Colorau e urucum
Para que serve o colorau na cozinha e na indústria
Pontos principais
- O colorau dá cor alaranjada a avermelhada a arroz, carnes, frango, farofa e molhos, com sabor leve e terroso.
- A bixina é insolúvel em água: o colorau vai na gordura do refogado, e não na água do cozimento.
- Marcas analisadas tinham de 154 a 354 mg de bixina por 100 g: a mesma colher pode tingir mais que o dobro.
- Na indústria, o extrato de urucum tem limite por categoria: 20 mg/kg em queijos e 100 mg/kg em massas, como bixina.
O colorau serve para dar cor alaranjada a avermelhada aos alimentos: arroz, carnes, frango, farofa, molhos e ensopados na cozinha, e embutidos, massas, queijos e salgadinhos na indústria. O sabor que ele acrescenta é discreto; o trabalho dele é a cor da bixina, o pigmento do urucum, que se solta na gordura do preparo.
Este texto é para quem cozinha em escala, revende ou formula produtos e quer usar o colorau do jeito certo: em que pratos ele funciona, por que ele precisa de gordura, como acertar a dose quando a força da cor muda de marca para marca e o que muda quando a cor vem do extrato industrial.
Para que serve o colorau na cozinha
Na cozinha, o colorau serve para colorir pratos salgados, principalmente os que levam gordura. Segundo Tocchini e Mercadante, o colorífico, de uso quase exclusivamente doméstico, dá cor avermelhada a arroz, risotos, bifes, frangos, farofas, molhos e queijos, e tem no Nordeste o seu principal mercado.
| Preparo | Como usar o colorau | Por que funciona |
|---|---|---|
| Arroz e risoto | No óleo quente do refogado, antes de juntar o arroz | A gordura dissolve o pigmento e tinge o grão por igual |
| Carnes e frango | Na marinada com óleo ou no refogado | A cor se fixa na superfície que doura |
| Feijão | No refogado de alho e cebola no óleo, antes de juntar o feijão cozido | A gordura leva a cor ao caldo, que a água sozinha não dissolve |
| Farofa | Na manteiga ou no óleo, antes da farinha | A farinha absorve a gordura já colorida |
| Molhos e ensopados | No refogado do começo, junto com alho e cebola | A cor chega ao caldo levada pela gordura |
O colorau não é só cor. Ao descrever as sementes de urucum processadas e vendidas como condimento no Brasil, no México e nas Filipinas, a autoridade europeia de segurança alimentar, a EFSA, registra que elas dão cor e também um sabor próprio. Esse sabor é leve e terroso, e não compete com alho, cebola ou ervas.
O colorau solta a cor na gordura, e não na água
O colorau precisa de gordura porque a bixina, o pigmento principal, é insolúvel em água, como registra a especificação do comitê de aditivos da FAO e da OMS para o extrato de bixina (JECFA). É o grupo éster metílico da molécula que a torna lipossolúvel, explica a revisão de Demczuk e Ribani. Na prática:
- Gordura primeiro. Coloque o colorau no óleo, na manteiga ou na banha no começo do preparo, e não na água do cozimento.
- Caldo sem gordura colore mal. Em sopas e caldos magros, a cor fica fraca e o pó pode formar pontinhos; dissolva o colorau antes em um pouco de óleo quente.
- Temperatura muda o tom. A própria indústria usa a temperatura da extração em óleo para obter corantes mais alaranjados ou mais amarelos, segundo a mesma revisão; fritura longa em fogo alto tende a puxar a cor para o amarelo.
- Luz desbota. O extrato de urucum resiste bem à oxidação em meio sem água, mas tem resistência mais baixa à luz. Guarde o pote fechado e longe de janela, como detalha o texto sobre como armazenar colorau sem perder a cor.
Quando a indústria precisa de cor em produto de base aquosa, ela usa outra forma do pigmento: a norbixina, que dissolve em água alcalina. Para entender o pigmento em si, veja o que é a bixina e como ela define a cor do colorau.
Colorau é tempero? Pela norma sim, pela cozinha ele é corante
Pela norma, o colorau pertence à família das especiarias e temperos: a semente de urucum é especiaria autorizada pela IN 159/2022, e o colorau, mistura dela com fubá, segue as regras de temperos da RDC 716/2022. A diferença entre os três termos está no texto sobre especiaria, condimento e tempero segundo a ANVISA.
Pela cozinha, o colorau é mais corante do que tempero. Ele não substitui sal, alho, cebola ou pimenta, e entra na receita pela cor. Quem monta uma lista de compras de condimentos encontra o papel de cada um no guia sobre para que serve cada tempero. E se a dúvida é sobre saúde, e não sobre receita, o texto sobre se o colorau faz mal reúne o que dizem a ANVISA e o comitê da FAO/OMS.
Na indústria, o urucum colore queijos, embutidos, massas e salgadinhos
Na indústria, o urucum é usado por laticínios, frigoríficos, fábricas de massas, doces, sorvetes, óleos e gorduras, bebidas e alimentos desidratados, além de setores fora da alimentação, como farmacêutico, têxtil, de tintas e de cosméticos, segundo Fabri e Teramoto. Nas fórmulas industriais, a cor costuma entrar como extrato de urucum, que é aditivo e tem limite por categoria de alimento na IN 211/2023 da ANVISA. O limite é expresso em miligramas de pigmento por quilo do alimento, e não em quilos de extrato:
| Categoria | Base bixina | Base norbixina | Observação |
|---|---|---|---|
| Queijos maturados, frescos e processados | 20 | 25 | Faixa incluída em 2024 |
| Manteiga | Quantum satis | Quantum satis | Quantidade necessária, sem número fixo |
| Margarinas | 100 | 100 | |
| Massas alimentícias secas e frescas | 100 | 100 | Não vale para massas com vegetais |
| Produtos cárneos industrializados | 20 | 20 | Só no tratamento de superfície |
| Salgadinhos de batata, cereais ou amido | 20 | 20 | |
| Sopas e caldos | 150 | 150 | No produto pronto para consumo |
| Condimentos preparados | 100 | 100 |
Os detalhes por setor estão nos textos sobre como a indústria de carnes usa o urucum e sobre o urucum em queijos e laticínios; as formas do extrato, no texto sobre o corante de urucum INS 160b. O colorau também entra em fórmulas como ingrediente, declarado na lista de ingredientes. Quem formula com colorau, e não com extrato, deve confirmar com o responsável técnico como o produto se enquadra no padrão da sua categoria.
Quanto colorau usar: o teor de bixina manda mais que a receita
Não existe dose padrão de colorau, porque a força da cor muda de marca para marca. Nas sete marcas de colorífico analisadas por Tocchini e Mercadante, a bixina ia de 154 a 354 mg por 100 g: a mesma colher de uma marca pode tingir mais que o dobro da outra. Num exemplo, se a ficha técnica pede 10 g de um colorau com 0,35% de bixina, um colorau com 0,15% precisaria de cerca de 23 g para entregar a mesma quantidade de pigmento.
Por isso, a dose se acerta no teste, e não na receita copiada:
- Teste com a marca que vai usar. Comece com pouco, aumente aos poucos e anote a quantidade que dá o tom desejado.
- Registre na ficha técnica. Em cozinha profissional, a dose por quilo de arroz ou de carne vai para a ficha, como orienta o texto sobre temperos para restaurante e controle de desperdício.
- Troque de marca com teste. Ao mudar de fornecedor ou de formato, refaça o teste antes de rodar a receita em escala.
- Na indústria, dose pelo laudo. Peça o laudo de bixina do lote e ajuste a dosagem pelo teor; o que deve constar nesse documento está no texto sobre ficha técnica e laudo de ingredientes.
Colorau não é açafrão, cúrcuma nem páprica, e substitui cada um só em parte
Colorau não é açafrão, cúrcuma nem páprica. Na lista de especiarias da IN 159/2022, o urucum do colorau é semente de Bixa orellana; a cúrcuma, rizoma de Curcuma longa; o açafrão verdadeiro, estigma da flor de Crocus sativus; e a páprica doce, fruto de Capsicum annuum. Cada um dá um tom e um sabor.
O colorau substitui a páprica só quando a receita aceita perder o gosto de pimentão; o caminho inverso acrescenta sabor e às vezes ardência, como mostra o texto sobre colorau ou páprica. A cúrcuma dá amarelo, e não o laranja avermelhado do urucum; as diferenças estão no texto sobre açafrão-da-terra.
No lugar de corantes artificiais, o urucum é a escolha natural mais usada: responde por cerca de 90% do consumo de corantes naturais no Brasil e por cerca de 70% no mundo, segundo Fabri e Teramoto. A comparação com cúrcuma, páprica e beterraba na indústria está no texto sobre corantes naturais na indústria de alimentos.
Para quem compra colorau para a cozinha ou para revender, o formato pesa tanto quanto a marca. A Graneto envasa colorau em Paranacity em sachês de 40 g e 50 g para o varejo, pacotes de 1 kg e 5 kg para food service e sacos de 25 kg ou big bag para a indústria; os usos de cada escala estão nas aplicações do urucum no guia do colorau de Paranacity. E quem vai vender na gôndola encontra as escolhas de embalagem e exposição em colorau para revenda.
Colorau de Paranacity, do sachê de 40 g ao big bag. A Graneto envasa colorau com urucum do polo de Paranacity para varejo, food service e indústria. Peça a cotação com o volume e a especificação de que você precisa.
Conhecer o colorau de ParanacityPerguntas frequentes
Colorau tem gosto?
Tem, mas é discreto. As sementes de urucum usadas como condimento dão cor e um sabor próprio, leve e terroso, que não compete com alho, cebola ou ervas. Por isso o colorau é usado mais pela cor; quem quer o sabor marcante de pimentão deve usar páprica.
Colorau e açafrão são a mesma coisa?
Não. O colorau é feito com sementes de urucum e dá cor laranja avermelhada; o que se vende como açafrão no Brasil costuma ser a cúrcuma, um rizoma de cor amarela; e o açafrão verdadeiro é o estigma de uma flor, o Crocus sativus. Os três estão na lista de especiarias da ANVISA, com espécies diferentes.
Pode colocar colorau na água do arroz?
Pode, mas a cor fica mais fraca e irregular, porque a bixina não dissolve em água. O melhor é pôr o colorau no óleo quente do refogado, antes de juntar o arroz: a gordura dissolve o pigmento e tinge os grãos por igual. Em caldos magros, dissolva antes em um pouco de óleo.
Quanto colorau usar no arroz?
Não há dose padrão, porque a força da cor varia muito entre marcas: em um estudo com sete marcas, a bixina ia de 154 a 354 mg por 100 g. Comece com pouco no óleo do refogado, aumente até o tom desejado e anote a quantidade. Ao trocar de marca, refaça o teste.
Pode colocar colorau no feijão?
Pode, e o caminho é o mesmo do arroz: ponha o colorau no óleo do refogado de alho e cebola e só depois junte o feijão cozido. A bixina, pigmento do colorau, não dissolve em água, e é a gordura que leva a cor ao caldo por igual. O colorau entra pela cor e quase não muda o sabor do feijão.
Como usar colorau na sopa?
Coloque o colorau no refogado do começo ou dissolva antes em um pouco de óleo quente e junte à sopa. Em caldo sem gordura, a bixina não dissolve: a cor fica fraca e o pó pode formar pontinhos. Comece com pouco e aumente aos poucos, porque a força da cor muda de marca para marca.
Colorau substitui corante artificial?
Em muitos usos, sim. O urucum é o corante natural mais usado no Brasil e no mundo e dá tons do amarelo ao vermelho. Na indústria, a forma usada é o extrato de urucum, aditivo INS 160b com limite por categoria de alimento na IN 211/2023 da ANVISA.
Publicado em Colorau e urucum
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