Milho e farináceos
Tipos de farinha de trigo: tipo 1, tipo 2, integral e com fermento
Pontos principais
- A IN MAPA 8/2005 classifica a farinha de trigo em três tipos pelo teor máximo de cinzas: 0,8% no tipo 1, 1,4% no tipo 2 e 2,5% na integral.
- Farinha de trigo não vem com fermento: o pacote com fermento é um preparado à base de farinha de trigo, com lista de ingredientes no rótulo.
- O tipo não diz se a farinha serve para pão ou bolo: quem decide é a força e o equilíbrio do glúten, medidos em laboratório.
- Tipo 1 e tipo 2 vêm enriquecidas com ferro e ácido fólico pela RDC 604/2022; a integral e a de trigo durum estão dispensadas.
- Toda farinha de trigo contém glúten; o trigo sarraceno, apesar do nome, é outra planta e não é regido pela norma do trigo.
Os tipos de farinha de trigo no Brasil são três, tipo 1, tipo 2 e integral, definidos pela IN MAPA 8/2005 principalmente pelo teor de cinzas: no máximo 0,8% no tipo 1, 1,4% no tipo 2 e 2,5% na integral. Quanto menos cinza, mais branca a farinha e menos farelo ela carrega; a integral leva o grão inteiro, com farelo e gérmen.
Este texto é para a padaria, a confeitaria e a cozinha que escolhem farinha por receita, para o mercado que monta a gôndola e para a indústria que compra por especificação. Ele traz a tabela oficial do MAPA, explica o que é cinza e por que o tipo não diz se a farinha serve para pão, compara com a farinha 00 italiana e mostra o que conferir no rótulo.
Quais são os tipos de farinha de trigo?
A farinha de trigo é classificada em três tipos, tipo 1, tipo 2 e integral, pela IN MAPA 8/2005, o regulamento técnico de identidade e qualidade da farinha de trigo, com a definição de integral atualizada pela Portaria MAPA 469/2022. A farinha que não cumpre os limites de nenhum tipo é "fora de tipo". A farinha de mandioca também tem classificação oficial do MAPA, com outra lógica, explicada em tipos de farinha de mandioca. Os limites, com cinzas e proteína em base seca, são estes:
| Tipo | Cinzas (máx.) | Granulometria | Proteína (mín.) | Acidez graxa (máx.) | Umidade (máx.) |
|---|---|---|---|---|---|
| Tipo 1 | 0,8% | 95% passa na peneira de 250 µm | 7,5% | 100 mg de KOH/100 g | 15,0% |
| Tipo 2 | 1,4% | 95% passa na peneira de 250 µm | 8,0% | 100 mg de KOH/100 g | 15,0% |
| Integral | 2,5% | Sem exigência | 8,0% | 100 mg de KOH/100 g | 15,0% |
A norma vale para a farinha de trigo comum, de Triticum aestivum e outras espécies do gênero, mas não para a farinha de trigo durum, a das massas secas italianas, que tem regras próprias. Também não vale para o trigo sarraceno, ou trigo-mourisco, que apesar do nome não é trigo: é a planta Fagopyrum esculentum, da família das poligonáceas, e fica fora da lista de cereais com glúten (trigo, centeio, cevada e aveia) das perguntas e respostas da ANVISA sobre alergênicos. Pela Lei 9.972/2000, a classificação é obrigatória quando o produto vai direto para a alimentação humana, e por isso o tipo tem de estar no rótulo, em algarismo ou por extenso, com letras do mesmo tamanho exigido para o peso líquido.
O teor de cinzas mostra quanto farelo foi para a farinha
Cinza é o resíduo mineral que sobra quando a farinha é queimada em laboratório, e a IN 8/2005 a define como o percentual de matéria mineral do produto. Os minerais do trigo se concentram nas camadas externas do grão, o farelo, e muito menos no miolo, o endosperma, que vira a farinha branca. Por isso, quanto mais o moinho aproveita do grão, mais cinza e mais escura fica a farinha.
A relação aparece com clareza na norma antiga. A Resolução CNNPA 12/1978, que vigorou até a RDC 263/2005 revogar sua parte de farinhas, ligava cada classe à extração: a farinha especial ou de primeira saía de uma extração máxima de 20% do grão, com até 0,385% de cinzas; a comum, de até 78%, com até 0,850%; e a integral, de até 95%, com até 1,750%. O nome "especial" sobreviveu em embalagens, mas hoje não tem definição legal: a classificação oficial é tipo 1, tipo 2 e integral.
Na cozinha, isso se traduz em cor e sabor. O tipo 1 é a farinha branca de uso geral. O tipo 2 tem cor mais escura e sabor mais marcado de trigo. A integral tem farelo visível, mais fibra e absorve mais água na massa. Pela Tabela TACO, 100 g da farinha de trigo branca analisada têm 360 kcal, 75,1 g de carboidrato, 9,8 g de proteína e 2,3 g de fibra, e nos protocolos de preparo da mesma tabela 1 xícara de farinha de trigo foi registrada como 100 g; a comparação com as farinhas de milho está em farinha de milho faz bem?
O que é farinha de trigo integral, pela norma?
Farinha de trigo integral é a que contém o grão inteiro, com endosperma, farelo e gérmen na proporção natural. Pela redação dada pela Portaria MAPA 469/2022 à IN 8/2005, e pela RDC 711/2022 da ANVISA, os três componentes devem estar na proporção típica do grão intacto, com perda permitida de até 2% do grão ou 10% do farelo. Uma farinha branca misturada com um pouco de farelo não é integral.
Duas consequências práticas. A integral não tem exigência de granulometria e pode ter partículas mais grossas, o que muda a absorção de água e o volume do pão. E ela conserva menos: o gérmen tem gordura, e a própria IN 8/2005 controla a acidez graxa, a acidez que vem da degradação dos lipídeos da farinha conforme as condições de armazenamento. Compre integral em quantidade que gire rápido e guarde em local fresco. O Guia Alimentar para a População Brasileira recomenda preferir versões menos processadas dos cereais, citando a farinha de trigo integral, porque os grãos muito polidos perdem fibras e micronutrientes.
O tipo não diz se a farinha serve para pão ou para bolo
O tipo da farinha mede pureza e cor, não desempenho na receita; para pão ou bolo, o que decide é o glúten. Duas farinhas tipo 1 podem dar um pão ótimo e um pão que não cresce, porque vêm de trigos com glúten de força diferente. A Embrapa Trigo explica que a força do glúten, medida na alveografia em 10-4 J, indica a qualidade panificativa da farinha, e que o equilíbrio entre tenacidade (P) e extensibilidade (L) orienta o uso:
| Uso | Perfil de farinha | Relação P/L |
|---|---|---|
| Pães | Balanceada | De 0,50 a 1,20 |
| Bolos e biscoitos | Extensível | Abaixo de 0,49 |
| Massas alimentícias | Tenaz | Acima de 1,21 |
O grão também é classificado por força. A IN MAPA 38/2010 divide o trigo destinado à moagem em classes melhorador, pão, doméstico, básico e outros usos; a classe pão, por exemplo, exige número de queda de pelo menos 220 segundos e força do glúten mínima de 220 × 10-4 J ou estabilidade mínima de 10 minutos. É dessa matéria-prima que os moinhos fazem os blends vendidos como farinha para pão, para pizza ou para bolo. A Embrapa Trigo registra que a farinha de uso doméstico, vendida em pacote de 1 kg, tem como principal uso bolos e outros produtos caseiros de confeitaria.
- Pão francês e pão de fermentação longa: tipo 1 de glúten forte, a vendida como farinha para pão.
- Bolo, biscoito e massa de torta: tipo 1 de glúten mais fraco e extensível, a farinha de uso doméstico.
- Macarrão: farinha tenaz ou derivados de trigo durum. A IN 8/2005 permite chamar de "sêmola" ou "semolina" a farinha usada em massas que atenda à especificação do tipo 1.
- Pão rústico e integral: tipo 2 ou integral, muitas vezes misturadas ao tipo 1 para manter o volume.
Farinha 00 e farinha especial são tipos oficiais no Brasil?
Não: farinha 00 é um tipo da lei italiana, e "especial" é um nome antigo sem definição atual no Brasil. O Decreto 187/2001 da Itália classifica a farinha de trigo mole em 00, 0, 1, 2 e integral, também por cinzas e proteína em base seca:
| Tipo italiano | Cinzas (máx.) | Proteína (mín.) | Comparação com o Brasil |
|---|---|---|---|
| 00 | 0,55% | 9,00% | Mais refinada que o tipo 1 brasileiro |
| 0 | 0,65% | 11,00% | Também abaixo do limite do tipo 1 |
| 1 | 0,80% | 12,00% | Mesmo teto de cinzas do tipo 1 brasileiro |
| 2 | 0,95% | 12,00% | Entre o tipo 1 e o tipo 2 do Brasil |
| Integral | De 1,30% a 1,70% | 12,00% | Abaixo do teto de 2,5% da integral brasileira |
Uma farinha tipo 1 brasileira pode ou não ter cinzas no nível da 00; só a ficha técnica responde. A "farinha especial" é o nome herdado da norma de 1978, sem definição atual.
Farinha de trigo vem com fermento?
Não: a farinha de trigo tipo 1, tipo 2 ou integral é só o grão moído, sem fermento. Pela IN MAPA 8/2005, farinha de trigo é o produto da moagem do grão, e o pacote que traz fermento ou outros ingredientes e aditivos para bolo, pão ou pizza é outro produto, o preparado à base de farinha de trigo. Esse preparado precisa ter no rótulo a lista de ingredientes, o modo de preparo e o uso proposto, com uma denominação do tipo "mistura para" seguida do uso.
Na gôndola, a farinha com fermento se reconhece pela lista de ingredientes: se aparece fermento químico, ela já leva o agente que faz a massa crescer. Duas regras práticas ajudam:
- Receita que pede farinha e fermento separados: com farinha comum, siga a receita; com a farinha com fermento, não junte o fermento da receita de novo.
- Cozinha profissional: compre farinha comum e dose o fermento na ficha técnica, porque no preparado a quantidade é a que o fabricante escolheu.
Farinha de trigo tipo 1 e tipo 2 vêm enriquecidas com ferro e ácido fólico
A farinha de trigo tipo 1 e tipo 2 precisa vir enriquecida com ferro e ácido fólico, pela RDC 604/2022 da ANVISA: de 4 a 9 mg de ferro e de 140 a 220 µg de ácido fólico por 100 g, até o fim da validade, com a expressão "enriquecida com ferro e ácido fólico" junto do nome. A farinha de trigo integral e a de trigo durum estão excluídas da regra, assim como as farinhas contidas em produtos importados.
A mesma norma vale para a farinha de milho, com as mesmas faixas e frases; o histórico, as exceções e o que o revendedor confere estão em por que a farinha de milho é enriquecida com ferro e ácido fólico, e a confusão de nomes do lado do milho em farinha de milho e fubá. Diferente do trigo, o fubá não tem limite oficial de granulometria, como mostra fubá mimoso ou comum.
O que conferir no rótulo e na compra de farinha de trigo?
Na compra de farinha de trigo, confira o tipo, a expressão de enriquecimento, a declaração de glúten e a validade; na compra industrial, peça também os parâmetros de qualidade do lote. O que olhar:
- Tipo: obrigatório no rótulo pela IN 8/2005. Sem tipo, ou "fora de tipo", é sinal para perguntar ao fornecedor.
- Enriquecimento: tipo 1 e tipo 2 com "enriquecida com ferro e ácido fólico"; integral pode vir sem.
- Glúten: toda farinha de trigo contém glúten, e a Lei 10.674/2003 obriga a frase "contém glúten". A doença celíaca, segundo a ANVISA, é uma doença autoimune do intestino delgado desencadeada pelo glúten, e o trigo também está entre os alergênicos que o rótulo precisa declarar. Na cozinha que atende celíacos, a farinha de trigo fica separada do fubá e da fécula, pelo risco de contaminação cruzada.
- Ficha técnica, para indústria e padaria: umidade, cinzas, proteína, força do glúten, relação P/L e número de queda, como em o que pedir em ficha técnica e laudo. Para comparar propostas, use os critérios de como escolher fornecedor no atacado.
- NCM: na TIPI, a farinha de trigo é o código 1101.00.10, não tributado pelo IPI; a classificação final é do contador, e outros códigos do setor estão em NCM de temperos e condimentos.
Guarde a farinha em local seco e arejado, longe do sol e do calor do forno, sobre estrados, e gire o estoque pela validade, como em controle de estoque por PEPS. Farinha vencida não entra na receita: a RDC 216/2004 da ANVISA manda o serviço de alimentação usar matérias-primas dentro do prazo de validade, e o Código de Defesa do Consumidor, no art. 18, trata o produto vencido como impróprio ao consumo. O preço do quilo não tem tabela única, e a Graneto não publica preço: ele acompanha o trigo em grão, a classe de força do glúten, o enriquecimento obrigatório, a embalagem e o frete. A farinha de trigo faz parte da linha de farináceos e milho da Graneto, ao lado do fubá e da farinha de milho, e pode ir no mesmo pedido dos derivados de mandioca, que são a opção sem glúten para pão de queijo e biscoito, como mostram os usos da fécula na cozinha profissional. Para volume, prazo e frete saem na cotação, com entrega para outros estados. Outras normas explicadas para quem compra estão em indústria e normas.
Farináceos e milho para varejo e food service. Fubá, flocão, farinha de milho, canjica e milho de pipoca no portfólio da Graneto. Consulte formatos e disponibilidade.
Ver farináceos e milhoPerguntas frequentes
Farinha de trigo já vem com fermento?
Não. Pela IN MAPA 8/2005, farinha de trigo tipo 1, tipo 2 ou integral é só o grão moído. O pacote com fermento é um preparado à base de farinha de trigo, que precisa trazer lista de ingredientes, modo de preparo e uso proposto. Se a lista mostra fermento químico, não junte o fermento da receita de novo.
Existe farinha de trigo sem glúten?
Não. O glúten se forma com proteínas do próprio trigo, e toda farinha de trigo, branca ou integral, contém glúten; a Lei 10.674/2003 obriga a frase contém glúten. Quem não pode consumir glúten usa farinhas de outras matérias-primas, como milho, arroz e fécula de mandioca, conferindo a frase não contém glúten em cada lote.
Farinha de trigo faz mal à saúde?
Para a população em geral, não há essa indicação: o Guia Alimentar do Ministério da Saúde põe a farinha de trigo entre os alimentos minimamente processados e recomenda preferir a integral. Quem tem doença celíaca, que a ANVISA descreve como doença autoimune desencadeada pelo glúten, ou alergia a trigo precisa evitá-la. Caso individual se resolve com médico ou nutricionista.
Quanto custa a farinha de trigo?
Não há preço único. O quilo acompanha o preço do trigo em grão, a classe de força do glúten, o enriquecimento obrigatório com ferro e ácido fólico, a embalagem, do pacote de 1 kg ao saco para padaria, e o frete. A Graneto não publica preço: para volume, a cotação sai com tipo, formato e destino.
Uma xícara de farinha de trigo tem quantos gramas?
Nos protocolos de preparo da Tabela TACO, da Unicamp, 1 xícara de farinha de trigo foi registrada como 100 g. O peso real muda com o tamanho da xícara e com a farinha peneirada ou compactada, por isso padaria e cozinha profissional pesam a farinha em balança e escrevem a ficha técnica em gramas.
Pode usar farinha de trigo vencida?
Na cozinha profissional, não: a RDC 216/2004 da ANVISA manda usar matéria-prima dentro do prazo de validade. Na revenda, o Código de Defesa do Consumidor trata o produto vencido como impróprio ao consumo. Mesmo dentro da data, descarte a farinha com cheiro de ranço, mofo, grumos úmidos ou sinal de inseto.
Farinha de trigo sarraceno é farinha de trigo?
Não. Trigo sarraceno, ou trigo-mourisco, é outra planta, Fagopyrum esculentum, da família das poligonáceas, e não uma espécie de trigo; a IN MAPA 8/2005 não se aplica a ele. Ele também não está na lista de cereais com glúten da ANVISA, mas pode ser processado perto de trigo: confira a frase de glúten no rótulo.
Farinha de trigo tipo 1 é a mesma coisa que farinha 00?
Não. Farinha 00 é um tipo da lei italiana, o Decreto 187/2001, que exige no máximo 0,55% de cinzas. O tipo 1 brasileiro aceita até 0,8%, o mesmo limite do tipo 1 italiano. A 00 é, portanto, mais refinada que o tipo 1 do Brasil. No pacote nacional, o que vale é o tipo da norma do MAPA.
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