade abaixo de 13%

A farinha de mandioca é classificada também pela acidez, que a norma liga ao processo e ao hábito de cada região consumidora. Pelo artigo 16 da IN MAPA 52/2011, as farinhas seca e bijusada têm acidez baixa até 3,0 meq de NaOH por 100 g e alta acima disso; a d'água, por ser fermentada, tem acidez baixa até 5,0 meq e alta acima desse valor. O rótulo traz a informação por extenso: "acidez baixa" ou "acidez alta".

A umidade tem teto único. A farinha deve ser vendida com umidade abaixo de 13%; acima disso, precisa ser rebeneficiada, isto é, seca de novo. A regra do MAPA é mais rígida que a da vigilância sanitária: a RDC 711/2022 da ANVISA aceita até 15% de umidade nas farinhas em geral. Para quem armazena, umidade baixa é o que segura a farinha sem mofo e sem caruncho. Bem embalada, a farinha seca conserva bem: num estudo publicado na Ciência Rural, farinhas de mandioca simples e temperadas guardadas por 180 dias em sacos plásticos continuaram dentro dos padrões microbiológicos da legislação. Ainda assim, a farinha tem prazo de validade, que vem no rótulo, e deve ficar em local seco e arejado, fora do chão e longe de cheiros fortes.

O que o rótulo da farinha de mandioca precisa informar?

O rótulo da farinha de mandioca embalada para consumo precisa trazer a classificação oficial e a identificação do responsável. A classificação é obrigatória para produto vegetal destinado diretamente à alimentação humana e nas compras do poder público, pela Lei 9.972/2000. Pelo artigo 37 da IN MAPA 52/2011, a embalagem deve informar:

  • o grupo, por extenso: "Grupo Seca", "Grupo D'água" ou "Grupo Bijusada";
  • a classe, quando houver: "Classe fina", "Classe média" ou "Classe grossa";
  • o tipo: "Tipo 1", "Tipo 2", "Tipo 3", "Tipo Único" ou "Fora de Tipo";
  • a denominação "farinha de mandioca", seguida da marca, quando houver;
  • a acidez ("acidez baixa" ou "acidez alta");
  • lote, data de acondicionamento, nome empresarial, CNPJ e endereço do embalador.

Grupo, classe e tipo devem vir em letras do mesmo tamanho, nas dimensões exigidas para o peso líquido. Na farinha a granel, a identificação mínima é grupo e tipo, em lugar visível. Valem ainda as regras gerais da ANVISA para alimento embalado, como lista de ingredientes e a declaração de glúten da Lei 10.674/2003, resumidas em o que a ANVISA exige no rótulo. Em compra pública, como na alimentação escolar, o edital costuma pedir grupo, classe e tipo por escrito, e o laudo de classificação comprova o que o rótulo diz.

Branca, amarela, temperada e de tapioca: nomes que não são grupos da norma

Muitos nomes da prateleira não são tipos oficiais de farinha de mandioca. "Crua" e "torrada", "branca" e "amarela" ou "copioba", nome da farinha vendida nas feiras de Salvador, são nomes comerciais ou regionais; na classificação, cada uma delas ainda pertence a um grupo, uma classe e um tipo. A diferença entre a farinha branca e a amarela, por exemplo, é só de cor, e a própria norma atribui a cor à variedade da mandioca e à torração.

A farinha amarelada por tempero tem regra própria. Segundo as perguntas e respostas da ANVISA sobre aditivos, não existe aditivo autorizado para farinha de mandioca. A cúrcuma em pó, usada como especiaria, pode entrar, mas o produto passa a se chamar "farinha de mandioca e cúrcuma"; a curcumina, que é corante extraído com solvente, não pode. A diferença entre os dois produtos está em açafrão-da-terra (cúrcuma), e a definição de especiaria, em especiaria, condimento e tempero.

A farofa pronta é outro alimento: leva gordura, sal e temperos, e a Tabela TACO registra na farofa temperada 9,1 g de lipídeos e 575 mg de sódio por 100 g, contra 0,3 g e 10 mg na farinha de mandioca torrada. A "farinha de tapioca" também não é farinha de mandioca: é a tapioca granulada, um produto amiláceo classificado pela IN MAPA 23/2005, a mesma norma da fécula de mandioca.

Cruzeiro do Sul, Uarini e Bragança: as farinhas com Indicação Geográfica

Três farinhas de mandioca do Norte têm Indicação Geográfica registrada no INPI, na espécie indicação de procedência: Cruzeiro do Sul, no Acre, Uarini, no Amazonas, e Bragança, no Pará. As fichas técnicas de registro descrevem o que cada uma tem de próprio:

Farinhas de mandioca com Indicação Geográfica (fichas técnicas do INPI)
IndicaçãoÁreaRegistroO que a ficha técnica descreve
Cruzeiro do SulVale do Juruá (AC): Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Porto Walter e Marechal Thaumaturgo22/08/2017Farinha de casas de farinha familiares, granulada e levemente adocicada, feita por descascamento, lavagem, trituração, prensagem, peneiração, escaldamento, tostagem e resfriamento
UariniUarini, Alvarães, Tefé e Maraã (AM)27/08/2019Quatro tipos pelo formato e tamanho do grão: filé, ovinha, ova e amarela; filé e ovinha têm cor amarelo-ouro
BragançaAugusto Corrêa, Bragança, Santa Luzia do Pará, Tracuateua e Viseu (PA)18/05/2021Farinha d'água: a raiz fermenta de 4 a 5 dias de molho, é prensada no tipiti, escaldada e torrada; tradicionalmente amarelada

A ficha de Bragança explica duas dúvidas comuns. A cor amarela vem das variedades de mandioca escolhidas, e não de corante. E a região usa sobretudo a mandioca brava, que tem mais ácido cianídrico, com um processo que reduz esse teor até deixar a farinha apta ao consumo; no processo comum, o descascamento já retira parte do ácido cianídrico concentrado nas entrecascas, segundo o manual da EMATER-MG. O selo de origem não dispensa a classificação oficial: grupo, classe e tipo continuam obrigatórios no rótulo.

Qual farinha de mandioca comprar para revenda e food service?

A escolha da farinha de mandioca começa pelo hábito do cliente e termina na especificação do lote. Para a revenda e o food service, a checagem tem quatro passos:

  1. Grupo e classe que o cliente reconhece: nas praças do Paraná, de Santa Catarina e de São Paulo, a referência é a farinha seca; o indicador de preços do Cepea acompanha só a seca fina e a seca grossa, branca e tipo 1, segundo a metodologia do indicador.
  2. Tipo: tipo 1 tem mais amido e menos casca; para farofa e pirão de restaurante, a diferença aparece no grão escuro e na textura.
  3. Acidez: a norma liga a acidez ao hábito de cada região; confira se o seu cliente espera farinha de acidez baixa ou alta, e se espera a d'água fermentada.
  4. Documentos: peça laudo de classificação ou ficha técnica do lote, com umidade, como orienta o texto sobre ficha técnica e laudo.

Na comparação com a outra farinha da farofa, as diferenças de matéria-prima, de norma e de nutrientes estão em farinha de mandioca ou farinha de milho. O que forma o preço do saco está em preço da farinha de mandioca, a classificação fiscal em NCM da farinha de mandioca e a origem da raiz em produção de mandioca no Paraná.

A Graneto fornece farinha de mandioca a partir de Paranacity, no Noroeste do Paraná, para atacado, varejo e food service de todo o país. Como em qualquer fornecedor, peça na cotação o grupo, a classe e o tipo do lote; os itens da linha estão em derivados de mandioca, a cotação sai pelo formulário de contato e outros textos do tema estão em mandioca no blog.

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Perguntas frequentes

Qual a diferença entre farinha de mandioca seca e farinha d'água?

A farinha d'água vem de raízes deixadas de molho em água, onde fermentam antes de serem moídas, prensadas e secas; por isso é mais ácida e tem grão mais firme. A farinha seca é feita da raiz descascada e ralada, sem maceração, e tem sabor mais suave. A norma do MAPA dá a cada uma limites próprios de acidez.

Qual a diferença entre farinha de mandioca branca e amarela?

É só de cor, que a IN MAPA 52/2011 atribui à variedade da mandioca e à torração; branca e amarela não são grupos nem tipos. A amarela não pode levar corante, porque a ANVISA não autoriza aditivo em farinha de mandioca. Se o fabricante usar cúrcuma em pó como especiaria, o produto passa a se chamar farinha de mandioca e cúrcuma.

Para que serve a farinha de mandioca grossa?

A classe grossa, com mais de 10% do produto retido na peneira de 2 mm, mantém o grão crocante no prato e na farofa. A fina hidrata mais rápido e dá pirão e farofa mais lisos. Na compra para revenda ou restaurante, alinhe a classe com o cliente, porque quem está acostumado com uma estranha a outra na hora.

Farinha de mandioca tipo 1 é melhor que a tipo 2?

Na classificação oficial, sim: o tipo 1 tem mais amido e menos casca e fibra. Na farinha seca, ele exige 86% ou mais de amido e até 3,0% de fibra bruta. Isso não quer dizer que a tipo 2 seja imprópria; ela é um padrão de qualidade diferente, em geral mais barato, com grãos escuros mais visíveis.

Como a farinha de mandioca é feita?

A raiz é descascada e lavada, ralada ou triturada, prensada para tirar a água, peneirada e seca ou torrada no forno; na farinha d'água, ela fermenta de molho antes. É a sequência da IN MAPA 52/2011 e das fichas das farinhas com Indicação Geográfica, como a de Cruzeiro do Sul, que inclui ainda escaldamento, tostagem e resfriamento.

Farinha de mandioca vence?

Vence: como todo alimento embalado, ela tem prazo de validade no rótulo. Por ser seca, com umidade abaixo de 13%, conserva bem, e num estudo da Ciência Rural farinhas guardadas por 180 dias em sacos plásticos seguiram dentro dos padrões microbiológicos. Guarde em local seco e arejado e descarte farinha com mofo, caruncho ou cheiro estranho.

Farinha de mandioca temperada é a mesma coisa que farofa?

Na prática, sim: a farinha temperada é a farofa pronta, um alimento diferente da farinha pura, com gordura, sal e temperos. A Tabela TACO registra 9,1 g de lipídeos e 575 mg de sódio em 100 g de farofa de mandioca temperada, contra 0,3 g e 10 mg na farinha torrada. Compare rótulos antes de comparar preços.

O que é a farinha de Uarini?

É a farinha de mandioca de Uarini, Alvarães, Tefé e Maraã, no Amazonas, com Indicação Geográfica registrada no INPI em 2019. A ficha técnica divide essa farinha em quatro tipos pelo formato e tamanho do grão: filé, ovinha, ova e amarela, sendo filé e ovinha de cor amarelo-ouro. Bragança, no Pará, e Cruzeiro do Sul, no Acre, também têm farinha com selo.

Publicado em Mandioca

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