Exportação de urucum e colorau: NCM, Incoterms e documentos

Sacos de sementes de urucum em armazém portuário, um aberto mostrando as sementes vermelhas, com contêineres ao fundo
Imagem ilustrativa.

Pontos principais

  • A NESH põe a semente de urucum na posição 14.04 (NCM 1404.90.90) e o extrato corante na 32.03 (NCM 3203.00.19).
  • O Brasil exportou US$ 5,65 milhões FOB e 528,6 t na NCM 3203.00.19 em 2025, o maior valor desde 2020.
  • São Paulo respondeu por cerca de 98% do valor exportado nessa NCM em 2025, e os EUA compraram 48,5%.
  • Incoterms 2020: CIF exige seguro das cláusulas C e CIP, das cláusulas A, mais ampla; o antigo DAT virou DPU.
  • A DU-E substituiu em 2018 a DE, a DSE e o RE; o certificado fitossanitário é emitido por auditor do MAPA.

A exportação de urucum passa por duas classificações principais: a semente fica na posição 14.04 da nomenclatura, NCM 1404.90.90, e o extrato corante na posição 32.03, NCM 3203.00.19. Nenhum dos dois códigos é exclusivo do urucum, mas o da posição 32.03 dá a melhor pista: em 2025, o Brasil exportou US$ 5,65 milhões nele, segundo o Comex Stat, quase tudo a partir de São Paulo, com os Estados Unidos como principal destino.

Este guia é para quem produz, beneficia ou compra urucum e colorau e quer entender como funciona a venda ao exterior: qual NCM usar, o que os números do Comex Stat mostram e o que não mostram, como os Incoterms 2020 dividem custo e risco e quais documentos entram na operação. Não é oferta de exportação: a Graneto vende colorau para empresas do mercado brasileiro, e o texto serve de referência para quem estuda o mercado.

Qual é a NCM do urucum e do colorau?

A NCM do urucum depende da forma do produto: semente, extrato ou mistura pronta. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), publicadas pela Receita Federal, citam "sementes e polpa de urucu" entre as matérias-primas vegetais usadas principalmente em tinturaria, na posição 14.04, e citam o extrato tintorial "do urucuzeiro", conhecido como urucu, na posição 32.03, que também inclui as soluções de urucum em óleo vegetal usadas para colorir manteiga.

Classificação do urucum na NCM (tabela vigente em outubro de 2026)
ProdutoPosição (NESH)NCM provávelDescrição oficial do código
Semente de urucum14.041404.90.90Outros produtos vegetais não especificados
Extrato de bixina ou norbixina, urucum em pó (pigmento)32.033203.00.19Outras matérias corantes de origem vegetal
Solução de urucum em óleo32.033203.00.30Preparações da Nota 3 do Capítulo 32, à base de matérias corantes de origem vegetal ou animal
Colorau (urucum com fubá ou óleo, para temperar)21.032103.90.21 ou 2103.90.29Condimentos e temperos compostos, em embalagem de até 1 kg ou acima

Os códigos foram conferidos na tabela NCM da Receita Federal, vigente pela Resolução Gecex 926/2026. O enquadramento do colorau na 21.03 segue a NESH, que inclui nessa posição os condimentos compostos feitos com farinhas, óleo e especiarias, mas a mistura exige análise caso a caso. A classificação final é responsabilidade do despachante ou do contador, que responde por ela na declaração. As outras NCMs da linha de temperos estão em NCM de temperos e condimentos.

O que é colorau líquido, ou urucum líquido?

Colorau líquido, ou urucum líquido, é o pigmento do urucum extraído em óleo vegetal ou em solução alcalina, sem o fubá do colorau em pó. A revisão de Demczuk e Ribani descreve três processos comerciais de extração: o mais usado é a imersão da semente em solução alcalina, seguido da imersão em óleo vegetal e do uso de solventes orgânicos. A semente imersa em óleo comestível refinado, aquecido e depois filtrado, dá uma solução oleosa de bixina, usada em alimentos com muita gordura; a solução alcalina converte a bixina em norbixina, que dissolve em água.

As duas formas líquidas do corante de urucum
FormaPigmentoDissolve emOnde costuma entrar
Extrato em óleoBixinaÓleo e gorduraArroz, frango, manteiga, embutidos, frituras
Solução alcalinaNorbixinaÁgua alcalinaQueijos, peixe defumado, cereais

Para o comércio exterior, a solução de urucum em óleo vai para a posição 32.03, NCM 3203.00.30, como mostra a tabela de classificação da seção anterior. Para a segurança, há um detalhe: a ficha do JECFA diz que a ingestão diária aceitável da bixina não se aplica ao extrato processado em óleo, por falta de dados de composição e de toxicidade, enquanto a norbixina alcalina não precipitada está coberta pela IDA de grupo. Em casa, o urucum líquido se faz pelo mesmo princípio: aquecer as sementes no óleo em fogo baixo até ele ficar vermelho e coar, como descreve o texto sobre como o colorau é feito. Os usos industriais estão em urucum em queijos e urucum em embutidos. O nome, aliás, tem duas grafias corretas: o Dicionário Priberam registra urucu e urucum como sinônimos, ambos do tupi uru'ku.

Quanto o Brasil exporta de corante de urucum?

O Brasil exportou US$ 5,65 milhões FOB e 528,6 toneladas na NCM 3203.00.19 em 2025, o maior valor da série desde 2020, segundo o Comex Stat do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. De janeiro a agosto de 2026, foram US$ 3,88 milhões e 333,3 toneladas. A posição reúne todas as "outras matérias corantes de origem vegetal", então os números incluem o extrato de urucum e outros corantes vegetais; o próprio Comex Stat registra US$ 9,85 milhões importados na mesma NCM em 2025.

Exportações brasileiras na NCM 3203.00.19 (outras matérias corantes de origem vegetal). Fonte: Comex Stat, consulta em 05/10/2026
AnoValor FOB (US$)Peso líquido (kg)
20202.499.227416.249
20212.808.370484.271
20224.864.862606.141
20233.929.488396.835
20244.125.762491.008
20255.653.277528.617
2026 (jan. a ago.)3.878.204333.292

Em 2025, São Paulo respondeu por US$ 5,56 milhões dos US$ 5,65 milhões exportados nessa NCM, cerca de 98%, e o Paraná apareceu com valor pequeno, segundo o mesmo Comex Stat. O desenho bate com o que a Folha de Londrina relatou sobre o polo de Paranacity: boa parte da safra local segue para indústrias de corante de São Paulo, que processam e exportam o extrato. Em boa parte, a semente sai do Paraná e o extrato exportado sai de São Paulo.

Principais destinos da NCM 3203.00.19 em 2025. Fonte: Comex Stat
PaísValor FOB (US$)Peso líquido (kg)Parcela do valor
Estados Unidos2.742.969193.81248,5%
México644.492144.27411,4%
Dinamarca580.94234.95310,3%
Irlanda402.69220.3347,1%
Guatemala378.23023.1506,7%
Argentina267.69618.7894,7%

A semente é mais difícil de medir. A NCM 1404.90.90 é residual e junta muitos produtos vegetais: as exportações brasileiras nela somaram US$ 5,97 milhões em 2025 no Comex Stat, mas não há como separar quanto foi urucum. Quem precisa do dado de semente tem de ir ao registro das empresas exportadoras ou às associações do setor. A produção agrícola, que é medida com precisão pelo IBGE, está em produção de urucum no Brasil, e o que forma o preço da semente em quanto vale o quilo do urucum.

Incoterms 2020: quem paga o quê na venda de urucum ao exterior

Os Incoterms 2020 são as 11 regras da Câmara de Comércio Internacional (ICC) que definem, no contrato de compra e venda, até onde vão o custo, o risco e as obrigações do vendedor. Segundo a página oficial da ICC, a versão de 2020 reuniu todos os custos de cada regra nos artigos A9/B9, renomeou o antigo DAT para DPU e passou a exigir no CIP um seguro de cobertura mais ampla, as cláusulas (A), enquanto o CIF, reservado ao transporte marítimo, manteve a cobertura das cláusulas (C).

Incoterms 2020 mais usados em exportação de produto agrícola
RegraO vendedor entregaNa prática para quem exporta urucum
EXW (na origem)Na própria fábrica, à disposição do compradorO comprador cuida de tudo, inclusive do despacho de exportação
FCA (transportador indicado)Ao transportador escolhido pelo compradorBom para carga em contêiner; desde 2020 permite combinar o conhecimento de embarque "a bordo" para o vendedor
FOB (livre a bordo)A bordo do navio, no porto de embarqueO vendedor paga o frete interno e o despacho até o navio
CIF (custo, seguro e frete)A bordo, com frete e seguro mínimo pagos até o porto de destinoO risco passa ao comprador no embarque, embora o vendedor pague o frete
CIP (transporte e seguro pagos)Ao primeiro transportador, com frete e seguro pagosExige seguro de cobertura mais ampla que o CIF
DAP, DPU e DDPNo destino; no DPU, descarregado; no DDP, desembaraçado na importaçãoPõem no vendedor o maior custo e o maior risco

Um cuidado de vocabulário: no frete dentro do Brasil, "CIF" e "FOB" são usados informalmente para dizer quem paga o transporte, sem o alcance dos Incoterms. A diferença está explicada em frete de alimentos para outros estados. No contrato internacional, escreva sempre a regra, o local e a versão, por exemplo "FCA Santos, Incoterms 2020".

Que documentos a exportação de urucum exige?

A exportação de urucum exige habilitação no Siscomex, nota fiscal de exportação e Declaração Única de Exportação, mais os certificados que o país de destino pedir. As perguntas frequentes de exportação do Siscomex explicam que a DU-E substituiu, desde 2 de julho de 2018, a antiga Declaração de Exportação, a Declaração Simplificada e o Registro de Exportação, que o exportador é sempre o emissor da nota fiscal de exportação e que a habilitação segue a IN RFB 1.984/2020.

  1. Habilitação no Siscomex (o antigo Radar) da empresa exportadora.
  2. NF-e de exportação, vinculada à DU-E.
  3. DU-E, registrada no Portal Único.
  4. Documentos comerciais combinados com o importador, como fatura comercial, romaneio de carga e conhecimento de embarque.
  5. Certificado Fitossanitário, quando o país de destino exigir, sobretudo para a semente. Segundo o Ministério da Agricultura, ele é emitido exclusivamente por auditores fiscais federais agropecuários em portos, aeroportos e fronteiras, e os requisitos de cada país ficam no sistema T-Rex.
  6. Certificado de origem, quando a venda usa preferência tarifária de acordo comercial. As perguntas frequentes sobre acordos do Siscomex explicam que, no Brasil, ele é emitido por entidades autorizadas pela Secex.
  7. Laudo do lote, com teor de bixina e parâmetros microbiológicos combinados no contrato.

O destino acrescenta exigências próprias. Para os Estados Unidos, maior comprador da NCM 3203.00.19, a fábrica que processa ou embala alimento precisa estar registrada na FDA e renovar o registro a cada dois anos, conforme a página de registro de instalações da FDA, e o extrato de urucum é um aditivo de cor isento de certificação de lote, com identidade e especificações no 21 CFR 73.30.

O comprador externo paga pela bixina, e o laudo prova o teor

O comprador externo de urucum compra cor, e cor se mede em bixina. O trabalho de Fabri e Teramoto, na revista Horticultura Brasileira, registra que o mercado de exportação passou a pedir semente com no mínimo 4% de bixina. A Indicação Geográfica Paranacity exige 5% ou mais, pelo caderno de especificações do INPI, o que põe a origem acima da régua citada. O que o selo garante e o que ele não garante está em Indicação Geográfica do urucum de Paranacity.

Para o extrato, a régua é a especificação do comprador e a do país de destino. No laudo, confira método, forma de expressão (bixina ou norbixina) e base seca ou úmida; os detalhes estão em ficha técnica e laudo de ingrediente, a química do pigmento em o que é bixina e as duas famílias de extrato em corante de urucum INS 160b e norbixina. A comparação com outros corantes naturais que disputam o mesmo mercado está em corantes naturais na indústria de alimentos.

Por onde começa quem quer exportar urucum?

Quem quer exportar urucum começa definindo o produto, porque semente, extrato e colorau têm NCM, comprador e documentação diferentes. Um roteiro realista:

  1. Escolha a forma: semente para a indústria de corante, extrato padronizado ou colorau para quem compra tempero pronto.
  2. Confirme a NCM com o despachante e consulte no Comex Stat quem compra aquele código.
  3. Levante os requisitos do país de destino: sanitário, fitossanitário e de rotulagem.
  4. Monte a ficha técnica e um histórico de laudos com teor de bixina por lote.
  5. Decida se exporta direto, com habilitação própria, ou por meio de uma comercial exportadora; a exportação por conta e ordem, criada pela Lei 12.995/2014 e explicada nas perguntas frequentes do Siscomex, é outra saída para quem não quer montar a estrutura.
  6. Negocie o Incoterm que a sua estrutura aguenta; EXW e FCA exigem menos do vendedor iniciante.

A história de como o polo de Paranacity chegou à Indicação Geográfica está em a história do urucum em Paranacity, e os usos da semente fora da cozinha, em urucum: para que servem a semente, o pó e o extrato. Para o mercado brasileiro, o colorau de Paranacity sai do sachê ao big bag, com laudo de bixina do lote sob pedido; mais textos sobre a cadeia estão em colorau e urucum.

Ficha técnica, laudo e especificação sob pedido. Para compras industriais, a Graneto envia a documentação do produto com a cotação. Informe o item, o volume e a especificação desejada.

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Perguntas frequentes

Precisa de habilitação no Siscomex para exportar urucum?

Quem exporta em nome próprio precisa estar habilitado no Siscomex, o antigo Radar, conforme a IN RFB 1.984/2020, e é o emissor da nota fiscal de exportação. Quem não quer montar essa estrutura pode vender a uma comercial exportadora ou contratar a exportação por conta e ordem, prevista em lei desde 2014.

Quais países mais compram corante de urucum do Brasil?

Na NCM 3203.00.19, que inclui o extrato de urucum e outros corantes vegetais, os Estados Unidos lideraram as compras em 2025, com quase metade do valor, seguidos por México, Dinamarca, Irlanda, Guatemala e Argentina, segundo o Comex Stat. O código não separa o urucum dos demais corantes vegetais.

Precisa de certificado fitossanitário para exportar urucum?

Depende do país de destino. O certificado fitossanitário atesta a condição de plantas e produtos vegetais e é exigido conforme os requisitos acordados com cada país, consultados no sistema T-Rex do Ministério da Agricultura. Para a semente, a exigência é mais comum do que para o extrato processado.

Colorau pode ser exportado?

Pode, como condimento composto, mas o caminho é diferente do da semente e do extrato: a NCM provável é da posição 21.03, e o país de destino aplica as próprias regras de rotulagem e de aditivos. A classificação e os requisitos devem ser confirmados com despachante antes de negociar.

Para que serve o urucum líquido?

O urucum líquido serve para dar cor amarela, laranja ou avermelhada aos alimentos. A versão em óleo, com bixina, combina com arroz, frango, manteiga e embutidos, porque o pigmento dissolve em gordura; a versão em solução alcalina, com norbixina, dissolve em água e é usada em queijos, peixe defumado e cereais.

Escreve-se urucum ou urucu?

As duas formas estão certas. O Dicionário Priberam registra urucum e urucu como sinônimos, ambos vindos do tupi, para a árvore Bixa orellana, o fruto e a substância que reveste a semente. Urucum é a grafia mais usada no Brasil; urucu aparece em textos técnicos, como as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado.

Publicado em Indústria e normas

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