Colorau e colorífico são a mesma coisa? Nome popular, nome técnico e rótulo

Dois montinhos de colorau vermelho-alaranjado num prato de cerâmica bege com uma pequena colher de madeira
Imagem ilustrativa.

Pontos principais

  • Colorau e colorífico são o mesmo produto: urucum em pó ou extrato misturado a fubá ou farinha de mandioca, com ou sem sal e óleo.
  • Colorífico é o nome técnico fixado pela Resolução CNNPA 12/1978, revogada nessa parte em 2005.
  • A RDC 716/2022 aceita a denominação consagrada pelo uso: colorau e colorífico valem no rótulo.
  • A grafia certa é colorau; "coloral" não está no dicionário e nasce da pronúncia do l final como u.
  • A Receita Federal classificou um "Corante Urucum ou Colorau" na NCM 3203.00.30, de preparações corantes.

Sim: no Brasil, colorau e colorífico são o mesmo produto, a mistura de urucum em pó ou do seu extrato em óleo com fubá ou farinha de mandioca, com ou sem sal e óleo. Colorau é o nome que a cozinha consagrou; colorífico é o nome técnico que a Resolução CNNPA 12/1978 deu ao produto.

Este texto é para quem compra, revende ou rotula colorau e precisa saber qual nome usar, o que a norma antiga exigia, o que vale hoje no rótulo, como a Receita Federal enxerga o produto e por que tanta gente escreve "coloral".

Colorífico é a denominação que a Resolução CNNPA 12/1978, do Ministério da Saúde, fixou para o produto constituído pela mistura de fubá ou farinha de mandioca com urucum em pó ou extrato oleoso de urucum, "adicionado ou não de sal e de óleos comestíveis". O mesmo texto determinava que o produto fosse "designado 'colorífico'".

Colorau é o nome que ficou na boca do consumidor. O artigo de Fabri e Teramoto na Horticultura Brasileira descreve o colorífico como o produto "popularmente conhecido como colorau", feito a partir da mistura de fubá com o urucum em pó ou extrato oleoso. Nas casas, no cardápio e na gôndola, quase ninguém pede colorífico.

O nome técnico tem lógica. Nos dicionários, colorífico é adjetivo e quer dizer "que produz cor", do latim color com o sufixo -fico, como registra o Dicionário Priberam. Já o Michaelis define colorau como o pó avermelhado preparado com pimentão seco "ou também com o arilo da semente do urucuzeiro". Essa dupla definição explica boa parte da confusão com a páprica, que tem um texto próprio sobre a diferença entre colorau e páprica e a origem da confusão.

O que a Resolução CNNPA 12/1978 exigia do colorífico

A resolução de 1978 não fixava teor mínimo de urucum nem de bixina, mas trazia limites físico-químicos, microbiológicos e de rotulagem. A tabela resume o que o texto pedia ao colorífico:

Requisitos do colorífico na Resolução CNNPA 12/1978 (revogada nessa parte)
RequisitoO que a norma pedia
Aspecto e corPó fino, cor alaranjada
AcidezNo máximo 5 mL de solução normal por 100 g
Substâncias voláteis a 105 °C (umidade)No máximo 12%
Cloreto de sódio (sal)No máximo 10%
AmidoNo máximo 78%
Coliformes de origem fecalAusência em 1 g
SalmonelaAusência em 25 g
RótuloDenominação "Colorífico" e declaração do teor de sal adicionado

O limite de amido revela a receita: quase quatro quintos do produto podiam ser amido, o que só acontece porque o carreador, fubá ou farinha de mandioca, é a maior parte da mistura. O urucum entra em proporção pequena, porque o pigmento é concentrado. Quanto dele vai no pacote e por que o fubá está ali são assuntos do texto sobre a diferença entre urucum e colorau, da semente ao tempero.

Essa parte da resolução foi revogada em 2005. Hoje especiarias, temperos e molhos seguem a RDC 716/2022 da ANVISA, que não traz requisito específico para o colorífico: não há, nela, limite próprio de umidade, de sal ou de teor de bixina para o colorau. Os padrões microbiológicos, de contaminantes e de matérias estranhas passaram a vir das normas gerais que a própria RDC 716/2022 manda observar.

Que nome a ANVISA aceita hoje no rótulo do colorau?

A ANVISA aceita tanto colorau quanto colorífico, porque a regra atual admite a denominação consagrada pelo uso. A RDC 716/2022 manda que especiarias sejam vendidas pelo nome comum da espécie vegetal e que as misturas se chamem "Tempero" ou "Condimento preparado", seguido do ingrediente que as caracteriza. O parágrafo único do artigo 11 permite substituir essas denominações por uma "denominação consagrada pelo uso".

O urucum está na lista oficial: a IN 159/2022 da ANVISA autoriza as sementes de Bixa orellana como especiaria. O colorau é, portanto, uma mistura de especiaria com fubá, e os dois nomes populares cabem na regra. A RDC 727/2022, que trata da rotulagem de todo alimento embalado, também permite que a denominação venha acompanhada de nomes consagrados, de fantasia ou da marca. Para entender onde o colorau se encaixa nas categorias oficiais, veja a diferença entre especiaria, condimento e tempero segundo a ANVISA.

O que a norma de 1978 exigia e a atual não exige é a declaração do teor de sal. Hoje o sal aparece na lista de ingredientes, que segue a ordem decrescente de proporção, como em qualquer alimento embalado. Os demais itens obrigatórios estão no guia sobre o que a ANVISA exige no rótulo de temperos e condimentos.

Coloral está certo? A grafia correta é colorau

A grafia correta é colorau, com u no fim, e o plural é coloraus. A forma "coloral" não aparece no dicionário: a busca no Priberam devolve "palavra não encontrada". A troca vem da pronúncia. No português do Brasil, o l em fim de sílaba soa como u, e por isso colorau e "coloral" soam iguais para quem ouve. Na mesma prateleira, as outras dúvidas de grafia se resolvem pelo acento: colorífico, páprica e fubá são acentuados.

Outro nome comum na embalagem é "corante urucum". A Receita Federal usou essa expressão na Solução de Consulta Cosit 98.327/2022, ao classificar um "Corante Urucum ou Colorau" em pó, feito com extrato da semente de urucum, fubá de milho e óleo de soja. O código atribuído foi a NCM 3203.00.30, do capítulo de matérias corantes, e não um código de tempero. A classificação de cada produto é responsabilidade do contador ou do despachante, e o texto sobre a NCM de temperos e condimentos reúne os outros códigos do setor.

Vale não confundir o nome comercial com o aditivo. O corante de urucum concentrado da indústria, o INS 160b, é um extrato vendido para fábricas de queijo, embutidos e massas, e não o pó de cozinha.

Colorau, colorífico, urucum e corante: o que cada nome designa

Cada nome aponta para um produto ou para uma etapa da cadeia do urucum. A tabela ajuda a separar o que é sinônimo do que é outra coisa:

NomeO que éOnde aparece
ColorauNome popular do colorífico no BrasilCozinha, gôndola e rótulo, como denominação consagrada
ColoríficoNome técnico da mistura de urucum com fubá ou farinha de mandiocaNorma de 1978, rótulos e literatura técnica
UrucumA planta Bixa orellana e a sua semente, especiaria autorizadaMatéria-prima do colorau e dos corantes
Corante de urucum (INS 160b)Extrato concentrado do pigmentoIndústria de alimentos, como aditivo
Colorau em PortugalPimentão seco e moído, a pápricaReceitas portuguesas

O urucum também tem mais de um nome. No Brasil, ele é chamado de urucu, açafrão e açafroa, nos países de língua espanhola, de achiote, e no comércio internacional, de annatto, segundo a revisão de Vilar e colegas (2014), que dá a origem tupi da palavra urucum: "ru-ku", vermelho. Daí outra confusão. Na lista da IN 159/2022, o açafrão é o estigma da flor de Crocus sativus, e a cúrcuma, que muita gente chama de açafrão-da-terra, é o rizoma de Curcuma longa: duas especiarias diferentes do urucum e entre si.

A própria CNNPA 12/1978 dizia que o pimentão moído podia ser designado "pimentão moído", "páprica" ou "colorau". Quem segue receita portuguesa precisa de páprica, e não de urucum. Em todos os produtos de urucum, quem dá a cor é a bixina, o pigmento que define a cor e o rendimento do colorau. E se a dúvida é sobre o uso na panela, o texto sobre para que serve o colorau na cozinha e na indústria responde receita por receita.

Como conferir se o colorau que você compra é de urucum

O colorau de urucum se reconhece pela lista de ingredientes: urucum, ou extrato de urucum, e fubá ou farinha de mandioca, com ou sem sal e óleo. Antes de fechar uma compra para revenda ou para a cozinha, confira:

  1. Ingredientes. Urucum e o carreador precisam estar declarados. Se aparecer pimentão ou páprica, o produto é outro.
  2. Carreador. Fubá é o mais comum; ele e a farinha de milho são o mesmo produto na norma, como explica o texto sobre farinha de milho e fubá.
  3. Sal. Se o colorau tiver sal, ele estará na lista. Em receitas com sódio controlado, prefira a versão sem sal ou desconte o sal do preparo.
  4. Glúten. Urucum e fubá não têm glúten, mas a Lei 10.674/2003 obriga o rótulo a dizer "contém" ou "não contém glúten". O risco está na contaminação cruzada, tema do texto sobre se temperos têm glúten.
  5. Teor de bixina. Como não existe mínimo legal, a cor muda de marca para marca: sete marcas analisadas por Tocchini e Mercadante tinham de 154 a 354 mg de bixina por 100 g, e os rótulos não informavam nem a porcentagem de urucum nem o teor de bixina.

Para quem compra em volume, o laudo do lote é o documento que permite comparar fornecedores, e ele pesa no preço tanto quanto a embalagem e o frete, como mostra o texto sobre o que forma o preço do colorau no atacado. As etapas de fabricação, da semente seca ao pacote, estão em como o colorau é feito.

A Graneto envasa colorau com urucum do polo de Paranacity, no Noroeste do Paraná, do sachê de 40 g ao big bag, e envia o laudo de bixina do lote sob pedido. Os formatos e o que muda em cada um estão no guia do colorau de Paranacity, e os outros itens da fábrica, na linha de condimentos e especiarias. Para ler mais sobre o tema, o acervo reúne todos os textos sobre colorau e urucum.

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Perguntas frequentes

Como se escreve: colorau ou coloral, com u ou com l?

Colorau, com u no final, e o plural é coloraus. A forma coloral não aparece no dicionário e surge porque, no português do Brasil, o l em fim de sílaba é pronunciado como u. Em rótulo, cardápio ou nota fiscal, use colorau ou o nome técnico, colorífico.

Colorífico tem pimenta?

Não. O colorífico de urucum, o colorau brasileiro, é feito de urucum em pó ou extrato com fubá ou farinha de mandioca, com ou sem sal e óleo, e não leva pimenta. Se o rótulo trouxer pimentão ou páprica, trata-se de outro produto, mais próximo do colorau português, que é pimentão moído.

Colorífico e corante de urucum são a mesma coisa?

Não exatamente. Colorífico é a mistura de urucum com fubá usada como tempero. O corante de urucum da indústria é o extrato concentrado do pigmento, o INS 160b, vendido como aditivo. Alguns rótulos chamam o colorau de corante urucum, e a Receita Federal já usou essa expressão para um colorau em pó.

Colorau e açafrão são a mesma coisa?

Não. O colorau é feito de urucum, Bixa orellana, e dá cor alaranjada a avermelhada. O açafrão verdadeiro é o estigma da flor de Crocus sativus, e a cúrcuma, ou açafrão-da-terra, é o rizoma de Curcuma longa, de cor amarela e sabor mais marcado. A confusão tem razão: em algumas regiões, o próprio urucum é chamado de açafrão ou açafroa.

Qual é o outro nome do açafrão?

Depende de qual açafrão. O que muita gente chama de açafrão no Brasil é a cúrcuma, também conhecida como açafrão-da-terra, o rizoma da Curcuma longa. O açafrão verdadeiro é o estigma da flor de Crocus sativus. Os dois estão na lista de especiarias da IN 159/2022 da ANVISA, como produtos diferentes do urucum, que em algumas regiões também é chamado de açafroa.

Qual é o nome popular do urucum?

Urucum e urucu são os nomes mais comuns no Brasil, e a planta também é chamada de urucuzeiro; em algumas regiões, aparece como açafrão ou açafroa. Fora do país, é o annatto do comércio internacional e o achiote dos países de língua espanhola. O nome científico é Bixa orellana, e a palavra urucum vem do tupi ru-ku, que quer dizer vermelho.

Existe teor mínimo de bixina para o colorífico?

Não. A Resolução CNNPA 12/1978 não exigia teor de corante e foi revogada nessa parte em 2005, e a RDC 716/2022, que regula os temperos hoje, não traz requisito específico para o colorífico. Por isso a intensidade da cor varia entre marcas, e o laudo de bixina do lote é o que permite comparar.

Publicado em Colorau e urucum

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