Colorau e urucum
Indicação Geográfica do urucum de Paranacity: o que muda para quem compra
Pontos principais
- Indicação de Procedência concedida pelo INPI em 6 de maio de 2025, registro BR402023000013-0, a primeira do Brasil para o urucum.
- Vale só para urucum Piave e Piave Anão de Paranacity e Cruzeiro do Sul, com bixina igual ou superior a 5% nas sementes.
- O selo prova origem e bixina mínima da semente; não prova o teor de bixina de um colorau, que vem diluído em fubá ou óleo.
- Usar o nome Paranacity sem direito, ou com "tipo" e "semelhante" sem ressalva, é crime previsto na Lei 9.279/1996.
- A área da IG colheu 1.502 toneladas em 2025, 88% do urucum do Paraná, segundo o IBGE.
A Indicação Geográfica do urucum de Paranacity é uma Indicação de Procedência concedida pelo INPI em 6 de maio de 2025, a primeira do Brasil para o fruto. Ela vale para urucum das variedades Piave e Piave Anão colhido em Paranacity e Cruzeiro do Sul (PR), com bixina igual ou superior a 5% nas sementes, conforme o caderno de especificações técnicas.
Este texto é para quem compra urucum ou colorau (que não são a mesma coisa, como mostra a diferença entre urucum e colorau) para a indústria, para revender ou para cozinhar em escala e quer saber o que o selo prova, o que ele não prova e como conferir se um lote tem direito a ele. A base é o registro publicado pelo INPI, o caderno da associação de produtores e a Lei de Propriedade Industrial.
O que é a Indicação Geográfica do urucum de Paranacity?
A Indicação Geográfica do urucum de Paranacity é o registro, no INPI, do nome "Paranacity" como origem reconhecida de urucum, na espécie Indicação de Procedência. O pedido BR402023000013-0 foi depositado em 23 de agosto de 2023 pela Associação dos Produtores de Urucum de Paranacity (APRUCITY) e concedido na Revista da Propriedade Industrial de 6 de maio de 2025. A ficha técnica do registro delimita a área: os territórios inteiros de Paranacity e de Cruzeiro do Sul, no Noroeste do Paraná.
Cruzeiro do Sul quase ficou de fora. Durante o exame, o INPI exigiu provas de que o nome Paranacity também identifica o urucum do município vizinho, e avisou que, sem elas, Cruzeiro do Sul seria excluído da área. A associação mostrou que os dois municípios nasceram de Nova Esperança, que são limítrofes e que vários produtores têm terras nos dois, e a exigência foi dada como cumprida no relatório publicado com a concessão.
O trabalho levou cerca de dois anos e reuniu a associação, o Sebrae/PR, as duas prefeituras, o IDR-Paraná, a Secretaria da Agricultura do estado e a Universidade Estadual de Maringá, segundo a Agência Sebrae. Como a cultura chegou ao município em 1981 e virou o "ouro vermelho" da região está em a história do urucum em Paranacity.
Indicação de Procedência reconhece a fama do lugar, não a exclusividade do solo
A Indicação de Procedência reconhece que um lugar ficou conhecido como centro de produção de um produto; a Denominação de Origem exige que as qualidades do produto se devam essencialmente ao meio geográfico. As duas espécies estão nos artigos 177 e 178 da Lei 9.279/1996, a Lei de Propriedade Industrial. O urucum de Paranacity é Indicação de Procedência.
| Indicação de Procedência (IP) | Denominação de Origem (DO) | |
|---|---|---|
| O que reconhece | Nome de lugar conhecido como centro de produção, extração ou fabricação | Nome de lugar cujo produto tem qualidades devidas ao meio geográfico |
| Base legal | Artigo 177 da Lei 9.279/1996 | Artigo 178 da Lei 9.279/1996 |
| Prova principal | Notoriedade do lugar e regras de produção no caderno | Vínculo entre fatores naturais e humanos do lugar e as qualidades do produto |
| Caso do urucum de Paranacity | Sim, registro concedido em 2025 | Não |
Na compra, a diferença tem consequência prática: o selo prova a origem e o cumprimento do caderno, não que a bixina alta dependa só daquele solo. A mesma cultivar Piave rende cerca de 1,75% de bixina no Nordeste e até 6% no Paraná, segundo a revisão de Demczuk e Ribani; variedade, manejo, clima e secagem pesam juntos. Por isso o caderno amarra o selo a práticas de colheita e secagem, além do teor mínimo.
Quais regras o urucum precisa cumprir para levar o selo?
O urucum com selo precisa ser Piave ou Piave Anão, vir da área delimitada, ser colhido com umidade controlada e frutos granados, secar por cerca de 20 dias e ter bixina igual ou superior a 5%. Os parâmetros estão no artigo 10 do caderno registrado no INPI, que também impõe obrigações a quem beneficia o urucum:
- o produtor precisa estar credenciado na associação e manter o caderno de campo atualizado;
- o beneficiador precisa ser capacitado em Boas Práticas de Fabricação e aceitar auditoria;
- o Conselho Regulador faz análises sensoriais ou laboratoriais aleatórias do produto final e auditorias nas áreas de produção;
- os lotes com Indicação Geográfica ficam armazenados separados dos demais;
- o produtor assina termos de responsabilidade socioambiental e de boas práticas de produção.
A exigência de bixina coloca a semente do selo acima das réguas usuais do mercado: a Embrapa classifica como Tipo 1 a semente com mais de 2,5% de bixina, e o mercado de exportação passou a pedir no mínimo 4%, segundo Fabri e Teramoto. O que cada régua significa e como ler o número do laboratório estão no guia o que é bixina e como ela define o colorau.
Para quem vai plantar, a regra começa na muda: só as variedades Piave e Piave Anão dão direito ao selo. A forma de propagação mais usada é por semente, e um quilo de sementes rende cerca de 20 mil mudas, segundo o manual da Embrapa sobre a cultura do urucum, que recomenda procurar um órgão oficial na hora de adquirir as sementes para plantio.
O controle cabe ao Conselho Regulador da associação, com pelo menos cinco membros e maioria de produtores de urucum, de acordo com a ficha técnica. Ele emite o selo de controle em quantidade proporcional à produção de cada produtor inscrito, com numeração sequencial ou QR Code, e pode advertir, suspender e mandar retirar do mercado o produto de quem descumprir o caderno.
Quem pode usar o nome Paranacity no rótulo?
Só os produtores estabelecidos na área delimitada, que cumprem o caderno e têm o uso aprovado pelo Conselho Regulador, podem usar a Indicação de Procedência "Paranacity" para urucum. A regra vem do artigo 182 da Lei de Propriedade Industrial e do artigo 7º do caderno. O usuário autorizado não pode conceder licença a terceiros, e qualquer publicidade com a representação gráfica da IG depende de consentimento da associação.
Além do selo próprio, o produto pode trazer o Selo Brasileiro de Indicações Geográficas, criado pela Portaria INPI/PR 46/2021, de uso gratuito e facultativo para quem tem direito à IG, como explica o Manual de Indicações Geográficas do INPI.
Usar o nome sem direito é crime. A Lei 9.279/1996 pune quem fabrica, vende, expõe ou mantém em estoque produto com falsa indicação geográfica (artigo 192) e quem usa termos como "tipo", "espécie" ou "semelhante" sem ressalvar a verdadeira procedência (artigo 193). Um rótulo de "urucum tipo Paranacity" com semente de outra região é exatamente o caso descrito na lei. Quem monta rótulo de condimento encontra as demais exigências em rotulagem de temperos e condimentos.
O que o selo garante e o que ele não garante?
O selo garante origem, variedade, manejo de colheita e secagem e bixina mínima no lote de semente; ele não garante a cor de um colorau feito com essa semente. Vale separar as duas listas antes de negociar.
O selo garante:
- que o urucum veio de Paranacity ou de Cruzeiro do Sul e de produtor credenciado;
- que a semente é Piave ou Piave Anão e seguiu as regras de colheita e secagem do caderno;
- que o lote atingiu o teor mínimo de bixina exigido;
- rastreabilidade por lote, com selo numerado e armazenamento segregado.
O selo não garante:
- O teor de bixina do colorau. No colorau, o urucum vem diluído em fubá ou óleo: sete marcas de colorífico analisadas por Tocchini e Mercadante tinham entre 0,15% e 0,35% de bixina. O que decide a cor do produto pronto é a formulação, e o caminho da semente ao pacote está em como o colorau é feito.
- O teor depois de meses de estoque. A bixina cai com o armazenamento: num estudo publicado na revista Ciência Florestal, o teor decresceu entre 30 e 120 dias de estocagem. Os cuidados estão em como armazenar colorau e urucum.
- Preço. A Indicação Geográfica não fixa valor; o que forma o preço da semente está em quanto vale o quilo do urucum.
- Que o urucum sem selo da mesma região seja inferior. A adesão ao caderno é voluntária, segundo o artigo 10 dele; um lote sem selo pode só não estar inscrito.
Como comprar urucum com Indicação Geográfica sem cair em promessa?
Para comprar urucum com Indicação Geográfica, peça o selo de controle do lote, o laudo de bixina desse mesmo lote e a confirmação de que produtor e beneficiador estão autorizados. O roteiro abaixo serve para semente, pó ou extrato:
- Selo do lote. Peça a numeração ou o QR Code do selo de controle e o nome do produtor credenciado.
- Laudo do lote, não da região. O teor mínimo vale para a semente analisada; confira método, base seca ou úmida e data. O que exigir no documento está em ficha técnica e laudo do fornecedor.
- Autorização do beneficiador. Se o urucum chega moído ou extraído, quem processou precisa estar entre os beneficiadores capacitados e auditáveis previstos no caderno. Na dúvida, consulte a APRUCITY, que responde pela IG perante o INPI.
- Segregação no seu estoque. Mantenha os lotes com selo separados e identificados, como o caderno exige na origem.
- Colorau com o nome da IG. Um colorau só pode exibir o selo se o lote de urucum tiver direito a ele e o uso for autorizado pela associação. Pergunte isso por escrito ao fabricante.
Comprar de uma fábrica instalada no polo, como a Graneto, em Paranacity, encurta a cadeia até a semente. Ainda assim, o selo é concedido lote a lote pelo Conselho Regulador, e a regra de pedir a comprovação vale para qualquer fornecedor, perto ou longe; prazos e frete para outros estados estão em entrega para todo o país. As embalagens e o laudo do colorau da fábrica estão na página do colorau de Paranacity.
Paranacity e Cruzeiro do Sul colheram 88% do urucum do Paraná em 2025
A área da Indicação Geográfica colheu 1.502 toneladas de urucum em 2025, 88% da produção paranaense e 10,5% da brasileira. Paranacity respondeu por 977 toneladas, o maior volume entre todos os municípios do país, e Cruzeiro do Sul por 525, segundo a Produção Agrícola Municipal do IBGE (tabela 1613). Estados, municípios e a série histórica estão em produção de urucum no Brasil.
A maior parte dessa semente sai da região sem beneficiamento: cerca de 80% da produção de Paranacity vai para indústrias de corante de São Paulo, e o restante para fábricas de colorau, segundo reportagem da Folha de Londrina de julho de 2026. Para quem compra corante de urucum (INS 160b), o selo ajuda a rastrear a semente até o produtor; para quem pensa em vender para fora, as exigências de documentação estão em exportação de urucum e colorau. Outros textos sobre a cultura estão reunidos no tema colorau e urucum.
Colorau de Paranacity, do sachê de 40 g ao big bag. A Graneto envasa colorau com urucum do polo de Paranacity para varejo, food service e indústria. Peça a cotação com o volume e a especificação de que você precisa.
Conhecer o colorau de ParanacityPerguntas frequentes
Todo colorau feito em Paranacity tem o selo da Indicação Geográfica?
Não. O selo é concedido pelo Conselho Regulador ao urucum que cumpre o caderno de especificações, e a adesão dos produtores é voluntária. Um colorau só pode exibir a Indicação Geográfica se o lote de urucum tiver direito a ela e o uso for autorizado pela associação. Peça ao fornecedor a comprovação do selo do lote.
Cruzeiro do Sul faz parte da Indicação Geográfica Paranacity?
Sim. A área delimitada inclui os territórios inteiros de Paranacity e de Cruzeiro do Sul. No exame, o INPI exigiu provas de que o nome Paranacity também identifica o urucum do vizinho, e a associação mostrou a origem comum dos dois municípios e os produtores com terras em ambos.
Que muda de urucum o produtor precisa plantar para ter o selo?
Muda das variedades Piave ou Piave Anão, as únicas aceitas pelo caderno da Indicação Geográfica, plantada em Paranacity ou em Cruzeiro do Sul por produtor credenciado na APRUCITY. A Embrapa aponta a semente como a forma mais usada de propagação, com cerca de 20 mil mudas por quilo, e recomenda comprar o material de plantio de origem oficial.
Quem controla o uso do selo do urucum de Paranacity?
O Conselho Regulador da Associação dos Produtores de Urucum de Paranacity, a APRUCITY, que responde pela Indicação Geográfica perante o INPI. Ele tem pelo menos cinco membros, com maioria de produtores, emite os selos de controle, faz auditorias e análises aleatórias e pode suspender quem descumprir o caderno.
A Indicação Geográfica deixa o urucum mais caro?
Não necessariamente. A Indicação Geográfica não fixa preço. Produtores e Sebrae esperam mais valor agregado e acesso a novos mercados, mas o preço da semente continua dependendo de oferta, demanda e teor de bixina do lote. Para comparar ofertas, pese o laudo de bixina e a regularidade de fornecimento.
Existe outra Indicação Geográfica de urucum no Brasil?
Segundo a Agência Sebrae, a de Paranacity, concedida em maio de 2025, é a primeira do Brasil para o fruto, e a Folha de Londrina a descreveu em julho de 2026 como a primeira e única. Antes de afirmar exclusividade em material comercial, confira a lista atualizada no portal do INPI.
Publicado em Colorau e urucum
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