Corante de urucum: o corante natural INS 160b explicado

Béquer de vidro com extrato líquido laranja de urucum ao lado de sementes de urucum sobre superfície branca
Imagem ilustrativa.

Pontos principais

  • O corante de urucum é o INS 160b: base bixina, 160b(i), para gordura; base norbixina, 160b(ii), para água alcalina.
  • O JECFA descreve seis tipos de extrato, com mínimo de pigmento de 10% a 85% conforme o processo.
  • Na IN 211/2023, o limite é de 20 mg/kg em queijos como bixina, 100 mg/kg em massas e 200 mg/kg em sorvetes.
  • A norbixina precipita abaixo de pH 7: por isso não é usada em bebidas ácidas transparentes.
  • O urucum responde por cerca de 90% do consumo de corantes naturais no Brasil.

Corante de urucum é o extrato do pigmento da semente de urucum, identificado pelo código INS 160b. No Brasil ele aparece em duas formas autorizadas pela IN 211/2023 da ANVISA: o extrato base bixina, INS 160b(i), que se dissolve em gordura, e o extrato base norbixina, INS 160b(ii), que se dissolve em água alcalina.

Este texto é para quem compra ou especifica corante para a indústria de alimentos: como o extrato é feito, qual forma usar em cada produto, onde a ANVISA autoriza e quanto, como ele aparece no rótulo e o que pedir na especificação. A química da norbixina e o pigmento em si têm textos próprios, linkados ao longo do caminho.

O corante de urucum é o pigmento da semente, extraído e concentrado

O corante de urucum sai da camada externa que cobre a semente de Bixa orellana e dá tons que vão do amarelo ao laranja avermelhado, segundo o parecer de 2016 da EFSA, a autoridade europeia de segurança alimentar. A extração comercial mais usada é a imersão em solução alcalina, seguida da imersão em óleo vegetal e do uso de solventes orgânicos, segundo a revisão de Demczuk e Ribani.

O comitê de aditivos da FAO e da OMS, o JECFA, descreve seis tipos de extrato, cada um com um teor mínimo de pigmento:

ExtratoComo é obtidoPigmento mínimoPigmento principal
Bixina extraída com solventeLavagem da semente com solvente de grau alimentício, remoção do solvente, secagem e moagem85% de bixinaBixina, insolúvel em água
Bixina de processo aquosoExtração em meio aquoso25% de bixinaBixina
Bixina processada em óleoExtração em óleo vegetal10% de bixinaBixina
Norbixina extraída com solventeExtração com solvente, hidrólise com álcali aquecido, precipitação com ácido, secagem e moagem85% de norbixinaNorbixina, solúvel em água alcalina
Norbixina alcalina, precipitada com ácidoExtração alcalina seguida de precipitação35% de norbixinaNorbixina
Norbixina alcalina, sem precipitaçãoSolução alcalina do pigmento15% de norbixinaNorbixina

Os teores e processos da tabela vêm da ficha do JECFA e das especificações do extrato de bixina e do extrato de norbixina. Para ter uma régua: a semente tem de menos de 1,8% a cerca de 6% de bixina, e o colorau, de 0,15% a 0,35%, como mostra o texto sobre urucum e colorau. O extrato é o pigmento concentrado; o colorau é o pigmento diluído em fubá.

Base bixina ou base norbixina: a escolha depende do meio do produto

A forma do corante se escolhe pelo meio em que ele vai dissolver. O extrato base bixina vai para produtos gordurosos: a EFSA cita margarinas, gorduras, queijo processado, panificação, recheios de biscoito, pipoca, salgadinhos, molhos, temperos para salada e sobremesas cremosas; em produtos aquosos, a forma indicada é a emulsão. O extrato base norbixina foi tradicionalmente usado em queijos e hoje vai para embutidos e tripas, pudins, cereais matinais, sobremesas lácteas, recheios de chocolate, peixe defumado e alimentos em pó.

A norbixina tem limites próprios. Ela precipita abaixo de pH 7 e por isso não costuma ser usada em bebidas ácidas transparentes; em alimentos ácidos com estrutura sólida funciona, porque se liga a proteínas e amido. Em água com sais metálicos, pode turvar. A química completa está em o que é norbixina e quando usar no lugar da bixina, e as aplicações por setor, em urucum em queijos e laticínios e urucum em embutidos.

Onde a ANVISA autoriza o corante de urucum (IN 211/2023)

A IN 211/2023 autoriza o extrato de urucum em dezenas de categorias de alimentos, cada uma com limite máximo expresso como bixina ou como norbixina, em miligramas por quilo do produto. Uma seleção:

Limites máximos do extrato de urucum na IN 211/2023 (mg/kg do alimento, expressos como pigmento)
CategoriaBase bixinaBase norbixinaCondição
Queijos maturados, frescos, de soro e processados2025Queijo de soro só aromatizado ou com adições
ManteigaQuantum satisQuantum satisSem número fixo
Margarinas100100
Óleos e gorduras vegetais10Não autorizadoSó em gorduras
Gelados comestíveis200200
Balas e caramelos200200
Cereais matinais2525
Massas alimentícias100100Não vale para massas com vegetais
Biscoitos1010
Produtos cárneos industrializados2020Só na superfície
Sopas e caldos150150No produto pronto para consumo
Molhos não emulsionados100100Não vale para produtos com "tomate" no nome
Bebidas não alcoólicas5050
Salgadinhos de batata, cereais ou amido2020

Como o limite é de pigmento, e não de extrato, a dose depende da concentração do produto que você compra. Num exemplo com um extrato hipotético de 50 mg de bixina por grama, o teto de 20 mg por quilo de queijo corresponde a 0,4 g de extrato por quilo. Nem tudo o que se usa lá fora vale aqui: a EFSA cita molho de tomate entre as aplicações da norbixina, e a norma brasileira não permite o urucum em molhos com "tomate" no nome.

Fora do Brasil: Estados Unidos, União Europeia e JECFA

Nos Estados Unidos, o extrato de urucum pode colorir alimentos em geral, na quantidade das boas práticas de fabricação, e é isento da certificação de lote, pela norma 21 CFR 73.30, que lista os extratores permitidos, de solução alcalina e óleos vegetais a solventes como acetona e hexano. Na União Europeia, o corante é o E 160b, com limites que vão de 10 a 50 mg por quilo conforme o alimento, segundo a EFSA.

As ingestões diárias aceitáveis são de 0 a 12 mg de bixina e de 0 a 0,6 mg de norbixina por quilo de peso pelo JECFA, e de 6 mg e 0,3 mg pela EFSA. O que isso significa para o consumo está em colorau faz mal?, e as exigências para vender o urucum lá fora, em exportação de urucum e colorau.

Como o corante de urucum aparece no rótulo

No rótulo, o corante de urucum vem no fim da lista de ingredientes, pela função seguida do nome ou do número INS. A RDC 727/2022 manda declarar os aditivos depois dos demais ingredientes, pela função tecnológica principal seguida do nome completo ou do número no Sistema Internacional de Numeração do Codex. Na prática, o consumidor encontra "corante extrato de urucum" ou "corante INS 160b", com a indicação (i) ou (ii) quando o fabricante detalha a forma. O 160b é de uma família: na IN 211/2023, o 160a é o betacaroteno, o 160c, o extrato de páprica, o 160d, o licopeno, e o 162, já fora dela, o vermelho de beterraba. As demais regras de rótulo estão em rotulagem de temperos e condimentos.

O urucum aparece muitas vezes ao lado da cúrcuma, como "corantes naturais de urucum e cúrcuma" ou "bixina e curcumina". O Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos, do Ministério da Saúde, usa um macarrão comum com essa dupla de corantes como exemplo de lista de ingredientes curta. A curcumina é o INS 100(i), extraída de rizomas de Curcuma longa, e a ANVISA não limita o número de corantes no mesmo produto, desde que cada um fique abaixo do seu limite, segundo as perguntas e respostas da ANVISA sobre aditivos.

Em cosméticos, o mesmo pigmento aparece como CI 75120, número de Colour Index que a RDC 628/2022 permite em todos os tipos de produtos; o uso nesse setor está em urucum em cosméticos.

Benefícios e limites do corante de urucum para a indústria

O principal benefício do corante de urucum é técnico: ele dá do amarelo ao vermelho com matéria-prima vegetal e brasileira, tem formas para gordura, água e pó, e é autorizado em dezenas de categorias. É o corante natural mais usado no país, com cerca de 90% do consumo de corantes naturais no Brasil, segundo Fabri e Teramoto.

Os limites também contam. O extrato resiste bem à oxidação em meio sem água, mas tem resistência mais baixa à luz; a norbixina precipita em meio ácido; e os corantes naturais custam mais que os sintéticos, como registra a Circular Técnica 22 da Embrapa. "Natural" também não é sinônimo de saudável: os corantes naturais, como os artificiais, precisam de especificação de pureza e de limites de uso, lembra a revisão de Demczuk e Ribani. Benefício à saúde, por sua vez, não tem respaldo oficial: urucum e bixina não estão na lista de constituintes autorizados em suplementos alimentares da IN 28/2018 da ANVISA, em que entram outros carotenoides, como licopeno e luteína, e as avaliações do JECFA e da EFSA tratam de segurança, e não de benefício. A comparação com cúrcuma, páprica e beterraba está em corantes naturais na indústria, e com o vermelho de origem animal, em urucum ou carmim.

O que pedir ao comprar corante de urucum

Uma especificação de corante de urucum precisa dizer forma, teor e condições de uso. Peça ao fornecedor:

  1. Forma e base. Base bixina ou base norbixina; em óleo, pó, solução alcalina ou emulsão.
  2. Teor de pigmento. Expresso como bixina ou como norbixina, com o método de análise; como ler esse número está em o que é bixina e como ler o laudo.
  3. Faixa de pH. Indispensável para a norbixina, que precipita abaixo de pH 7.
  4. Pureza. As especificações do JECFA fixam, por exemplo, até 25 mg/kg de hexano, até 30 mg/kg de acetona residual, até 3 mg/kg de arsênio e até 2 mg/kg de chumbo no extrato de bixina extraído com solvente.
  5. Carreador, validade e embalagem. Com a condição de armazenamento, de preferência longe da luz.
  6. Laudo por lote. O que deve vir na ficha técnica e no certificado está em ficha técnica e laudo.

Para quem pesquisa "corante de urucum preço", a regra é comparar pelo custo do pigmento: um extrato mais caro e mais concentrado pode sair mais barato por miligrama de cor. O que forma o valor da matéria-prima está em quanto vale o quilo do urucum.

O colorau da Graneto é tempero, e não extrato. Ele serve quando a aplicação aceita o pigmento diluído em fubá, como na cozinha profissional e em temperos; para dosar pigmento concentrado, a indústria compra o extrato de fabricantes de corante. As aplicações de cada forma estão no guia do colorau de Paranacity, e os outros usos da semente, em para que serve o urucum.

Colorau de Paranacity, do sachê de 40 g ao big bag. A Graneto envasa colorau com urucum do polo de Paranacity para varejo, food service e indústria. Peça a cotação com o volume e a especificação de que você precisa.

Conhecer o colorau de Paranacity

Perguntas frequentes

Corante de urucum é natural?

É de origem vegetal: o pigmento sai da camada que cobre a semente do urucum, extraído em óleo, em solução alcalina ou com solventes de grau alimentício. Natural, porém, não é sinônimo de saudável: o extrato é aditivo, tem especificação de pureza e limite de uso por categoria de alimento na IN 211/2023 da ANVISA.

Corante de urucum faz mal?

Nas quantidades permitidas, não, segundo as avaliações oficiais. O JECFA fixou ingestão diária aceitável de 0 a 12 mg de bixina e de 0 a 0,6 mg de norbixina por quilo de peso corporal, e a EFSA, de 6 mg e 0,3 mg. A ANVISA soma a isso limites de uso por categoria de alimento na IN 211/2023.

Urucum e colorau têm benefícios para a saúde?

O benefício reconhecido é tecnológico: dar cor natural. A bixina é um carotenoide, mas urucum e bixina não estão entre os constituintes autorizados em suplementos alimentares pela IN 28/2018 da ANVISA, lista em que entram licopeno e luteína, e as avaliações do JECFA e da EFSA tratam de segurança. Benefício à saúde não tem respaldo oficial.

O que significa INS 160a, 160b e 160c?

São corantes da família dos carotenoides na IN 211/2023: o 160a é o betacaroteno, sintético ou de origem vegetal; o 160b, o extrato de urucum, nas formas base bixina, 160b(i), e base norbixina, 160b(ii); e o 160c, o extrato de páprica. O 160d é o licopeno, e o 162, já de outra família, o vermelho de beterraba.

Qual a diferença entre corante de urucum e colorau?

O corante de urucum é o extrato concentrado do pigmento, aditivo INS 160b vendido para a indústria. O colorau é tempero: urucum em pó ou extrato misturado a fubá ou farinha de mandioca, com bem menos pigmento, entre 0,15% e 0,35% de bixina nas marcas analisadas. Um dosa cor; o outro tempera.

Quanto corante de urucum posso usar?

Depende da categoria do alimento e da concentração do extrato. A IN 211/2023 fixa limites em miligramas de pigmento por quilo do produto, como 20 mg/kg de bixina em queijos e 100 mg/kg em massas. Divida o limite pelo teor de pigmento do extrato para saber a dose máxima.

Como o corante de urucum aparece no rótulo?

Na lista de ingredientes, depois dos demais, pela função seguida do nome ou do número INS, como manda a RDC 727/2022: corante extrato de urucum ou corante INS 160b. Muitas vezes ele vem ao lado da cúrcuma, como corantes naturais de urucum e cúrcuma. Em cosméticos, o mesmo pigmento aparece como CI 75120.

Publicado em Colorau e urucum

Compartilhar no WhatsApp

Fale com a Graneto

Peça uma cotação direto da fábrica

Conte o produto, o volume e a cidade de entrega. O comercial da Graneto responde com preço, prazo e frete para a sua empresa, em qualquer estado do Brasil.

Solicite uma cotação

Para indústria, atacado, food service e varejo de todo o Brasil. Retornamos em horário comercial. Campos com * são obrigatórios.

Seus dados são usados só para o contato comercial. Veja a política de privacidade.

Fale com o comercial