Colorau e urucum
Preço do urucum por kg: quanto vale o quilo da semente e o que forma o valor
Pontos principais
- Pela PAM do IBGE, o urucum valeu em média R$ 12,72 o quilo ao produtor no Brasil em 2025 e R$ 16,90 no Paraná.
- O preço médio nacional de 2025 foi 3,5 vezes o de 2020, em valores correntes.
- Pelo pigmento, semente de 5% de bixina a R$ 15 o quilo custa o mesmo que semente de 3% a R$ 9.
- O urucum não tem cotação diária oficial: o comprador acompanha a PAM e amarra o preço ao teor de bixina do lote.
O preço médio do quilo do urucum em semente foi de R$ 12,72 ao produtor no Brasil em 2025, e de R$ 16,90 no Paraná, pela conta feita com a Produção Agrícola Municipal do IBGE. É uma média anual, não uma cotação: o valor de cada lote depende sobretudo do teor de bixina, da safra e da demanda das indústrias de corante.
Este texto mostra de onde vem esse número e como refazer a conta, como o preço mudou de 2015 a 2025, por que a bixina vale mais que o peso e o que pedir numa negociação. Não há aqui cotação do dia: o urucum não tem indicador diário oficial, e qualquer valor de balcão muda de lote para lote e de mês para mês.
O preço do urucum ao produtor sai da Produção Agrícola Municipal do IBGE
A referência oficial de preço do urucum é anual e vem da Produção Agrícola Municipal (PAM). Para cada município, a pesquisa informa a quantidade colhida e o valor da produção, que é a produção multiplicada pelo preço médio pago ao produtor; esse preço médio é a média dos preços recebidos pelos produtores do município, ponderada pelas quantidades colhidas no ano, como definem as notas técnicas da PAM 2025.
Como o IBGE publica o valor e a quantidade, dá para voltar ao preço. Em 2025, o Brasil colheu 14.276 toneladas de urucum, com valor da produção de R$ 181.661 mil, segundo a tabela 1613 do SIDRA. A conta é:
| Passo | Conta | Resultado |
|---|---|---|
| Valor em reais | 181.661 mil × 1.000 | R$ 181.661.000 |
| Reais por tonelada | R$ 181.661.000 ÷ 14.276 t | R$ 12.725 por tonelada |
| Reais por quilo | R$ 12.725 ÷ 1.000 | R$ 12,72 por quilo |
A mesma conta dá R$ 16,90 por quilo no Paraná (R$ 28.856 mil por 1.707 toneladas) e R$ 17,00 em Paranacity (R$ 16.609 mil por 977 toneladas), o município que mais produziu urucum no país em 2025, segundo os mesmos dados do IBGE. Os números do polo estão no guia do colorau de Paranacity.
De 2015 a 2025, o preço médio do urucum mais que triplicou
O preço do urucum oscila muito de um ano para o outro. A tabela traz a série calculada com a PAM, em reais correntes, sem correção pela inflação:
| Ano | Produção no Brasil | Brasil (R$/kg) | Paraná (R$/kg) |
|---|---|---|---|
| 2015 | 14.420 t | 3,88 | 3,08 |
| 2016 | 12.817 t | 3,95 | 4,00 |
| 2017 | 13.363 t | 6,21 | 6,41 |
| 2018 | 16.613 t | 4,91 | 4,54 |
| 2019 | 15.637 t | 3,09 | 2,46 |
| 2020 | 13.666 t | 3,59 | 3,96 |
| 2021 | 12.252 t | 5,68 | 8,76 |
| 2022 | 11.846 t | 7,99 | 12,65 |
| 2023 | 13.075 t | 12,37 | 15,00 |
| 2024 | 12.779 t | 13,01 | 17,50 |
| 2025 | 14.276 t | 12,72 | 16,90 |
Três leituras saem da série do IBGE. Primeiro, o preço médio nacional de 2025 foi 3,5 vezes o de 2020. Segundo, o Paraná recebeu acima da média do país em todos os anos desde 2020, e em 2025 a diferença foi de 33%. Terceiro, a oferta pesa: o maior volume da série, em 2018, veio com queda de preço, e o menor, em 2022, com alta. A PAM registra o resultado, mas não explica as causas de cada ano.
Dentro do ano, a variação também é grande. Esses relatos não são cotação oficial, mas mostram a oscilação: em maio de 2025, a Agência Sebrae registrou que, "em anos de preço bom", o quilo em Paranacity sai a cerca de R$ 22; em julho de 2026, um produtor do município contou à Folha de Londrina ter recebido R$ 24 por quilo no início de 2025 e R$ 12,50 em julho de 2026.
A bixina é o que mais pesa no preço de cada lote
O preço médio do IBGE mistura lotes bons e ruins; na negociação, a semente vale pelo pigmento que carrega. As réguas do mercado são conhecidas:
- Classificação da Embrapa: a semente Tipo 1 tem bixina acima de 2,5%, e a que fica abaixo de 1,8% está fora de especificação, segundo a Circular Técnica 22.
- Dificuldade de venda: sementes com menos de 2,5 g de bixina por 100 g "encontram dificuldades de comercialização", por reduzirem o rendimento industrial, segundo o estudo do IAC publicado na Bragantia.
- Exportação: o tipo exportação pede no mínimo 4% de bixina, segundo Fabri e Teramoto.
- Indicação Geográfica: a semente de Paranacity com o selo precisa ter bixina igual ou superior a 5%, pelo caderno do INPI.
A conta que a indústria faz é o preço por quilo de pigmento, e não por quilo de semente. O exemplo abaixo usa um preço hipotético e ignora as perdas de extração:
| Bixina na semente | Semente para 1 kg de bixina | Custo por kg de bixina |
|---|---|---|
| 2,5% | 40,0 kg | R$ 600 |
| 3% | 33,3 kg | R$ 500 |
| 4% | 25,0 kg | R$ 375 |
| 5% | 20,0 kg | R$ 300 |
Lida ao contrário, a tabela diz que, pelo pigmento, uma semente de 5% a R$ 15 custa o mesmo que uma de 3% a R$ 9. Por isso a semente rica em bixina pode valer até cerca de dois terços a mais por quilo sem ficar mais cara para quem extrai. O pigmento não é o único fator: no estudo do IAC na Bragantia, uma amostra rica em bixina, mas com 3,98% de lipídios, foi apontada como difícil para a extração alcalina, a mais usada pelas indústrias de corante, e interessante para quem extrai em óleo. O que é a bixina e como ler o laudo está em o que é bixina.
Município, destino da safra e época de colheita também mudam o preço
O preço médio muda muito de um município para outro, mesmo entre grandes produtores. Entre os sete maiores de 2025, a conta com os dados do IBGE dá:
| Município | Produção | Preço médio (R$/kg) |
|---|---|---|
| Paranacity (PR) | 977 t | 17,00 |
| Monte Castelo (SP) | 874 t | 15,80 |
| Felício dos Santos (MG) | 816 t | 9,25 |
| Tupi Paulista (SP) | 786 t | 16,00 |
| São João do Pau d'Alho (SP) | 699 t | 12,40 |
| Valença (BA) | 549 t | 2,19 |
| Cruzeiro do Sul (PR) | 525 t | 17,00 |
A PAM não mede bixina nem explica a diferença. Teor de pigmento, distância até as indústrias e canal de venda são explicações possíveis, que o comprador precisa confirmar lote a lote. O destino pesa: cerca de 80% da produção de Paranacity vai para as indústrias de corante de São Paulo, e o restante para fábricas de colorau, segundo o agrônomo da Secretaria de Agricultura do município ouvido pela Folha de Londrina. Essa demanda, a do corante de urucum INS 160b, disputa a semente com o colorau; os setores que compram o corante estão em para que servem a semente, o pó e o extrato de urucum. E o preço acima da média faz do Paraná, quarto estado em quantidade, o segundo em valor da produção.
A época conta. No Paraná, a colheita principal vai de junho a julho, e uma segunda acontece entre novembro e dezembro, segundo a revisão de Demczuk e Ribani. Comprar perto da colheita permite escolher lotes recém-secos, e isso importa porque a bixina cai com o tempo de armazenamento; o cuidado no estoque está em como armazenar colorau e urucum sem perder a cor. O mapa completo da produção está em produção de urucum no Brasil, e a origem do polo paranaense, em a história do urucum em Paranacity.
Por que não existe cotação diária do urucum
O urucum não tem cotação diária oficial porque é um mercado pequeno e negociado direto entre produtores e indústrias. As planilhas de preços recebidos pelo produtor do Deral, da Secretaria da Agricultura do Paraná, não incluem o urucum, e a produção nacional inteira ficou em cerca de 14 mil toneladas em 2025, segundo o IBGE. Os produtores de Paranacity vendem quase toda a produção para São Paulo, registra a Agência Sebrae.
No varejo também não há índice da semente: o IPCA do IBGE acompanha o preço do colorau, na tabela 7060 do SIDRA, e não o do urucum. Quem compra 1 kg ou 5 kg de urucum em semente numa loja paga, além do valor recebido pelo produtor, a limpeza, a embalagem, o frete e a margem do varejo, e por isso o preço de prateleira não se compara com a média da PAM.
Na prática, o comprador acompanha a PAM, que sai uma vez por ano, pede mais de uma cotação e amarra o preço ao teor de bixina do lote. Quem compra para exportar encontra as exigências do mercado externo em exportação de urucum e colorau, e quem compra pela origem, o que o selo garante em Indicação Geográfica do urucum de Paranacity.
Como comprar urucum sem pagar caro por pouca bixina
Uma boa compra de urucum compara propostas pelo pigmento, e não pelo peso. Antes de fechar, peça e confira:
- Laudo do lote. Teor de bixina, método, base seca ou úmida e identificação do lote; o que mais pedir está em ficha técnica e laudo.
- Umidade e impurezas. O Tipo 1 da Embrapa tem umidade abaixo de 10% e impurezas abaixo de 5%.
- Data de colheita. Lote recente conserva mais pigmento do que lote guardado por meses.
- Embalagem. A Embrapa recomenda sacos escuros de polietileno, de juta ou de malva, de até 50 kg, empilhados sobre estrados.
- Frete. Para quem está longe do Paraná ou de São Paulo, o transporte entra na conta; as opções estão em frete de alimentos para outros estados.
- Preço por quilo de bixina. Divida o preço do quilo pelo teor do laudo e compare as propostas por esse número.
Se o que você precisa é do urucum já transformado em colorau, a conta é outra: entram o carreador, a embalagem, o frete e os impostos, como explica o texto sobre o preço do colorau no atacado. A Graneto envasa colorau com urucum de Paranacity, ao lado dos outros itens da linha de condimentos, e não publica preços; o valor sai na cotação, de acordo com volume, embalagem e cidade. A diferença entre comprar a semente e comprar o tempero está em urucum e colorau são a mesma coisa?, e os demais textos do tema estão reunidos em colorau e urucum.
Colorau de Paranacity, do sachê de 40 g ao big bag. A Graneto envasa colorau com urucum do polo de Paranacity para varejo, food service e indústria. Peça a cotação com o volume e a especificação de que você precisa.
Conhecer o colorau de ParanacityPerguntas frequentes
Quanto custa o quilo do urucum?
Não há cotação diária oficial. A referência é anual: pela Produção Agrícola Municipal do IBGE, o preço médio ao produtor foi de R$ 12,72 o quilo no Brasil em 2025 e de R$ 16,90 no Paraná. Cada lote, porém, é negociado pelo teor de bixina, pela safra e pela demanda das indústrias de corante.
Qual foi o preço do urucum por kg em 2024 e em 2023?
Pela conta com a Produção Agrícola Municipal do IBGE, o preço médio ao produtor foi de R$ 13,01 o quilo no Brasil em 2024 e de R$ 12,37 em 2023; no Paraná, de R$ 17,50 e de R$ 15,00. São médias anuais em valores correntes, calculadas pelo valor da produção dividido pela quantidade, e não a cotação de um lote.
Quanto custa 1 kg de urucum em semente no varejo?
Não há índice oficial para a semente no varejo: o IPCA do IBGE acompanha o colorau, e não o urucum, e a PAM mede o preço pago ao produtor. O preço de prateleira de 1 kg ou 5 kg de semente soma a esse valor limpeza, embalagem, frete e margem da loja, e por isso não se compara com a média do IBGE.
Como calcular o preço do urucum com os dados do IBGE?
Na tabela 1613 do SIDRA, multiplique o valor da produção, que vem em mil reais, por mil e divida pela quantidade em toneladas: o resultado é o preço por tonelada. Divida por mil para ter o preço por quilo. Em 2025, R$ 181.661 mil divididos por 14.276 toneladas dão R$ 12,72 por quilo.
Por que o urucum do Paraná vale mais?
A PAM não explica a causa, mas o preço médio do Paraná ficou acima da média nacional em todos os anos desde 2020. Teor de bixina e demanda das indústrias de corante pesam: a Indicação Geográfica de Paranacity exige bixina igual ou superior a 5%, e cerca de 80% da produção do município vai para indústrias de São Paulo.
Qual teor de bixina o comprador deve exigir?
Depende do uso. A semente Tipo 1 da Embrapa tem bixina acima de 2,5%, o tipo exportação pede no mínimo 4% e a Indicação Geográfica de Paranacity exige 5% ou mais. Para comparar propostas, divida o preço do quilo pelo teor do laudo e escolha pelo custo do pigmento.
Publicado em Colorau e urucum
Compartilhar no WhatsApp