Colorau e urucum
Urucum: para que servem a semente, o pó e o extrato
Pontos principais
- O urucum responde por cerca de 90% do consumo de corantes naturais no Brasil e por cerca de 70% no mundo.
- Na comida, a semente é especiaria (IN 159/2022) e o extrato é aditivo INS 160b com limite por categoria (IN 211/2023).
- Nos cosméticos, o urucum é o corante CI 75120, permitido em todos os tipos de produto pela RDC 628/2022.
- Em algodão, o tingimento com urucum teve nota de 4 a 5 na solidez à lavagem e nota 2 na solidez à luz.
- Paranacity foi o município que mais produziu urucum no Brasil em 2025, com 977 toneladas (IBGE).
O urucum serve principalmente para dar cor natural, do amarelo ao vermelho: a semente vira colorau na cozinha brasileira, e o extrato do pigmento colore queijos, manteiga, embutidos, massas e bebidas, além de cosméticos, medicamentos e tecidos. O que dá valor ao urucum é a bixina, o pigmento que cobre a semente.
Este texto mapeia os usos do urucum por setor, com a regra que vale em cada um, e mostra em que forma ele é vendido: semente, pó, colorau ou extrato. É para quem compra a matéria-prima, para quem estuda trocar um corante artificial e para quem quer saber de onde vem o urucum que chega ao Brasil inteiro.
Para que serve o urucum: dar cor, a partir do pigmento da semente
O urucum serve para colorir, e a cor está no arilo, a película vermelha que envolve a semente, onde fica a bixina, segundo o manual A cultura do urucum, da Embrapa. O urucuzeiro, de onde vem o colorau, é originário da América tropical, possivelmente da flora amazônica, segundo o mesmo manual. A Embrapa lista como compradores as indústrias de laticínios, panificação, bebidas, condimentos, farmacêutica, cosméticos, madeireira, têxtil, de tintas e frigoríficos, na Circular Técnica 22.
É o corante natural mais usado que existe. O urucum responde por cerca de 90% do consumo de corantes naturais no Brasil e por cerca de 70% no mundo, segundo Fabri e Teramoto, na Horticultura Brasileira. Os tons e o rendimento dependem do teor do pigmento, assunto do texto sobre o que é a bixina.
Na alimentação, o urucum é especiaria, colorau e corante INS 160b
Na alimentação, o urucum aparece em quatro formas, cada uma com a sua regra. A semente é especiaria autorizada pela IN 159/2022; o colorau segue as regras de temperos da RDC 716/2022; e os extratos são aditivos, com limite por categoria de alimento na IN 211/2023.
| Forma | Onde é usada | Regra no Brasil |
|---|---|---|
| Semente | Condimento e matéria-prima do colorau e dos extratos | Especiaria (IN 159/2022) |
| Colorau | Arroz, carnes, frango, farofas e molhos | Tempero (RDC 716/2022) |
| Extrato base bixina, INS 160b(i) | Margarinas, queijo processado, panificação, recheios de biscoito, pipoca, salgadinhos, molhos e sobremesas cremosas | Aditivo com limite por categoria (IN 211/2023) |
| Extrato base norbixina, INS 160b(ii) | Queijos, embutidos e tripas, cereais matinais, sobremesas lácteas, peixe defumado e alimentos em pó | Aditivo com limite por categoria (IN 211/2023) |
Na cozinha de casa, a semente inteira solta a cor quando aquecida no óleo, porque a bixina é insolúvel em água e dissolve na gordura, como registra a especificação do comitê de aditivos da FAO e da OMS para o extrato de bixina; o óleo colorido é coado e vai para o arroz ou o refogado. Moída e misturada a fubá, a semente vira colorau.
Os exemplos de uso dos extratos são os listados pela autoridade europeia de segurança alimentar no parecer de 2016 da EFSA, que lembra que o urucum colore laticínios, especialmente queijos, há mais de 200 anos na Europa e na América do Norte. Nos Estados Unidos, o extrato de urucum pode colorir alimentos em geral, na quantidade das boas práticas de fabricação, e é isento da certificação de lote exigida dos corantes sintéticos, pela norma 21 CFR 73.30.
Cada uso tem um texto próprio: para que serve o colorau na cozinha, o corante de urucum INS 160b, o urucum em queijos e laticínios e o urucum em embutidos. A forma que dissolve em água é a norbixina, e a comparação com o vermelho de origem animal está em urucum ou carmim.
Em cosméticos e medicamentos, o urucum é o corante CI 75120
Nos cosméticos, o urucum entra com o número de Colour Index CI 75120, de cor laranja, que a RDC 628/2022 da ANVISA permite em todos os tipos de produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes. A ficha técnica da Indicação Geográfica Paranacity, no INPI, cita o urucum também como ingrediente de bronzeadores. As formas de compra para a indústria cosmética estão no texto sobre o urucum em cosméticos.
Nos medicamentos, a referência mais citada é a americana: a norma 21 CFR 73.1030 permite o extrato de urucum para colorir medicamentos em geral, inclusive os de uso na área dos olhos, com a informação no rótulo de que a cor vem da semente de urucum.
No tingimento de tecidos, o urucum fixa bem na lavagem e menos na luz
O urucum também tinge fibras, e um estudo de 2025 mediu o resultado em algodão, seda e couro. Sem mordente, com banho de ultrassom a 60 °C por 40 minutos, o algodão tingido teve notas de 4 a 5 na solidez à lavagem e ao atrito, e nota 2 na solidez à luz; a seda teve notas parecidas, o couro ficou um pouco abaixo na lavagem, e nas três fibras a solidez à luz ficou entre 2 e 3. Os autores, na Frontiers in Chemistry, classificaram a resistência à lavagem como excelente e a resistência à luz como moderada.
Na prática, o urucum serve bem para peças que vão para a máquina e menos para cortinas e toldos expostos ao sol. Mordentes, preparo da fibra e compra para artesanato e indústria têxtil estão no texto sobre tingimento natural com urucum.
Os usos tradicionais vêm dos povos indígenas; o medicinal não tem reconhecimento oficial
O uso do urucum como remédio é tradição popular, sem reconhecimento oficial: a planta não está entre as 71 espécies da Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS (RENISUS), divulgada pelo Ministério da Saúde em 2009. Muito antes da indústria, o urucum era usado pelos povos indígenas como repelente e como proteção da pele contra o sol, e os colonos passaram a usá-lo como condimento, registra a Embrapa. A ficha do INPI menciona a pintura da pele com fins ornamentais, e a revisão de Vilar e colegas descreve o uso do corante na pele em rituais. Entre povos indígenas, a planta tem nomes próprios, como anitê, mikitê e biscê, segundo a Circular Técnica 22 da Embrapa.
As propriedades atribuídas ao urucum pela tradição popular ainda são pouco estudadas, segundo a revisão de Demczuk e Ribani, e quem procura o urucum como remédio deve conversar com o médico. O que as avaliações de segurança dizem sobre o consumo está no texto sobre se o colorau faz mal.
Até o resíduo da semente tem uso
Depois que o pigmento é extraído, sobra quase toda a semente: cerca de 94% a 96% do peso, segundo Demczuk e Ribani. Esse farelo tem de 13% a 17% de proteína e cerca de 16% de fibra bruta, e, seco e moído, pode virar adubo, ingrediente de ração e agente de pigmentação da gema de ovo; um estudo citado na mesma revisão substituiu até 10% da ração de suínos em crescimento pelo farelo, sem prejudicar o desempenho. Os restos das cápsulas também servem, misturados à ração ou como adubo e cobertura do solo, segundo a Embrapa.
Como o urucum é vendido e onde ele é produzido
O urucum chega ao comprador em quatro formas: semente, em sacos de até 50 kg de polietileno escuro, juta ou malva, como orienta a Embrapa; urucum em pó; colorau; e extratos, feitos sobretudo por indústrias de corantes instaladas no estado de São Paulo, segundo Fabri e Teramoto. A semente é negociada pelo teor de bixina, e o que forma o valor de cada lote está em quanto vale o quilo do urucum.
Em quantidade, os maiores estados produtores em 2025 foram São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Paraná, e Paranacity, no Noroeste do Paraná, foi o município que mais produziu urucum no Brasil, com 977 toneladas, segundo a Produção Agrícola Municipal do IBGE. Desde 2025 o urucum de Paranacity e de Cruzeiro do Sul tem Indicação Geográfica registrada no INPI, cujo caderno de especificações exige bixina igual ou superior a 5% nas sementes; em outras localidades, o teor citado fica em torno de 3%, segundo a Agência Sebrae. O mapa nacional está em produção de urucum no Brasil, as regras do selo em a Indicação Geográfica do urucum e a trajetória do município em a história do urucum em Paranacity.
A Graneto trabalha esse urucum na forma de colorau, envasado em Paranacity do sachê de 40 g ao big bag, com laudo de bixina do lote sob pedido. Os números do polo estão no guia do colorau de Paranacity.
Colorau de Paranacity, do sachê de 40 g ao big bag. A Graneto envasa colorau com urucum do polo de Paranacity para varejo, food service e indústria. Peça a cotação com o volume e a especificação de que você precisa.
Conhecer o colorau de ParanacityPerguntas frequentes
Urucum é bom para quê?
O urucum é bom para dar cor natural, do amarelo ao vermelho. A semente vira colorau e tempera arroz, carnes e molhos; o extrato colore queijos, manteiga, embutidos e massas, além de cosméticos, medicamentos e tecidos. As propriedades medicinais atribuídas pela tradição popular ainda são pouco estudadas.
Urucum é remédio ou tem uso medicinal?
Não há reconhecimento oficial. O urucum não está entre as 71 espécies da Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS, de 2009, e as propriedades atribuídas a ele pela tradição popular ainda são pouco estudadas. O uso reconhecido é o de especiaria e corante. Quem pensa em usar o urucum como remédio deve conversar com o médico.
Como usar a semente de urucum?
Na cozinha, aqueça as sementes em óleo, em fogo baixo, e coe: a bixina dissolve na gordura e tinge o óleo, que vai para o arroz, a carne ou o refogado. Moída e misturada a fubá, a semente vira colorau. Na indústria, ela é a matéria-prima dos extratos de urucum, vendidos como corante.
Qual a diferença entre urucum em pó e colorau?
Urucum em pó é o pigmento retirado da semente, ou a semente moída, sem carreador, e por isso é bem mais concentrado. O colorau é esse urucum misturado a fubá ou farinha de mandioca, com ou sem sal e óleo, pronto para a cozinha. Na indústria, a forma mais usada é o extrato.
De onde vem o urucum do colorau?
Vem do urucuzeiro, Bixa orellana, arbusto originário da América tropical, possivelmente da Amazônia, segundo a Embrapa; a cor está na película vermelha que cobre as sementes. No Brasil, os maiores estados produtores em 2025 foram São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Paraná, e o município líder foi Paranacity, com 977 toneladas.
Urucum serve como protetor solar?
Povos indígenas usavam o urucum na pele como proteção contra o sol e como repelente, registra a Embrapa, e o corante entra em bronzeadores. Isso não faz do urucum um protetor solar: a proteção de um cosmético depende da formulação e de testes. Para proteção solar, use produto regularizado com fator de proteção declarado.
O que se faz com o resíduo da semente de urucum?
Depois da extração do pigmento sobra a maior parte do peso da semente. Seco e moído, esse farelo pode ser usado como adubo, como ingrediente de ração e para pigmentar gema de ovo; um estudo substituiu até 10% da ração de suínos em crescimento pelo farelo, sem prejudicar o desempenho.
Publicado em Colorau e urucum
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