Colorau e urucum
Urucum ou carmim: qual corante natural vermelho escolher
Pontos principais
- Urucum (INS 160b) vem da semente da Bixa orellana; carmim (INS 120), de fêmeas dessecadas da cochonilha Dactylopius coccus.
- O carmim é estável ao calor, à luz e à oxidação, mas pede pH acima de 3,5; o urucum perde cor com luz, oxigênio e calor.
- Em produtos cárneos industrializados, a IN 211 admite carmim na massa (100 mg/kg) e urucum só na superfície (20 mg/kg).
- No Brasil, o rótulo pode declarar o carmim só como "corante INS 120"; nos Estados Unidos, o nome carmim é obrigatório.
- Para amarelo, laranja e rótulo vegetal, urucum; para vermelho e rosa estáveis em produto não ácido, carmim.
Urucum e carmim estão entre os corantes naturais mais usados para tons de laranja a vermelho, mas vêm de fontes opostas: o corante natural de urucum (INS 160b) sai da semente da Bixa orellana, e o carmim (INS 120), da cochonilha, um inseto. O carmim vence quando o alvo é um vermelho intenso e estável; o urucum, no amarelo-alaranjado, nos produtos gordurosos e no rótulo de origem vegetal.
Este comparativo é para quem formula ou compra corante para a indústria de alimentos, para quem desenvolve produto com apelo vegetal e para o consumidor que encontrou "INS 120" ou "urucum" no rótulo e quer entender a diferença. Ele cruza a norma da ANVISA, as avaliações de segurança da FAO/OMS e da autoridade europeia e a literatura técnica sobre estabilidade.
Qual a diferença entre o corante natural de urucum e o carmim?
A diferença entre urucum e carmim começa na origem: o urucum é um pigmento vegetal, extraído do arilo vermelho das sementes, e o carmim é um pigmento animal, obtido de fêmeas dessecadas do inseto Dactylopius coccus. No carmim, o princípio corante é o ácido carmínico, complexado com alumínio, como define a norma americana 21 CFR 73.100 da FDA. No urucum, são a bixina, que dissolve em óleo, e a norbixina, que dissolve em água alcalina.
| Urucum (extrato) | Carmim | |
|---|---|---|
| Origem | Sementes da planta Bixa orellana | Inseto Dactylopius coccus (cochonilha) |
| Código INS | 160b(i) base bixina; 160b(ii) base norbixina | 120 |
| Pigmento | Bixina e norbixina, carotenoides | Ácido carmínico, ligado a alumínio |
| Faixa de cor | Amarelo a laranja-avermelhado | Vermelho a rosa; azulado em meio muito alcalino |
| Dissolve em | Óleo (bixina) ou água alcalina (norbixina) | Água alcalina; insolúvel em meio ácido |
| Ponto fraco | Oxidação acelerada por luz, oxigênio e calor | Não serve para produto com pH abaixo de 3,5 |
| Nome em cosméticos | CI 75120 | CI 75470 |
| Serve a rótulo vegano | Sim, é de origem vegetal | Não, é de origem animal |
A faixa de cor decide boa parte das escolhas. O carmim entrega o vermelho de iogurte de morango, de embutido e de doce; o urucum, o amarelo-alaranjado de queijo, manteiga, massa e salgadinho. Os detalhes de cada forma do urucum estão em norbixina, a forma que dissolve em água, e em corante de urucum INS 160b.
O carmim aguenta luz e calor; o urucum perde cor com luz, oxigênio e calor
O carmim é o mais estável dos dois: a revisão de Constant, Stringheta e Sandi descreve o corante como bastante estável ao calor e à luz, resistente à oxidação e pouco afetado pelo dióxido de enxofre. A mesma revisão, publicada no Boletim do CEPPA, aponta a única limitação técnica do carmim: ele é insolúvel em meio ácido e deve ser usado em alimentos com pH acima de 3,5, o que inclui embutidos, surimi e marinados vermelhos. O ácido carmínico puro muda de cor com o pH, laranja no ácido e vermelho entre 5 e 7; já o carmim varia pouco, vermelho em pH 4 e azul só perto de pH 10.
O urucum é considerado bastante estável entre os corantes naturais, segundo a mesma revisão, mas sofre oxidação, e a velocidade da perda de cor depende da temperatura, da luz e principalmente do oxigênio disponível. A revisão de Scotter (2009) trata da estabilidade oxidativa, térmica e à luz do urucum como o ponto que mais pesa na aplicação. No calor, a bixina se rearranja em isômeros e forma um produto de degradação amarelo, como mediram Rios, Borsarelli e Mercadante entre 70 °C e 125 °C.
Na prática: para produto exposto à luz em embalagem transparente, ou que passa por cozimento longo, o urucum pede teste de prateleira; o carmim tende a segurar melhor, desde que o pH permita. Como guardar o urucum e o colorau para atrasar essa perda está em como armazenar colorau e urucum.
Quanto de cada corante a ANVISA permite em cada alimento?
Os dois corantes são autorizados pela IN ANVISA 211/2023, mas com limites e condições diferentes em cada categoria de alimento. A tabela reúne categorias típicas, no texto consolidado em outubro de 2026, que inclui as alterações das IN 274/2024, 286/2024 e 334/2024.
| Categoria | Carmim (INS 120) | Urucum, base bixina | Urucum, base norbixina |
|---|---|---|---|
| Produtos cárneos industrializados (frescos, secos e cozidos) | 100 | 20, só na superfície | 20, só na superfície |
| Queijos maturados (prato, por exemplo) | 125 | 20 | 25 |
| Leites fermentados adoçados ou aromatizados | 100 | 20 | 20 |
| Gelados comestíveis | 150 | 200 | 200 |
| Biscoitos | 200 | 10 | 10 |
| Aperitivos de batata, cereais ou amido | 200 | 20 | 20 |
| Condimentos preparados | 500 | 100 | 100 |
| Margarinas | 500 | 100 | 100 |
Dois cuidados na leitura. Primeiro, os números não se comparam diretamente: cada limite é expresso no próprio pigmento, e o poder de cor de cada um é diferente. Segundo, a coluna de produtos cárneos esconde a diferença mais prática da tabela: na massa de salsicha, linguiça ou presunto industrializado, a norma admite carmim, e o extrato de urucum só no tratamento de superfície. Esse ponto está detalhado em urucum em embutidos, e o caso dos laticínios em urucum em queijos. Para comparar com cúrcuma, páprica e beterraba, leia corantes naturais na indústria de alimentos.
Qual é mais seguro, urucum ou carmim?
Os dois são considerados seguros nos limites de uso, e a diferença de segurança está na alergia: para o carmim, a autoridade europeia afirma que não é possível fixar uma dose limiar para reações alérgicas. No parecer de reavaliação de 2015, a EFSA manteve a ingestão diária aceitável do carmim em 5 mg por kg de peso corporal, o equivalente a 2,5 mg de ácido carmínico, e recomendou que o processo de fabricação remova os compostos proteicos que provocam as reações.
Para o urucum, o comitê de aditivos da FAO e da OMS fixou ingestão diária aceitável de 0 a 12 mg por kg de peso corporal para a bixina e de 0 a 0,6 mg por kg para a norbixina, na avaliação de 2006 registrada no banco de dados do JECFA. O que esses números significam para quem usa colorau no dia a dia está em colorau faz mal?. Quem já teve reação a corante deve procurar um médico antes de testar por conta própria.
No Brasil, o rótulo pode trazer só "corante INS 120"
A rotulagem brasileira permite declarar o carmim apenas pela função e pelo número, como "corante INS 120", sem a palavra carmim. O artigo 12 da RDC 727/2022 da ANVISA manda declarar cada aditivo pela função seguida do nome completo ou do número INS; a única exceção que obriga o nome é a tartrazina. O mesmo vale para o urucum, que pode aparecer como "corante natural de urucum" ou "corante INS 160b".
Nos Estados Unidos, a regra é outra: pela norma da FDA, alimento com carmim precisa trazer "cochineal extract" ou "carmine" na lista de ingredientes, e o cosmético também precisa declarar o carmim, segundo a 21 CFR 73.2087. Para quem vende para o público vegano ou para consumidores com alergia, vale escrever o nome por extenso mesmo onde a lei não exige. Os demais itens obrigatórios do rótulo estão em rotulagem de temperos e condimentos, e a declaração de alergênicos, em alergênicos em temperos.
Quando escolher urucum e quando escolher carmim?
Escolha urucum para amarelo e laranja, base gordurosa, apelo vegetal e superfície de embutidos; escolha carmim para vermelho e rosa estáveis em produto de pH acima de 3,5. Os casos mais comuns:
- Queijo, manteiga, margarina, massa e salgadinho: urucum. É o tom esperado, e a IN 211 autoriza em todas essas categorias; na manteiga, sem limite numérico.
- Iogurte de morango, gelatina, confeito vermelho: carmim, ou outro vermelho natural permitido na categoria, porque o urucum não chega ao rosa.
- Massa de embutido industrializado: carmim, porque o extrato de urucum fica restrito ao tratamento de superfície nessa categoria.
- Produto vegano, vegetariano ou com público que evita insetos: urucum, que é de origem vegetal.
- Bebida ácida transparente: nenhum dos dois sem teste. O carmim é insolúvel em meio ácido, e a norbixina também sai de solução quando o meio é acidificado: é assim que a indústria a precipita, segundo a especificação do JECFA.
- Maquiagem: os dois são permitidos em todos os tipos de cosmético pela RDC 628/2022; o uso do urucum está em urucum em cosméticos.
No suprimento, o urucum joga em casa: o Brasil é apontado como o maior produtor mundial, com cerca de 57% da produção, segundo estimativa do ITAL citada pela Globo Rural, e a origem da semente está mapeada em produção de urucum no Brasil. A cochonilha comercial tem origem principalmente peruana, segundo a revisão de 2002 do Boletim do CEPPA.
Corante natural verde, azul, roxo ou preto: o que existe além do urucum e do carmim?
Urucum e carmim cobrem do amarelo ao vermelho e ao rosa; para verde, azul, roxo, preto, marrom e branco, a IN 211/2023 autoriza outros corantes, cada um com a sua lista de categorias e os seus limites. Nenhum corante de origem natural substitui sozinho um sintético em todas as aplicações, porque costuma ser menos estável, ter menor poder de cor e reagir com os ingredientes, resume a revisão de Sigurdson, Tang e Giusti. Os nomes da norma para cada cor:
| Cor | Corante e INS | O que observar |
|---|---|---|
| Verde | Clorofilas (140) e clorofila cúprica (141) | Autorizadas em dezenas de categorias, de bebidas lácteas a sopas e condimentos |
| Azul | Azul jenipapo, genipina-glicina (183) | Incluído em 2025; vale para bebidas lácteas, gelados, balas, biscoitos, bolos e confeitaria, entre outros |
| Roxo, lilás e vinho | Extrato de casca de uva (163(ii)) e de groselha negra (163(iii)), do grupo das antocianinas | A revisão citada acima trata as antocianinas como corantes vermelhos e azuis |
| Preto | Carvão vegetal (153) | Balas, confeitos, gelados, molhos emulsionados e sopas, entre outros |
| Marrom | Caramelos I a IV (150a a 150d) | Variam pelos reagentes; para o IV, o JECFA fixou IDA de 200 mg por kg de peso, e a EFSA concluiu em 2011 que os caramelos não são genotóxicos nem carcinogênicos, segundo o Informe Técnico 48/2012 da ANVISA |
| Branco | Carbonato de cálcio (170(i)) | De origem mineral |
"Natural" deixou de ser uma categoria da norma. A classificação que o Brasil usou até 2020, na Resolução CNNPA 44/1977, chamava de corante orgânico natural o obtido de vegetal ou de animal com o princípio corante isolado por processo tecnológico, como a bixina, o ácido carmínico, a curcumina e as antocianinas; de artificial, o sintético que não existe na natureza, como a tartrazina; e de idêntico ao natural, o sintético com a mesma estrutura do pigmento natural, como o betacaroteno sintético. O caramelo de açúcar aquecido era natural, e o de processo amônia, idêntico ao natural. A resolução foi revogada pela RDC 454/2020, e a IN 211/2023 lista cada corante pelo nome e pelo número INS. Para confeitaria, confira a categoria antes do tom: em bolos, tortas e massas de confeitaria, o extrato de urucum tem limite de 10 mg/kg pela IN 211/2023.
Como comprar corante de urucum ou colorau para a indústria
Para comprar corante de urucum, defina primeiro a forma (bixina para gordura, norbixina para água), depois exija laudo de teor de pigmento do lote e a especificação de identidade e pureza. Sem esses três pontos, dois corantes com o mesmo nome podem render cores muito diferentes. O que pedir no documento está em ficha técnica e laudo do fornecedor, e como ler o teor de bixina, em o que é bixina.
Uma ressalva honesta: extrato padronizado, com teor declarado de bixina ou norbixina, vem da indústria de corantes. O colorau, mistura de urucum com fubá, é tempero e ingrediente, útil para quem quer cor e sabor em arroz, carnes, embutidos artesanais e preparações de food service. É esse o produto que a Graneto envasa em Paranacity, com laudo de bixina do lote sob pedido, do sachê ao big bag, como mostra a página do colorau de Paranacity.
Colorau de Paranacity, do sachê de 40 g ao big bag. A Graneto envasa colorau com urucum do polo de Paranacity para varejo, food service e indústria. Peça a cotação com o volume e a especificação de que você precisa.
Conhecer o colorau de ParanacityPerguntas frequentes
O corante carmim é natural?
É de origem natural, mas animal. O carmim é obtido do ácido carmínico extraído de fêmeas dessecadas da cochonilha Dactylopius coccus, um inseto, e ligado a alumínio. Na classificação brasileira que vigorou até 2020, a cochonilha estava entre os corantes orgânicos naturais. Por vir de inseto, o carmim não serve a produto vegano.
Corante carmim faz mal?
Nos limites de uso, é considerado seguro: a EFSA manteve a ingestão diária aceitável do carmim em 5 mg por quilo de peso corporal. O ponto de atenção é a alergia, para a qual a autoridade europeia diz não ser possível fixar dose limiar. Quem já teve reação deve evitar o INS 120 e procurar orientação médica.
Corante natural de urucum faz mal?
Nas quantidades usadas em alimentos, não, segundo as avaliações oficiais. O comitê de aditivos da FAO e da OMS fixou ingestão diária aceitável de 0 a 12 mg de bixina e de 0 a 0,6 mg de norbixina por quilo de peso corporal, e a ANVISA autoriza o extrato com limite por categoria de alimento.
Bixina e carmim são veganos?
A bixina sim, o carmim não. A bixina é o pigmento das sementes do urucum, de origem vegetal; o carmim vem de um inseto, a cochonilha. Antes de declarar um produto vegano, confira na ficha técnica do corante de urucum o veículo e os demais componentes da formulação, como óleos e emulsificantes.
Qual é o princípio ativo de um corante natural?
É a substância que dá a cor, separada da planta ou do animal: bixina e norbixina no urucum, ácido carmínico na cochonilha, curcumina na cúrcuma, betanina na beterraba e antocianinas na uva. A norma brasileira antiga mandava designar o corante natural pelo nome desse princípio quando ele tivesse sido isolado.
Qual a diferença entre corante natural e artificial?
Pela classificação que o Brasil usou até 2020, corante natural era o obtido de vegetal ou de animal, com o princípio corante isolado por processo tecnológico; artificial, o sintético que não existe na natureza, como a tartrazina; e idêntico ao natural, o sintético com a estrutura do pigmento natural. Hoje a IN 211/2023 lista cada corante pelo nome e pelo INS.
O corante caramelo é natural e seguro?
Depende do tipo. Na classificação que vigorou até 2020, o caramelo de açúcar aquecido era natural, e o de processo amônia, sintético idêntico ao natural. A IN 211/2023 lista os caramelos I a IV. Para o IV, o JECFA fixou IDA de 200 mg por quilo de peso, e a EFSA concluiu que os caramelos não são genotóxicos nem carcinogênicos.
Como fazer corante natural em casa?
Em casa, a cor vem de alimentos que já têm pigmento. Para amarelo e laranja, aqueça sementes de urucum em óleo, porque a bixina dissolve na gordura; para amarelo, use cúrcuma; para rosa e vermelho, beterraba. O tom varia de lote para lote, porque não há teor de pigmento padronizado como no corante industrial.
Publicado em Colorau e urucum
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